[ Lições aprendidas através de “A Revolução dos Bichos” ]

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Aos finalizar a leitura do livro A Revolução dos Bichos quero compartilhar aqui algumas lições que este livro me proporcionou.

1a. Nada melhor que um líder carismático e que seja percebido pelos liderados como sendo um ser dotado de grande saber, inteligência, senso de justiça e muitas outras qualidades. A imagem desse líder pode ser construída ao longo do tempo por seus auxiliares diretos e reforçada por interpretações da realidade que reforcem aquelas qualidades que precisam ser mais destacadas.

2a. Além do mito do líder também se faz necessária a criação de um inimigo, nem que esse inimigo também seja uma figura mítica. Uma vez criado um inimigo pode ser atribuído a ele todas as culpas, todas as tentativas de conspiração contra o líder, enfim, não pode haver um herói sem um vilão. E quanto pior o vilão, quanto mais sórdidos forem seus métodos melhor para a imagem do líder mítico. O vilão deverá ser responsabilizado por tudo de ruim que acontecer, mesmo que não sejam apresentadas evidencias que comprovem as acusações. Uma vez internalizado na mente dos liderados, o inimigo automaticamente vai ser visto como culpado por tudo de ruim.

3a. Crie uma fonte oficial de informações. Essa fonte oficial de informações é importantíssima para que a visão de mundo dos liderados seja somente aquela que o líder entende por correta. O responsável por essa fonte oficial de informação deve sempre inflar os dados positivos e também se valer de muita estatística e números para encantar mais ainda a plateia. Quanto mais exóticos parecerem os números maior será a probabilidade deles encantarem os liderados. E toda e qualquer forma de contestação dos dados deve ser rapidamente reprimida, preferencialmente associando a figura do questionador com a do inimigo máximo que foi citado no parágrafo anterior.

4a. O líder mítico não deve confiar apenas na força do mito, da sua imagem. É necessário ter algum aparato de força bruta para ser usada quando a força do mito se mostrar fragilizada ou mesmo para impor o medo aos liderados. O medo é uma força poderosa e paralisante.

5a. É necessário também que o líder tenha entre seus seguidores alguma massa de indivíduos que não possui muito discernimento, que sejam pouco autônomos e que sejam ótimos para repetirem informações de fácil entendimento sem questionar a mensagem, especialmente quando for preciso mudar a mesma repentinamente.

6a. O líder mítico não deve ter medo de realizar ações contraditórias desde que tenha entre seus assessores alguém que saiba manipular a informação para que ela nunca pareça ser contraditória. O que importa é que seja passado para os liderados uma interpretação que esteja de acordo com os desejos e planos do líder e de seus auxiliares diretos.

Além dessas lições quero dar destaque a alguns trechos que selecionei:

“…aqueles que renunciam à liberdade em troca de promessas de segurança acabarão sem uma nem outra”.

Do posfácio da obra, escrito por Christopher Hitchens.

“Neste país, a covardia intelectual é o pior inimigo que um escritor ou jornalista precisa enfrentar, e esse fato não me parece estar sendo tão discutido quanto merecia”.

“Quando alguém defende a liberdade de expressão e de imprensa, não está reivindicando uma liberdade absoluta. Enquanto existirem sociedades organizadas, sempre deve existir, ou pelo menos sempre haverá de existir, algum grau de censura. Mas a liberdade, como disse Rosa Luxemburgo, é “a liberdade para o outro”. O mesmo princípio contido nas famosas palavras de Voltaire: “Detesto cada palavra que o senhor diz, mas defenderei até a morte seu direito de dizê-las”. Se existe algum significado na liberdade do intelecto, que, sem dúvida, tem sido uma das marcas da civilização ocidental, é que cada um tem o direito de dizer e escrever o que julga ser verdade, contanto que aquilo que diz ou escreve não seja inequivocamente nocivo para o restante da comunidade”.

“…existe hoje uma difundida tendência  argumentar que a democracia só pode ser defendida por métodos totalitários. Se a pessoa tem apego pela democracia, diz o argumento, precisa esmagar seus inimigos lançando mão de qualquer meio. E quem são seus inimigos? Sempre se diz que não são só os que a atacam aberta e conscientemente, mas os que “objetivamente” a põem em risco através da difusão de doutrinas equivocadas. Noutras palavras, a defesa da democracia envolve a destruição de qualquer independência de pensamento”.

“Essas pessoas não veem que, quando se endossam métodos totalitários, pode chegar um momento em que deixarão de ser usados a favor para se voltarem contra o indivíduo”.

“A liberdade, se é que significa alguma coisa, significa o direito de dizer às pessoas o que não querem ouvir”.

Do prefácio proposto por George Orwell à primeira edição inglesa, de 1945.

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