Uma pequena fábula…

Era uma vez – como toda boa fábula, a história começa com era uma vez – em um reino muito muito distante – outro clichê das fábulas – vivia um Rei e um Bobo da Corte, que de bobo não tinha nada, se fazia de bobo para melhor passar!

O Rei estava no trono fazia um bom tempo. Mesmo sendo rei e por conseguinte só quem lhe tiraria do trono, a princípio, seria a natureza, através da morte, havia em grande temor no monarca de que seu povo, que era bastante alegre e parecia ser um dos povos mais felizes do mundo – parecia, apenas parecia – viesse a ficar insatisfeito com seu reinado e assim partisse para uma revolta popular que poderia derrubar-lhe do trono!

Num momento de grande dúvida quanto ao futuro do seu reinado o Rei foi pedir um conselho ao Bobo da Corte, que como foi dito linhas acima, de bobo não tinha nada, era muito era sabido mesmo!

– Bobo, meu caro Bobo, sei que tu não é nada bobo e que tem muita inteligência, me diz então, como posso fazer para assegurar minha permanência no trono?

– Ora meu bom Rei – o Bobo era um ótimo afagador de ego, sempre começava suas falas com elogios ao monarca – é muito simples! Basta que você agrade somente a duas classes sócio-econômicas em seu reino: os pobres, que estão na base da pirâmide social e àqueles banqueiros, empreiteiros, grandes empresários ricos que estão no outro extremo da pirâmide, lá no alto! Com os pobres você assume uma postura altamente populista, fazendo com que eles o adorem como uma espécie de pai da pobreza. Seja paternalista mesmo! E não esqueça de sempre se emocionar e chorar em suas falas! Já com os ricos empresários, aqueles que estão no topo da pirâmide, você abre os cofres do tesouro real para eles. Aos empreiteiros, contemple-os com grandes obras bancadas pelo tesouro real. Aos banqueiros, adote uma política econômica que faça os lucros de seus bancos crescerem a olhos vistos. E aos demais empresários, agracie-os com empréstimos com condições de “pai para filho” vindos do Banco de Desenvolvimento do Reino. Dessa forma todos ficarão felizes e não haverá riscos dos pobres, que são maioria em seu reino, insuflarem uma revolta e nem muito menos os ricos, que são uma minoria, mas que detém em suas mãos boa parte da riqueza do reino, acabarem financiando a revolta dos pobres para lhe tirar do trono!

– Mas, Bobo, você não falou daqueles que estão no meio! O que fazer com a classe média?

– Ora maravilhoso e gentil monarca, não tem porque se preocupar com esses aí! A classe média não é numerosa o suficiente para deflagrar a revolta, pois seria facilmente sufocada pelos exércitos de sua realeza e nem muito menos possuem riquezas suficientes para financiar a revolta dos pobres! Vossa realeza real não tem mesmo que se preocupar com a classe média!

Vejam como o Bobo da Corte poderia ser tudo, menos bobo!

E assim, o Rei saiu feliz e já com inúmeras ideias na cabeça para uma reunião com seus ministros reais! Que diga-se de passagem eram muitos! A corte de sua alteza era altamente numerosa!

P.S.: Isso é uma fábula, uma obra de ficção! Qualquer semelhança com fatos ou acontecimentos reais é mera coincidência! 😉

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