[ Sobre a Tirania – Mais Alguns Trechos ]

O que a grande pensadora política Hannah Arendt queria dizer com totalitarismo não era um Estado todo-poderoso, e sim a eliminação da diferença entre a vida privada e a vida pública.

O mais inteligente de todos os nazistas, o jurista Carl Schmitt, explicou em linguagem clara a essência do fascismo. A maneira de destruir todas as regras, declarou, é concentrar-se na ideia de exceção. Um líder nazista supera seus adversários construindo a convicção geral de que o momento presente é excepcional e, depois, transformando esse estado de exceção numa emergência permanente. A partir daí, os cidadãos trocam a liberdade real por uma falsa segurança.

As pessoas que lhe garantem que você só ganha segurança em troca da liberdade em geral querem negar-lhe ambas.

Quando os tiranos falam de extremismo, referem-se apenas a pessoas que não se encontram na corrente dominante naquele momento em particular.

Os autoritários de hoje também são gestores do terror, e se há alguma diferença é o fato de serem mais criativos.

Na política da eternidade, a sedução de um passo mítico nos impede de contemplar futuros possíveis. O hábito de concentrar-se na vitimização embota o impulso de autocorreção.

[ Sobre a Tirania – Alguns Trechos ]

Livrinho que estou lendo.

Depois publicarei uma segunda leva de trechos que me chamaram a atenção.

Inicialmente, uma sinopse do livro:

“Dias após a eleição de Donald Trump, o historiador Timothy Snyder postou um texto no Facebook que rapidamente foi compartilhado por dezenas de milhares de pessoas. Ele começava assim: “Não somos mais sábios do que os europeus que viram a democracia dar lugar ao fascismo, ao nazismo ou ao comunismo no século XX. Nossa única vantagem é poder aprender com a experiência deles”. O post então apresentava vinte lições tiradas do século XX e adaptadas para o mundo de hoje – ideia que Snyder desenvolve e aprofunda em “Sobre a tirania”, um livro curto, para ser lido numa sentada, mas ao qual se deve voltar regularmente para recuperar o fôlego e a inspiração que permitam enfrentar os desafios do presente”.

Aristóteles advertira que a desigualdade traz instabilidade, enquanto Platão acreditava que os demagogos tiravam proveito da liberdade de expressão para tomar o poder como tiranos.

No começo do século XX, tal como no começo do XXI, essas esperanças foram ameaçadas por novas visões de políticas de massa em que um líder ou um partido afirmavam representar diretamente a vontade do povo. As democracias europeias descambaram para o autoritarismo de direita ou para o fascismo nas décadas de 1920 e 1930. A União Soviética comunista, criada em 1922, levou seu modelo para a Europa na década de 1940.

Os fascistas rejeitavam a razão em nome da força de vontade, negando a verdade objetiva em favor de um mito glorioso articulado por líderes que afirmavam ser a voz do povo.

A obediência por antecipação é uma tragédia política.

Em seus primeiros momentos, a obediência por antecipação se limita a uma adaptação instintiva, sem reflexão, à nova situação.

Milgram concluiu que as pessoas são particularmente receptivas a novas regras num ambiente novo. De forma surpreendente, mostram-se dispostas a maltratar e a matar outras pessoas a serviço de algum propósito novo se assim forem instruídas por uma nova autoridade. “Encontrei tanta obediência”, lembrou Milgram, “que não vi necessidade de levar o experimento à Alemanha.”

A vida é política, não porque o mundo se importa com como você se sente, mas porque o mundo reage ao que você faz.

A SS surgiu como uma organização fora da lei, tornou-se uma organização que transcendia a lei e acabou como uma organização que desfazia a lei.

Em setembro de 1938, as grandes potências — França, Itália e Grã-Bretanha, governada então por Neville Chamberlain — chegaram a cooperar com a Alemanha nazista na partilha da Tchecoslováquia. No verão de 1939, a União Soviética aliou-se à Alemanha nazista, e o Exército Vermelho juntou-se à Wehrmacht na invasão da Polônia.

O último modo é a exploração indevida da fé. Isso envolve tipos de afirmações autodivinizantes que o presidente fez ao dizer “Só eu posso resolver isso” ou “Eu sou a voz de vocês”. Quando o sentimento fé se desloca dessa maneira do céu à terra, não sobra espaço para as pequenas verdades de nosso discernimento e experiências individuais.

Os fascistas desprezavam as pequenas verdades da experiência cotidiana, amavam palavras de ordem que ressoavam como uma nova religião e preferiam mitos de criação à história ou ao jornalismo.

“Se o pilar principal do sistema é viver uma mentira”, escreveu Havel, “não surpreende que a maior ameaça a ele seja viver na verdade.”

O poder deseja que seu corpo amoleça na poltrona e que suas emoções se dissipem na tela.

Para que a resistência tenha sucesso, é preciso que duas fronteiras sejam cruzadas. Primeiro, as ideias a respeito de mudança têm de envolver pessoas com vários históricos e que não concordem em tudo. Segundo, as pessoas precisam se encontrar em lugares que não são seus lares e com gente que antes não fazia parte de seu grupo de amigos. Um protesto pode ser organizado por meio de redes sociais, porém nada é real se não acaba nas ruas. Se os tiranos não percebem consequência alguma para seus atos no mundo tridimensional, nada vai mudar.

O que a grande pensadora política Hannah Arendt queria dizer com totalitarismo não era um Estado todo-poderoso, e sim a eliminação da diferença entre a vida privada e a vida pública

[ Um Conto de Fadas ]

Era uma linda história de amor!

Juras de fidelidade eterna!

Nunca nos afastaremos!!!

Compromissos de nunca deixar o outro desamparado!

Antes mesmo da união se consolidar mesmo, já faziam partilhas para não deixar ninguém desgostoso!

Mas aí, depois de quatro anos, eis que veio uma grande crise de relacionamento e todas as juras e compromissos foram por água abaixo…

E aqueles políticos que antes se amavam agora eram somente ódio e rancor…

E vocês pensando que eu estava falando de um casal, né???!!! rsrsrsrsrsrrsrs

[ Naquele reino – A Mediocridade Crescente ]

Naquele reino muitas pessoas talentosas, professores, artistas, intelectuais, cientistas, empreendedores, dentre outros, já não conseguiam enxergar um ambiente propício ao desenvolvimento de suas potencialidades.

Naquele reino estava acontecendo um grande aumento do pensamento medíocre. Muitas pessoas não mais se importavam em pensar e agir de maneira original. A mediocridade bastava para a maioria. E pareciam felizes, muito felizes assim!

A impressão que se tinha era que quanto mais pessoas talentosas deixavam aquele reino em busca de ambientes mais propícios, mais a mediocridade aumentava.

Até que um dia todas aquelas mentes privilegiadas deixaram o reino.

E assim, o reino virou um verdadeiro reino da mediocridade!!

P.S.: este texto é uma fábula, uma história de ficção. Qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência.

[ Ainda Bem ]

Ainda bem que há tempos o professor vem deixando de ser o dono do monopólio do saber em sala de aula e cada vez mais os estudantes possuem acesso às mais diversas e diferentes fontes de informação e conhecimento.

Fico feliz com essa constatação porque tenho ficado muito chocado com a quantidade crescente de portadores de diploma de doutorado, muitos já com pelo menos quatro décadas de existência neste pálido ponto azul, que vivem falando asneiras dentro e fora das redes sociais, que acreditam e compartilham fake news de maneira absurda (desprezando assim qualquer rigor quanto às fontes), que estão mais e mais presos à teorias da conspiração extremamente amalucadas, que desenvolvem inúmeros pensamentos carregados de viés de confirmação. Sem falar na cegueira coletiva que se abate sobre estas pessoas quanto ao reconhecimento destas condições, além da grande crença em teorias manipuladoras alucinadas.

Mesmo com a crescente perda do monopólio do conhecimento por parte dos professores, o estrago que esse grupo descrito no segundo parágrafo faz nos corações e mentes de muitos jovens estudantes ainda é grande, pois ainda tem muito estudante que tem receio de duvidar de seus professores. Além do mais, muitos estudantes percebem seus mestres como Mestres Iluminados de fato.

[ Um Oceano de Informação ]

Essa tirinha é uma homenagem à frase do Átila Lamarino Canal Nerdologia no TEDxUSP: recomendo o vídeo: 

https://www.youtube.com/watch?v=B_x8EccxJjU
“A gente ainda trata a informação na sala de aula como se ela fosse um bebedouro em um deserto, esquece isso! Nós estamos hoje em um dilúvio de informação e tínhamos que estar ensinando as pessoas a nadar.”

[ O Caminho do Meio ]

Os orientais possuem um entendimento há muito difundido entre nós ocidentais. É o famoso caminho do meio. 

Segundo esse entendimento o equilíbrio é o que deve ser buscado. Em linhas gerais e mais popularmente falando, podemos dizer que tudo demais é veneno!

Sou adepto dessa linha de pensamento e por conta disso quando vejo certos exageros começo e pensar que pode-se estar indo por um caminho não muito bom.

Noto que o orgulho de um povo pode se encaixar nesse pensamento.  Em certa dose é bastante salutar que um povo seja orgulhoso de si, de suas realizações, de seus feitos e conquistas. Porém quando esse orgulho se torna grande demais, de forma exagerada, esse orgulho passa a ser uma atitude arrogante. A arrogância cega! Orgulho demais pode levar a um mundo de fantasia onde a pessoa ou até mesmo um povo acredite piamente num conjunto de verdades que foi construída em cima desse orgulho que acabou se transformando em arrogância. 

O excesso de orgulho e a conseqüente arrogância é capaz até mesmo de dificultar a auto-crítica! 

Para finalizar essa meditação lembro da história de um imperador romano que diziam possuir um auxiliar que ficava ao seu lado sempre que eles voltavam de alguma campanha vitoriosa e entravam em Roma sendo aclamados pelo povo. Esse auxiliar ficava constantemente falando ao imperador: “Você é humano! Você é humano!”. Era uma forma de lembrar o imperador que ele era falho e que não deveria entrar na vala comum do excesso de orgulho e por conseguinte arrogância.

😉