[ Incentivos: é o que nos move Punições: é o que nos imobiliza ]

O texto abaixo foi produzido baseado nas leituras dos seguintes livros: Freakonomics – O Lado Oculto e Inesperado de Tudo que Nos Cerca e Superfreakonomics – O Lado Oculto do Dia a Dia, ambos escritos por Steven D. Levitt e Stephen J. Dubner.Os autores destes dois livros tentam nos mostrar diversas situações cotidianas sendo explicadas à luz da economia.

Muitas pessoas que não possuem pelo menos um conhecimento mais elementar do que seja Economia costumam achar, de maneira equivocada diga-se de passagem, que a Ciência Econômica se restringe a números, gráficos e previsões. Ledo engano! A Economia é uma ciência bastante humana. As decisões econômicas são tomadas por seres humanos.

Com a ajuda de conceitos da Economia podemos entender diversas ações no nosso dia a dia. O tema central deste texto é justamente uma tentativa de resposta para a pergunta: Por que tomamos certas decisões?

De acordo com o que li nos livros citados no parágrafo de abertura deste texto, nós seres humanos somos movidos a incentivos. Isto é, boa parte das decisões que tomamos a respeito de compras, por exemplo, é fundamentada em algum tipo de incentivo. Faça uma rápida análise pessoal lembrando as últimas compras que você fez. Em várias haverá algum tipo de incentivo para tal atitude.

Os incentivos podem ser de caráter emocional ou até mesmo fisiológico. Emocional, por exemplo, quando compramos algo que nos deixa felizes ou realizados. A compra de uma casa própria é carregada desse sentimento de realização pessoal para muitas pessoas. Já compras que possuem incentivo fisiológico podemos tomar como exemplo, a compra de um sanduíche para saciar a nossa fome ou a de um copo de água mineral para matar nossa sede.

Outras decisões que não se referem a compras também passam pelo crivo do incentivo. A decisão de acelerar mais o carro em uma estrada para chegar mais rapidamente ao destino. O incentivo aí está bem claro: chegar mais rapidamente ao destino.

Sendo assim para a realização de muitas coisas é preciso incentivar as pessoas. Os prêmios que são ofertados em uma campanha promocional de um centro de compras é um bom exemplo de como somos guiados por incentivos. Os prêmios do sorteio nos incentivam a comprar. Até mesmo promoções, com descontos generosos nos produtos também podem ser encarados como incentivos.

Enfim, os incentivos estão por toda parte!

Se os incentivos nos impulsionam ao ato existe algo que nos detenha???

Sim!!! As punições!!! As punições ou castigos ou multas são o oposto dos incentivos. Elas servem para que não façamos determinadas ações. Um código de leis está repleto de punições. Os crimes são aquelas ações que caso sejam realizadas aquele que a praticou terá que ser punido. Simples assim!!

Agora vamos analisar as duas coisas: incentivos x punições.

Em um mundo ideal as pessoas não praticariam as ações que estão colocadas em um código de leis pois saberiam que serão punidas por tal desobediência. Esse mundo ideal é facilmente modelado em experiências de Inteligência Artificial. Basta programar o agente inteligente com aquilo que ele não deve fazer que ele não fará mesmo!

Mas como não vivemos em um mundo ideal a coisa aqui fora da Matrix é bem diferente!!! Mesmo sabendo das punições há muitos que infringem as leis!

Por que então as pessoas infringem as leis!?

Os autores dos livros que citei lá no início acreditam que muitas vezes a explicação está em um algoritmo bastante simples:

SE (incentivos > punições) OU (punições forem irrelevantes ou punições nem mesmo forem executadas) ENTÃO execute a ação

Traduzindo o algoritmo da má conduta: imagine que uma pessoa está super atrasada para uma reunião na qual ela fechará um importante contrato com um cliente e a única vaga disponível para estacionar está bem debaixo de uma placa de proibido estacionar e um agente de trânsito está só de olho esperando que alguém cometa a infração para sacar seu caderno de multas. Detalhe importante: o cliente já está impaciente e ameaça ir embora e nunca mais dar uma outra oportunidade ao nosso personagem!!!!

Vamos supor também que a multa por estacionar em local proibido custe R$ 100,00 e que a pessoa vai fechar um contrato no qual ela receberá R$ 10.000,00. Ora, o incentivo aí está claro. O nosso personagem poderá ser incentivado a deixar o carro em local proibido já que o dinheiro que ele vai ganhar com o fechamento do contrato é bem maior que a multa. Este é apenas um exemplo para ilustrar.

Podemos ir mais adiante com a nossa tese agora com um outro exemplo. Imaginemos um político que tem oportunidade de desviar alguns milhões de reais em uma operação fraudulenta. O incentivo para ele é encher a conta bancária com dinheiro e assim passar um bom tempo vivendo no bem bom. As punições, caso ele seja pego, todos sabemos: cadeia e devolver o dinheiro.

Se as leis e os mecanismos de aplicação das mesmas forem realmente rígidos o incentivo que o nosso político tem será menor que as punições. Porém, se as leis forem brandas ou até mesmo existir a possibilidade dele nunca ser pego… Aí você já conhece o fim da história!!!!

Desde que li isso passei a observar não somente a mim em minhas tomadas de decisões mas o mundo ao meu redor e percebi mesmo que os incentivos realmente nos movem. E quando sei de alguma ação ilícita tenho tentado entender qual foi o incentivo que levou alguém a cometê-la ou também submeter a situação ao algoritmo que mostrei anteriormente.

Portanto, meus caros leitores, fiquemos atentos aos nossos incentivos e também aos incentivos de outras pessoas. Muitas vezes uma ação educativa como por exemplo uma campanha para não sujar as ruas pode estar necessitado apenas e tão somente de melhores incentivos para ser bem sucedida ou até mesmo punições mais severas!

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