[ Diário da Pós ]

Neste semestre estou cursando Aspectos Formais da Computação e Lógica Modal no MDCC* da UFC. Em ambas, tirando os professores, eu sou o mais velho em sala de aula.

Sim, estou, digamos um tanto “véio” para estar cursando mestrado e até doutorado. Ao longo da minha vida profissional fiz umas escolhas e hoje estou nessa. Mas isso é assunto para outro post. Aceito de boa que estou fora de faixa!! Devia ter Mestrado e Doutorado em Regime Especial para quem está na minha situação. 😉

Porém, tenho achado um grande barato estar no meio dos xóvens. Em Lógica Modal, além de conviver com alunos da pós, também estou com alunos da graduação. É uma experiência bacana. Imagino que no primeiro dia de aula do semestre, quando entrei na sala, algum deles deve ter pensado que eu fosse o professor. Minha barba já um tanto embranquecida e os cabelos idem eram as evidências mais fortes.


Tomara que eles tenham pensado que eu era o professor e não um daqueles veteranos que vão se eternizando nos cursos de graduação e pós e que acabam virando lendas e até mesmo uma piada de departamento. Na minha graduação tínhamos um colega que fazia tanto tempo que ele estava fazendo Ciência da Computação que até já havia se tornado um pré-requisito, isto é, para colar grau você tinha que fazer pelo menos uma disciplina com esse dito colega ao longo do curso.

Pois muito bem…

Na aula de hoje, de Aspectos Formais, nossa professora estava tentando explicar um conceito através de uma analogia com um bordão de uma celebridade da década de 80/90 do século XX. Foi então que a professora disse assim:

“Pessoal, esse conceito é como uma frase que a Monique Evans dizia!! Bem… Acho que além de mim, aqui somente o Hudson sabe quem foi a Monique Evans!!!”

Rimos todos.

E aproveitei para explicar para meus colegas quem era Monique Evans!!!
Em Aspectos Formais, somos apenas quatro alunos. Todos da pós. Somos dois do mestrado e dois do doutorado. São umas pessoas ótimas que depois irei fazer um [ Diário da Pós ] para falar de cada um deles.

* Mestrado E Doutorado Em Ciência da Computação

[ Diário da Pós ]

O diário da pós dessa semana não contará uma história pitoresca vivenciada por mim nas cercanias do Campus do Pici ou das viagens Sobral-Fortaleza-Sobral…

O diário da pós, edição do dia 22 de Maio de 2019, traz uma história de saudade…

Estava eu na sala de professores visitantes do Bloco 952, fazendo uns apontamentos para uma apresentação que deverei fazer amanhã durante a aula de Lógica Modal. Foi quando abri o zazap e me deparei com uma mensagem de uma tia: “Ela acabou de morrer… Dormiu e não acordou mais…”

Há algum tempo uma tia minha teve câncer de mama. Fez tratamento, rádio e químio e enfim, ficou boa. Porém, há alguns anos a doença voltou e atingiu os ossos dessa minha tia e no final de 2018 ela foi desenganada pelos médicos que haviam dado a ela no máximo mais um mês de vida.

No dia 25 de dezembro do ano passado, depois de passar a noite de Natal com minha mãe resolvemos dar um pulinho em Mranguape para visitar essa minha tia. Achei que poderia ser a última vez que a veria com vida dado o diagnóstico e também porque no dia 27 eu e Joelma Colares embarcaríamos para MG em férias.

Acontece que as previsões dos médicos estavam equivocadas!

A última vez que estive com minha tia foi no dia 1o de Maio deste ano. Como era uma quarta-feira e eu estaria em Fortaleza por conta das aulas da pós, resolvi ir até Maranguape fazer-lhe mais uma visita. Foi uma visita com um misto de alegria e tristeza. Alegria porque mesmo ela lá na cama, já bastante debilitada, muito magrinha, sem enxergar e com a voz bem fraquinha, ela ainda nos fez rir contando umas histórias e ainda disse que tinha uma fofoca para nos contar.

Saí de lá e fiquei pensado: será que foi a última vez que a vi viva?

Sim… Naquele 1o de maio foi a última vez que vi minha tia viva.

Ao longo dos dias, depois daquela visita, minha prima, filha única dessa tia, contou-me que o quadro dela estava ficando mais grave, que ela alternava momentos de lucidez e de confusão mental. Enfim, estava ficando cada vez mais doloroso para todos os que estavam compartilhando aqueles momentos de dor.

Ao saber da notícia, arrumei minhas coisas e fui direto para Maranguape pois sabia que poderia ajudar eles de alguma forma nesse momento tão doloroso. E assim descobri que até quando morremos a burocracia nos persegue. Mas isso é um detalhe apenas.

Chegando na casa da minha tia encontro com o marido dela logo na porta. Ele me contou que ela deixou essa existência dormindo. Ela estava com dificuldades para respirar e ele foi aplicar um pouco de aerossol nela. Ela inalou algumas vezes e pegou no sono. Foi então que ele liga para minha prima para dizer pra ela que a mãe já estava melhor pois estava até dormindo. Ao voltar no quarto dela, ele percebe que aquele agora era um sono eterno…

Deixei minha prima e o noivo dela no apartamento deles e vim para a casa da minha cunhada. No caminho vinha lembrando das histórias alegres e divertidas que vivi com essa minha tia. Ela era uma pessoa muito astral, muito sorridente e até mesmo zuadenta!!! Lembro que quando eu era criança e nessa época eu era muito muito magro mesmo, minha tia me apelidou de mosquito. Até pouco tempo atrás ela ainda me chamava assim. Ou melhor, ela dizia que eu não era mais mosquito pois depois e crescido engordei.

Quero guardar na memória todas essas passagens engraçadas e felizes que pude compartilhar com minha tia. talvez isso é que seja de fato ter boa memória (ou seria boas memórias??!!)

Deixo aqui registrado o meu carinho por minha tia Ceomar Costa e pela minha prima Sarah Hannahe. Que tanto ela como os familiares encontrem a paz e tenham forças para superar esse momento.

😢😢

[ O Brasileiro Médio ]

Desde muito antes das eleições de 2018 que tenho a impressão, baseado naquilo que leio e ouço nas minhas bolhas, dentro e fora do mundinho Facebookeano, que por mais que estejam sendo feitos estudos sobre nossa sociedade ainda falta muito para uma melhor compreensão de uma entidade chamada brasileiro médio.

O brasileiro médio não é bem letrado, possui dificuldades para formular boas compreensões textuais e também do mundo que lhe cerca. Além do mais, o brasileiro médio não tem lá grandes ambições. Para ele, ter um trabalho digno, que lhe proporcione algum conforto, uns momentos de lazer, a possibilidade de algum patrimônio, como uma casa, que nem precisa ser tão grande e um veículo, um meio de transporte motorizado, bem como outros mimos que o mundo do consumo pode proporcionar, como por exemplo um smartphone bacana. Ah… E o brasileiro médio deseja ter sossego e uma tranquilidade mínima.

Mas não… O que mais vejo é que tem muito, mas muito estudo e muita gente confundindo repetida e exaustivamente desejos com análises. É preciso que a moçada se descole dessa tendência. Há excesso de idealizações. A turma tem se dedicado mais em formular teorias para uma realidade que deveria ser (portanto desejos) e deixado pra lá, como diria o Anjo Pornográfico, a vida como ela é.

E aí não faltam pessoas ainda chocadas com o resultado das eleições de 2018 e se perguntando como chegamos até esse quadro. Quem sabe se o brasileiro médio já tivesse sido melhor compreendido e menos desejo tivesse sido confundindo com análise os resultados de 2018 teriam sido diferentes.

Por enquanto, vamos seguindo nessa de esperar resultados diferentes mesmo agindo sempre do mesmo modo…

[ Os Fanáticos Atrapalham ]

Dificilmente alguma causa, movimento ou bandeira não atrairá fanáticos para suas fileiras. Não necessariamente os fanáticos vem de fora. Muitas vezes eles são gestados dentro da movimento.

Quando o número de fanáticos e afins fica muito grande, passando a chamar mais atenção que a causa, movimento ou baneira em si, é que os mais equilibrados abandoam o barco ou quem poderia contibuir melhor passa a tomar distância e se desinteressa e até mesmo sugere que outros nem se aproximem. E aí, o que antes poderia ser uma iniciativa interessante e bacana vai sendo destruída por dentro.

Fazer com que a causa, bandeira ou movimento não sejam automaticamente identificados com os fanáticos que existem nela talvez seja o maior desafio dos que não se deixam contaminar com o fanatismo que muitas vezes surge.


[ Muito Receio ]

Na boa… Mas eu tenho um receio doido, uma desconfiança gigante com relação aqueles que dizem querer “salvar a humanidade” e discursos afins.

A primeira coisa que tenho medo é justamente do que esses indivíduos querem nos salvar! É muitas vezes aquele lance em que os sujeitos quererem estabelecer algo que para eles é o ideal, uma utopia, mas que para muitos outros é uma verdadeira vizão do inferno.

O pior é que noto que cada vez mais surgem ao nosso redor, dentro e fora da FaceCaverna, pessoas que acreditam que o mundo, que a realidade é como um filme da Disney, ou que é possível existir uma Liga da Justiça pronta para resolver todos os problemas do mundo.

Posso parecer pessimista, mas não consigo acreitar que um dia será possível existir tal instituição (a Liga da Justiça) dada a crescente complexidade do mundo e da nossa espécie, dos interesses e prioridades de cada ser humano que habita este pálido ponto azul que vaga pelo espaço sideral.

Assim sendo, seria muito bom tentarmos compreender que quando grupos de pessoas se reunem em prol de uma causa, não necessariamente esse grupo terá obrigação de também se engajar na resolução de todos os problemas da humanidade. Bem como devemos nos manter atentos e com o ceticismo sempre ligado quando pintarem os que tentam se colocar como a Liga da Justiça almejando “salvar a humanidade”.

[ Que Lógica é Essa? ]

Já são três meses que estamos diante de um governo que é completo, ou seja, ele tem sido situação e oposição a ele mesmo em N momentos.

Daí, poderíamos deduzir que fazer oposição a um governo assim tão atrapalhado seria a mais fácil das missões.

Porém, o que a realidade nos mostra?! Que diante de tamanha incompetência do Governo Federal, até agora não surgiu uma oposição inversamente competente como era de se esperar se tomarmos o parágrafo anterior como premissa verdadeira.

Seria então um patamar de incompetência maior ainda não conseguir ser boa oposição a um governo tão incompetente?!?

Oremos…

Segue o enterro…

[ Mudança de Comportamento ]

E depois de 4 dias de muito “pecado” para tantos eis que amanhã começam 40 dias de comportamento santo para muitos desses tantos para depois voltar à “normalidade”!!

Acho super curioso observar certas “penitências” quaresmais, como por exemplo, não beber nada alcoólico durante 40 dias. E findo o período de penitência, como numa espécie de festa da liberdade, na Semana Santa, desconta-se esses 40 dias de abstinência. Claro que bebendo vinho, não é?!? Já que o vinho é bebida santa neste período.

Ao invés de passar 40 dias sem ingerir álcool ou aquela bebida escura de origem norteamericana e que possui rótulo vermelho ou não comer doces, seria melhor considerar algumas das “penitências” abaixo:

1. Deixar a vida do outro em paz.

2. Parar de espalhar notícias falsas nas redes sociais.

3. Usar fones de ouvido quando quiser ouvir suas músicas estando junto a muitas pessoas, como dentro de um ônibus.

4. Ligar o pisca (ou seta) quando estiver dirigindo e for virar à esquerda ou à direita.

5. Ser gentil.

Talvez, quem sabe, praticar essas “penitências” durante quarenta dias possam torná-las hábito.

Ah… Humanidade!! Como são interessantes estas tuas posturas!!!

😉