[ Dica de Livro – Notícias: Manual do Usuário ]

Noticias: Manual do Usuário

Sinopse:

Atualmente as notícias ocupam o lugar preponderante antes dominado pela religião, porém não costumamos refletir sobre o impacto delas em nossa vida. Em Notícias, o aclamado escritor Alain de Botton se vale de histórias típicas do noticiário — como um desastre de avião, um homicídio, um escândalo político e uma entrevista com uma celebridade — para construir sua análise inteligente e profunda.

Ele também traz questões reveladoras, como: por que manchetes de grandes desastres nos envolvem tanto? O que torna a vida amorosa das celebridades tão interessante? Por que adoramos ver políticos se dando mal? E por que as notícias sobre revoltas em países distantes costumam ser tão… entediantes? De Botton elaborou o manual definitivo da nossa era viciada em notícias, que trará calma, entendimento e um parâmetro de sanidade para as nossas interações diárias (e às vezes feitas a toda hora) com a máquina de notícias.

Um trechinho para “degustação”:

Seria super fácil supor que o verdadeiro inimigo da política democrática só pode ser a censura do noticiário – e, portanto, que a liberdade de dizer ou publicar uma informação seria o aliado natural da civilização.

Mas o mundo moderno nos ensina que, quando se trata de privar pessoas de vontade política, existem dinâmicas muito mais traiçoeiras e cínicas do que a censura. Elas envolvem o empenho de confundir, entediar e distrair a maioria, afastando-a da vida política ao apresentar os acontecimentos e maneira tão desorganizada, fragmentária e intermitente que a maioria não é capaz de fixar a atenção por tempo suficiente no desenrolar das questões mais importantes.

Um ditador contemporâneo empenhado em se firmar no poder não precisaria tomar uma atitude tão declaradamente sinistra quanto proibir a divulgação de notícias. Bastaria dar um jeito para que as organizações jornalísticas divulgassem uma torrente de boletins aleatórios, fornecendo uma grande quantidade de informação, mas com pouca explicação do contexto. Além disso, dentro de um programação que não para de mudar, tratando como sem relevância uma questão que pouco antes parecia premente e salpicando atualização constantes das peraltices interessantes de assassinos e estrelas de cinema. Isso já seria mais do que suficiente para minar a capacidade da maioria de compreender a realidade política e qualquer determinação que por acaso tivessem mobilizado para modificá-la. Uma enxurrada de notícias, e não uma proibição, seria suficiente para deixar o status quo inalterado para sempre.

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