[ O Ataque ao Cofre – Do Livro “1808”, de Laurentino Gomes ]

5734232_1GGAtualmente estou lendo este livro. E recomendo a sua leitura. A meu ver, o fato do seu autor ser um jornalista e não um historiador faz com que a redação que ele empregou no mesmo seja, de certa maneira, livre do rigor acadêmico, fazendo com que a leitura seja mais acessível a um público não acostumado aos textos mais densos.

Ao longo de vários posts vou compartilhar vários trechos e até mesmo capítulos inteiros com os leitores e seguidores deste blog. E vou começar compartilhando um capítulo inteiro. Só que vou publicar em partes.

É muito interessante conhecermos melhor o nosso passado para compreender melhor o presente e até mesmo, quem sabe, planejar e projetar melhor o futuro. Ainda mais em nosso país que tem parece ter uma memória tão curta. Como disse alguém certa vez: “O brasileiro, a cada quinze anos, esquece o que aconteceu nos últimos quinze anos”.


Capítulo 15 – O Ataque ao Cofre

A corte chegou ao Brasil empobrecida, destituída e necessitada de tudo. Já estava falida quando deixara Lisboa, mas a situação se agravou ainda mais no Rio de Janeiro. Deve-se lembrar que entre 10 mil e 15 mil portugueses atravessaram o Atlântico com Dom João. Para ter uma ideia do que isso significava, basta levar em conta que, ao mudar a sede do governo dos Estados Unidos da Filadélfia para a recém-construída Washington, em 1800, o presidente John Adams transferiu para a nova capital cerca de mil funcionários. Ou seja, a corte portuguesa no Brasil era entre dez e quinze vezes mais gorda do que a maquina burocrática americana nessa época. E todos dependiam do erário real ou esperavam do príncipe regente algum benefício em troca do “sacrifício” da viagem. “Um enxame de aventureiros, necessitados e sem princípios acompanhou a família real”, notou o historiador John Armitage. “Os novos hóspedes pouco se interessavam pela prosperidade do país: consideravam temporária a sua ausência de Portugal e propunham-se mais a enriquecer à custa do Estado do que a administrar justiça ou a beneficiar o público”.

O historiador Luiz Felipe Alencastro conta que, além da família real, 276 fidalgos e dignatários régios recebiam verba anual de custeio e representação , paga em moedas de ouro e prata retiradas do Tesouro Real do Rio de Janeiro. Com base nos relatos do inglês John Luccock, Alencastro calculava 2 mil funcionários reais e indivíduos exercendo funções relacionadas  à Coroa, setecentos padres, quinhentos advogados, duzentos praticantes de medicina e entre 4 mil e 5 mil militares. Um dos padres recebia um salário fixo anual de 250 mil réis – o equivalente hoje a 14 mil reais – só para confessar a rainha. “Poucas cortes europeias têm tantas pessoas ligadas a ela quanto a brasileira, incluindo fidalgos, eclesiásticos e oficiais”, escreveu o cônsul inglês James Henderson. Ao visitar as cocheiras da Quinta da Boa Vista, onde Dom João morava, Henderson se surpreendeu com o número de animais e, principalmente, de serviçais ali empregados. Eram trezentas mulas e cavalos, “com o dobro do número de pessoas para cuidar deles do que seria necessário na Inglaterra”.

Continua em um outro post…

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