Será o nosso cérebro a Matrix?!

“…o que vivenciamos é resultado dos sinais que atingem os nervos sensoriais e ativam porções do cérebro…”
Colin McGinn, em A Construção de Um Filósofo, pag. 32.

Faz algum tempo li num livro intitulado Como a Mente Funciona, de Steven Pinker, que um pulso elétrico, trafega pelos neurônios do nosso cérebro de maneira muito mais lenta do que seria num circuito eletrônico de um computador. Em outras palavras, quando os nervos enviam uma informação para nosso cérebro e ela está na forma de pulsos elétricos existe um pequeno delay entre o momento que os nervos foram sensibilizados e a informação, na forma de pulsos elétricos, chega a ser processada pelo nosso cérebro. Por isso, não se aborreça quando você contar uma história para uma pessoa e ela levar algum tempo para entender… Pode ser que a informação ainda está percorrendo os tortuosos caminhos cerebrais! As coisas no cérebro não acontecem assim tão tão instantaneamente. Nos computadores sim!

A coisa fica mais doida ainda quando, por exemplo, compreendemos que as imagens que vemos, são formadas em na retina de nosso olho de cabeça para baixo – da mesma forma que acontece nas máquinas fotográficas, sejam elas analógicas ou digitais. Isso deve ter sido visto por muitos de vocês nas aulas de Óptica durante o Ensino Médio – ou Segundo Grau para aqueles que já tem quase 40 anos!!!! Ou seja, nosso olho “vê” tudo de cabeça para baixo. Mas a doidera maior ainda está por vir!!! A imagem que é projetada na retina é BIDIMENSIONAL – largura x altura! E então, como é que vemos tudo sem ser de cabeça para baixo e ainda vemos as coisas em três dimensões – largura x altura x profundidade!!!??? O cérebro faz esse trabalho!

Ah… O som também tem seu lado doidera!!!! Ouvimos quando o ar faz vibrar o nosso tímpano que por sua vez vibra uns ossinhos que temos no ouvindo interno e estes por sua vez estão conectados a outro mecanismo que não lembro o nome agora e este conecta-se ao nervo auditivo que envia pulsos elétricos até o nosso camarada cérebro para que sejam processados. Os sons sendo assim, são apenas vibrações do ar! Por isso que a coisa mais absurda que tem nos filmes do tipo Guerra nas Estrelas é o som de explosões no espaço sideral. Mas cá entre nós, aquela cena da explosão da Estrela da Morte sem som seria muito sem graça. O único filme que foi fiel a isso, pelo menos daqueles que assisti foi 2001 – Uma Odisseia no Espaço.

E isso é com todos os outros sentidos – paladar, olfato e tato. Eles são simplesmente periféricos de entrada, tais como uma tela sensível ao toque de um smartphone ou o teclado de seu pc. Eles servem para enviar pulsos elétricos para o processador, fazer o que ele melhor sabe fazer, isto é, processar informações!!! No caso, o nosso processador é o cérebro. Mas não reduzam o cérebro a um mero processador, ok?!

Essa semana compartilhei um um texto no qual o autor nos apresentava que do ponto de vista atômico, não existe o toque ideal dos objetos uma vez que a eletrosfera dos átomos ficam num verdadeiro jogo de empurra-empurra, numa repulsa sem fim. Sabemos que há um imenso vazio entre a eletrosfera e o núcleo do átomo e se a eletrosfera dos átomos de um corpo qualquer “empurra” a eletrosfera de outro átomo, então, no nível atômico, os corpos não se tocam. Mas e aí, como é que o sentido do tato me diz outra coisa completamente diferente? Todos nos sentimos tocar nas coisas e nas pessoas! E mais uma vez, nosso camarada cérebro entra em ação!

Ah… E ainda tem aquelas pessoas que sofrem lesões cerebrais e ficam com certas sequelas do tipo, apesar de não apresentar nenhum problema no sistema ocular, a pessoa não enxerga porque o nervo óptico foi danificado ou a região do cérebro que cuida disso foi afetada. E aquelas pessoas que possuem uma estranha “doença” de sentir cheiros ao ouvir certos sons. Vi isso há um bom tempo num desses programas do National Geographic ou da Discovery… Sem falar naquelas pessoas que sofrem da síndrome do membro fantasma, que são aqueles que tiveram membros amputados, mas mesmo assim ainda tem sensações quanto a ele. Imagina aí, a pessoa teve o pé amputado mas mesmo assim sente aquela cocerinha no dedão?! Muito doido isso, né?! Tudo isso porque para o cérebro daquela pessoa o pé ainda está lá!

Não podemos deixar de mencionar aqueles que sofrem de esquizofrenia em graus bastante fortes. Essas pessoas, como por exemplo o grande matemático John Forbes Nash que foi interpretado por Russel Crowe no filme Uma Mente Brilhante, chegava a ver e conversar com pessoas que existiam apenas em sua mente.

Durante as aulas de Filosofia da Mente, com o camarada Prof. Hermínio, lá no Bacharelado em Filosofia, debatemos muito sobre essas coisas. E foi aí que meu interesse pela área da Inteligência Artificial – I.A. brotou e inclusive espero fazer meu mestrado em Filosofia da Mente desenvolvendo um trabalho que possa juntar a I.A. – uma das disciplinas que ministro no Curso de Ciências da Computação – com essas investigações filosóficas sobre a mente… Mas isso já outra história…

Enfim, diante disso tudo comecei a pensar aqui e acho que a Matrix é o nosso cérebro! A noção de realidade, na verdade é construída pelos mecanismos da mente. Mente essa que é fruto de milhões e milhões de anos de evolução – que me desculpem os amigos que acreditam na teoria do criacionismo.

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