O candidato cético – O Primeiro Ato da Campanha

Atenção!

O texto abaixo é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência. 

Era uma vez em um mundo paralelo ao nosso um candidato a um cargo eletivo que era altamente cético.

No primeiro ato de sua campanha eleitoral, seus apoiadores e coordenadores organizaram um evento para marcar o início da caminhada rumo ao tão sonhado cargo. Reuniram inúmeras pessoas para receber o candidato em uma cidade e teve tudo aquilo que é de praxe ter nesse tipo de evento: avião fretado para trazer o candidato com segurança e conforto, fogos de artifício quando o mesmo desembarcou, uma multidão agitando bandeiras e distribuindo sorrisos e muitos e muitos outros políticos e candidatos.

Quando o avião se preparava para aterrissar o candidato cético ouviu o pipocar dos fogos e disse para seu assessor mais próximo, uma pessoa para a qual o candidato cético revelava todo o seu ceticismo.

– Vem cá, esses fogos são para anunciar a minha chegada?

– Sim, doutor!

– Não precisa me chamar de doutor pois mal terminei a graduação e já me meti na política!

– Tudo bem, senhor!

– E esse pessoal que organizou isso acha mesmo que eu estou acreditando que esse foguetório em minha homenagem é sincero?

O assessor bastante conhecedor do ceticismo do candidato apenas sorriu e pensou: “Realmente ele é cético!”

Quando o candidato desembarcou foi logo recebido pelos seus correligionários. Eram muitos abraços, muitos apertos de mão, muitos tapinhas nas costas e muitas e muitas fotos. Foto com o candidato não pode faltar, não é!?

Logo depois de conseguir se livrar dessa primeira leva de correligionários e entrar num veículo que lhe conduziria até o local do evento o candidato cético tem mais um diálogo (ou seria um monólogo?) com seu assessor mais próximo.

– Esse povo deve pensar mesmo que sou besta. Nunca vi tanta falsidade reunida em um só local! Estão assim me bajulando somente porque sou candidato e tenho grande chances de vencer. Duvido que se eu não estivesse tão confortavelmente nas pesquisas eles estariam me tratando assim.

O assessor, calado estava, calado ficou e esboçou um sorrisinho!

 O candidato cético chegou ao evento, e depois de ouvir os discursos dos outros candidatos também discursou. Foi aplaudido, foi carregado nos braços e apertou muita mão e beijou muita criancinha. Findo todo esse ritual o candidato cético é levado de volta ao aeroporto e embarca no avião para no dia seguinte estar em mais um evento de sua campanha. E na viagem ele novamente tem um monólogo onde seu espectador é aquele assessor mais próximo.

– Quanto circo! Reuniram aquelas pessoas todas que mal ouviram falar da minha pessoa, distribuíram todas aquelas bandeiras, soltaram aqueles fogos… Sei que nada disso é sincero, que só fazem isso porque sou o candidato mais bem colocado. Tudo muito teatral! E até essa bendita eleição ainda vou ter que ir a muitos desses circos… E sendo eleito aí é que terei que aturar mais um mundo de falsidades e outros tantos que se dizem aliados mas que adorariam tomar o meu lugar!

O assessor, como todo bom assessor de alta confiança, calado estava, calado ficou!
P.S.: publiquei este texto em minha página no Facebook em 07.07.2014

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