[ 2019.2 – E Lá Vamos Nós! ]

O semestre letivo da Universidade Estadual Vale do Acaraú começa neste dia 16 de setembro de 2019 da E.C.

Já faz um bom tempo que dou aulas para o pessoal do 1o Semestre do Curso de Ciência da Computação. Particularmente acho um grande barato trabalhar com os jóvens padawans.

A novidade neste semestre que começa é que irei trabalhar também com o pessoal do 1o semestre do Curso de Engenharia Civil na disciplina Programação de Computadores.

De uns tempos pra cá, em especial depois que passei dos quarenta anos, uma sensação engraçada toma conta de mim a cada início do semestre. É a impressão de que eu estou envelhecendo mas meus alunos não!!!! rsrsrsrs

Explicando… A cada semestre trabalho com turmas que tem em média 17 ou 18 anos, idade que em geral eles estão ingressando no ensino superior.
😉

[ Mais um TCC para a Conta ]

Apresentação de TCC – 27.08.2019

E ontem, 27 de agosto, foi dia de ver mais um orientando, ops ops, uma orientanda apresentar seu TCC no Curso de Ciência da Computação da UVA.

O tema do TCC da Nathalia foi “A Importância do Trabalho de Frege para a Lógica Matemática”.

Pequena introdução para quem não nevega nos tortuosos mares das exatas… Friedrich Ludwig Gottlob Frege, foi um Filósofo, Matemático e Lógico alemão. Ele é tido como um dos criadores da Lógica Matemática moderna. Para mais informações veja: https://pt.wikipedia.org/wiki/Gottlob_Frege.

Aqui no nosso curso e penso que em boa parte dos cursos de Ciência da Computação e áreas afins, a molecada gosta mais de estudar temas que tenham um viés mais prático. Porém, a Nathalia resolveu estudar algo bem teórico e que faz parte dos fundamentos da Matemática e por conseguinte da Ciência da Computação.

E como disse um dos meus colegas de banca, é mais comum os estudantes saberem quem foi George Boole, porém Frege é praticamente um desconhecido e como mostrou a minha orientanda, o trabalho de Frege foi de grande relevância.

Foi bacana ver meus colegas que estavam na banca junto comigo, parabenizando a minha orientanda e destacando a sua iniciativa de estudar algo mais teórico. Confesso que fiquei um tanto quanto envaidecido. 🙂

Deixo aqui registrado os meus parabéns e votos de sucesso para a Nathalia, que em breve deverá deixar nosso curso, pois irá colar grau. Espero que esse estudo que ela inicou através do TCC sirva de inspiração e motivação para estudos mais avançados no campo da Teoria da Computação.

[ Ruptura: A crise da democracia liberal ]

Alguns trechos que destaquei da leitura deste livro que pode ser muito útil para compreender muitas turbulências pelas quais as democracias pelo mundo afora estão passando.

A linguagem utilizada pelo autor é bastante clara e, creio, acessível a boa parte dos leitores. Um dado curioso sobre esta obra do Manuel Castells: já nos finalmentes do livro ele diz que todas as tabelas e gráficos que ele utilizou na pesquisa para escrever o livro estão no site da editora.

Existe, porém, uma crise ainda mais profunda, que tem consequências devastadoras sobre a (in)capacidade de lidar com as múltiplas crises que envenenam nossas vidas: a ruptura da relação entre governantes e governados.

Trata-se do colapso gradual de um modelo político de representação e governança: a democracia liberal que se havia consolidado nos dois últimos séculos, à custa de lágrimas, suor e sangue, contra os Estados autoritários e o arbítrio institucional.

Na raiz desse novo panorama político europeu e mundial, está a distância crescente entre a classe política e o conjunto dos cidadãos.

Na realidade, a democracia se constrói em torno das relações de poder social que a fundaram e vai se adaptando à evolução dessas relações, mas privilegiando o poder que já está cristalizado nas instituições.

Se for rompido o vínculo subjetivo entre o que os cidadãos pensam e querem e as ações daqueles a quem elegemos e pagamos, produz-se o que denominamos crise de legitimidade política; a saber, o sentimento majoritário de que os atores do sistema político não nos representam.

A política se profissionaliza, e os políticos se tornam um grupo social que defende seus interesses comuns acima dos interesses daqueles que eles dizem representar: forma-se uma classe política, que, com honrosas exceções, transcende ideologias e cuida de seu oligopólio.

A identidade política dos cidadãos, construída a partir do Estado, vai sendo substituída por identidades culturais diversas, portadoras de sentido para além da política.

Se os que devem aplicar as regras de convivência não as seguem, como continuar delegando a eles nossas atribuições e pagando nossos impostos?

A luta pelo poder nas sociedades democráticas atuais passa pela política midiática, pela política do escândalo e pela autonomia comunicativa dos cidadãos.

As mensagens negativas são cinco vezes mais eficazes em sua influência do que as positivas.

O temor da globalização incita a buscar refúgio na nação. O medo do terrorismo predispõe a invocar a proteção do Estado. O multiculturalismo e a imigração, dimensões essenciais da globalização, induzem o chamamento à comunidade identitária.

Em todas as sociedades, os setores sociais mais vulneráveis são os que reagem, movidos pelo medo, à mais poderosa das emoções, e se mobilizam em torno daqueles que dizem aquilo que o discurso das elites não lhes permite dizer.

Ao poder da Rede opõe-se o poder da identidade.

Em tempos de incertezas costuma-se citar Gramsci quando não se sabe o que dizer. Em particular, sua célebre assertiva de que a velha ordem já não existe e a nova ainda está para nascer. O que pressupõe a necessidade de uma nova ordem depois da crise. Mas não se contempla a hipótese do caos. Aposta-se no surgimento dessa nova ordem de uma nova política que substitua a obsoleta democracia liberal que, manifestamente, está caindo aos pedaços em todo o mundo, porque deixa de existir no único lugar em que pode perdurar: a mente dos cidadãos.

Não estaríamos diante do velho esquema da esquerda, de esperar a solução mediante o aparecimento de um novo partido, o autêntico transformador que finalmente seja a alavanca da salvação humana? E se tal partido não existir? E se não pudermos recorrer a uma força externa àquilo que somos e vivemos para além de nossa cotidianidade? Qual é essa nova ordem que necessariamente deve existir e substituir aquilo que morre? Ou será que estamos numa situa-ção historicamente nova, na qual nós, cada um de nós, devemos assumir a responsabilidade de nossas vidas, das de nossos filhos e de nossa humanidade, sem intermediários, na prática de cada dia, na multidimensionalidade de nossa existência? Ah, a velha utopia autogestionária. Mas por que não? E, sobretudo, qual é a alternativa? Onde estão essas novas instituições dignas da confiança de nossa representação?

[ Diário da Pós – Edição de Encerramento ]

Não!!!! Ainda não é o encerramento da pós. Isso ainda vai demandar um tempinho que ainda nem sei precisar direito quanto vai ser.

Vamos a um rápido balanço de fim de semestre.

Pela primeira vez, desde o início dessa aventura, que fiz disciplinas desacompanhado dos meus colegas professores do Curso de Ciências da Computação da UVA.

Fiz duas disciplinas que são bem relacionadas com aquilo que trabalho na UVA. Essas disciplinas foram: Aspectos Formais da Computação e Lógica Modal. A primeira foi pancada. Tive muitas dificuldades que se deviam principalmente a deficiências em minha formação que somente quando somos submetidos a experiências como essa é que nos damos conta. Resultado: não logrei o êxito que eu almejava. Havia até uma possibilidade de tentar fazer umas avaliações aqui e outras ali, mas diante do quadro eu preferi seguir o conselho que sempre dou aos meus alunos que não estão indo bem na disciplina e resolvem trancá-la: continuar na disciplina para aprender o máximo que puder e fazer ela novamente em outro semestre.

Porém a experiência foi bastante enriquecedora. Aprendi muita coisa bacana que seguramente será importante mais adiante. E o principal, descobri o que preciso melhorar. Me dei conta de deficiências que eram desconhecidas para mim. E vida que segue. Quando eu cursar essa disciplina novamente acredito que será bem menos traumático.

A segunda disciplina também foi difícil. Porém, nela logrei êxito. Lógica Modal me ensinou muita coisa bacana e o principal, despertou a minha curiosidade para me aprofundar nos estudos dela.

O saldo que tenho desse semestre foi bem positivo. Aprendi muita coisa interessante e fiz novas amizades.

Terei agora um intervalo nessa minha aventura. Mas em breve o Diário da Pós voltará a ser publicado.

[ Diário da Pós ]

Neste semestre estou cursando Aspectos Formais da Computação e Lógica Modal no MDCC* da UFC. Em ambas, tirando os professores, eu sou o mais velho em sala de aula.

Sim, estou, digamos um tanto “véio” para estar cursando mestrado e até doutorado. Ao longo da minha vida profissional fiz umas escolhas e hoje estou nessa. Mas isso é assunto para outro post. Aceito de boa que estou fora de faixa!! Devia ter Mestrado e Doutorado em Regime Especial para quem está na minha situação. 😉

Porém, tenho achado um grande barato estar no meio dos xóvens. Em Lógica Modal, além de conviver com alunos da pós, também estou com alunos da graduação. É uma experiência bacana. Imagino que no primeiro dia de aula do semestre, quando entrei na sala, algum deles deve ter pensado que eu fosse o professor. Minha barba já um tanto embranquecida e os cabelos idem eram as evidências mais fortes.


Tomara que eles tenham pensado que eu era o professor e não um daqueles veteranos que vão se eternizando nos cursos de graduação e pós e que acabam virando lendas e até mesmo uma piada de departamento. Na minha graduação tínhamos um colega que fazia tanto tempo que ele estava fazendo Ciência da Computação que até já havia se tornado um pré-requisito, isto é, para colar grau você tinha que fazer pelo menos uma disciplina com esse dito colega ao longo do curso.

Pois muito bem…

Na aula de hoje, de Aspectos Formais, nossa professora estava tentando explicar um conceito através de uma analogia com um bordão de uma celebridade da década de 80/90 do século XX. Foi então que a professora disse assim:

“Pessoal, esse conceito é como uma frase que a Monique Evans dizia!! Bem… Acho que além de mim, aqui somente o Hudson sabe quem foi a Monique Evans!!!”

Rimos todos.

E aproveitei para explicar para meus colegas quem era Monique Evans!!!
Em Aspectos Formais, somos apenas quatro alunos. Todos da pós. Somos dois do mestrado e dois do doutorado. São umas pessoas ótimas que depois irei fazer um [ Diário da Pós ] para falar de cada um deles.

* Mestrado E Doutorado Em Ciência da Computação

[ Diário da Pós ]

O diário da pós dessa semana não contará uma história pitoresca vivenciada por mim nas cercanias do Campus do Pici ou das viagens Sobral-Fortaleza-Sobral…

O diário da pós, edição do dia 22 de Maio de 2019, traz uma história de saudade…

Estava eu na sala de professores visitantes do Bloco 952, fazendo uns apontamentos para uma apresentação que deverei fazer amanhã durante a aula de Lógica Modal. Foi quando abri o zazap e me deparei com uma mensagem de uma tia: “Ela acabou de morrer… Dormiu e não acordou mais…”

Há algum tempo uma tia minha teve câncer de mama. Fez tratamento, rádio e químio e enfim, ficou boa. Porém, há alguns anos a doença voltou e atingiu os ossos dessa minha tia e no final de 2018 ela foi desenganada pelos médicos que haviam dado a ela no máximo mais um mês de vida.

No dia 25 de dezembro do ano passado, depois de passar a noite de Natal com minha mãe resolvemos dar um pulinho em Mranguape para visitar essa minha tia. Achei que poderia ser a última vez que a veria com vida dado o diagnóstico e também porque no dia 27 eu e Joelma Colares embarcaríamos para MG em férias.

Acontece que as previsões dos médicos estavam equivocadas!

A última vez que estive com minha tia foi no dia 1o de Maio deste ano. Como era uma quarta-feira e eu estaria em Fortaleza por conta das aulas da pós, resolvi ir até Maranguape fazer-lhe mais uma visita. Foi uma visita com um misto de alegria e tristeza. Alegria porque mesmo ela lá na cama, já bastante debilitada, muito magrinha, sem enxergar e com a voz bem fraquinha, ela ainda nos fez rir contando umas histórias e ainda disse que tinha uma fofoca para nos contar.

Saí de lá e fiquei pensado: será que foi a última vez que a vi viva?

Sim… Naquele 1o de maio foi a última vez que vi minha tia viva.

Ao longo dos dias, depois daquela visita, minha prima, filha única dessa tia, contou-me que o quadro dela estava ficando mais grave, que ela alternava momentos de lucidez e de confusão mental. Enfim, estava ficando cada vez mais doloroso para todos os que estavam compartilhando aqueles momentos de dor.

Ao saber da notícia, arrumei minhas coisas e fui direto para Maranguape pois sabia que poderia ajudar eles de alguma forma nesse momento tão doloroso. E assim descobri que até quando morremos a burocracia nos persegue. Mas isso é um detalhe apenas.

Chegando na casa da minha tia encontro com o marido dela logo na porta. Ele me contou que ela deixou essa existência dormindo. Ela estava com dificuldades para respirar e ele foi aplicar um pouco de aerossol nela. Ela inalou algumas vezes e pegou no sono. Foi então que ele liga para minha prima para dizer pra ela que a mãe já estava melhor pois estava até dormindo. Ao voltar no quarto dela, ele percebe que aquele agora era um sono eterno…

Deixei minha prima e o noivo dela no apartamento deles e vim para a casa da minha cunhada. No caminho vinha lembrando das histórias alegres e divertidas que vivi com essa minha tia. Ela era uma pessoa muito astral, muito sorridente e até mesmo zuadenta!!! Lembro que quando eu era criança e nessa época eu era muito muito magro mesmo, minha tia me apelidou de mosquito. Até pouco tempo atrás ela ainda me chamava assim. Ou melhor, ela dizia que eu não era mais mosquito pois depois e crescido engordei.

Quero guardar na memória todas essas passagens engraçadas e felizes que pude compartilhar com minha tia. talvez isso é que seja de fato ter boa memória (ou seria boas memórias??!!)

Deixo aqui registrado o meu carinho por minha tia Ceomar Costa e pela minha prima Sarah Hannahe. Que tanto ela como os familiares encontrem a paz e tenham forças para superar esse momento.

😢😢

[ O Brasileiro Médio ]

Desde muito antes das eleições de 2018 que tenho a impressão, baseado naquilo que leio e ouço nas minhas bolhas, dentro e fora do mundinho Facebookeano, que por mais que estejam sendo feitos estudos sobre nossa sociedade ainda falta muito para uma melhor compreensão de uma entidade chamada brasileiro médio.

O brasileiro médio não é bem letrado, possui dificuldades para formular boas compreensões textuais e também do mundo que lhe cerca. Além do mais, o brasileiro médio não tem lá grandes ambições. Para ele, ter um trabalho digno, que lhe proporcione algum conforto, uns momentos de lazer, a possibilidade de algum patrimônio, como uma casa, que nem precisa ser tão grande e um veículo, um meio de transporte motorizado, bem como outros mimos que o mundo do consumo pode proporcionar, como por exemplo um smartphone bacana. Ah… E o brasileiro médio deseja ter sossego e uma tranquilidade mínima.

Mas não… O que mais vejo é que tem muito, mas muito estudo e muita gente confundindo repetida e exaustivamente desejos com análises. É preciso que a moçada se descole dessa tendência. Há excesso de idealizações. A turma tem se dedicado mais em formular teorias para uma realidade que deveria ser (portanto desejos) e deixado pra lá, como diria o Anjo Pornográfico, a vida como ela é.

E aí não faltam pessoas ainda chocadas com o resultado das eleições de 2018 e se perguntando como chegamos até esse quadro. Quem sabe se o brasileiro médio já tivesse sido melhor compreendido e menos desejo tivesse sido confundindo com análise os resultados de 2018 teriam sido diferentes.

Por enquanto, vamos seguindo nessa de esperar resultados diferentes mesmo agindo sempre do mesmo modo…