​[ Entendendo um pouco mais sobre o apego ao conjunto de opiniões que cada um constrói para si ]

Em 1620, Francis Bacon afirmou que, “a compreensão humana, após ter adotado uma opinião, coleciona quaisquer instâncias que a confirmem, e ainda que as instâncias contrárias possam ser muito mais numerosas e influentes, ela não as percebe, ou então as rejeita, de modo que sua opinião permaneça inabalada”. Esta citação encontrei no livro O Andar do Bêbado, de Leonard Mlodinow. 
Já faz algum tempo que tenho me esforçado para compreender as pessoas (por que fulano pensa assim? O que o leva a ter esse ponto de vista?) e não simplesmente colocar um rótulo nelas por conta de suas opiniões ou pontos de vista. E nessa busca eis que estudar como a aleatoriedade e a probabilidade exercem influência em nossas vidas – tema central do livro onde pincei essa citação – tem me ajudado bastante.

Depois que o autor cita essa frase de Francis Bacon ele disserta um pouco mais sobre como funciona em nossas mentes esse apego àquilo que temos como sendo nossas verdades pessoais. Vejamos o que ele nos diz:

“Para piorar ainda mais a questão, além de buscarmos preferencialmente as evidências que confirmam nossas noções preconcebidas, também interpretamos indícios ambíguos de modo a favorecerem nossas ideias. Isso pode ser um grande problema, pois os dados muitas vezes são ambíguos; assim, ignorando alguns padrões e enfatizando outros, nosso cérebro inteligente consegue reforçar suas crenças mesmo na ausência de dados convincentes. Por exemplo, se concluirmos, com base em indícios instáveis, que um novo vizinho é antipático, quaisquer ações futuras que possam ser interpretadas dessa forma ganharão destaque em nossa mente, e as que não possam serão facilmente esquecidas. Ou então, se acreditamos num político, damos-lhe o mérito pelos bons resultados que obtiver, e quando a situação piorar, jogamos a culpa no outro partido, reforçando assim nossas ideias iniciais”.

Vejam que esse segundo trecho acaba nos explicando diversos padrões de comportamento nossos e de pessoas conhecidas. Quantos e quantos de nós não nos apegamos a ideias preconcebidas a cerca de algo ou de alguém e assim julgamos esse algo ou esse alguém tão somente baseados nessas ideias preconcebidas e pior ainda é que isso pode fazer com que nos fechemos à opiniões que contrariem esse nosso conceito preconcebido.

E para fechar esse post, vejamos mais um trecho do livro onde o autor dá mais algumas explicações sobre esse comportamento de nosso cérebro e nos mostra como não se deixar levar por isso:

“A evolução do cérebro humano o tornou muito eficiente no reconhecimento de padrões; porém, como nos mostra o viés da confirmação, estamos mais concentrados em encontrar e confirmar padrões que em minimizar nossas conclusões falsas. Ainda assim, não precisamos ficar pessimistas, pois temos a capacidade de superar nossos preconceitos. Um primeiro passo é a simples percepção de que os eventos aleatórios também produzem padrões. Outro é aprendermos a questionar nossas percepções e teorias. Por fim, temos que aprender a gastar tanto tempo em busca de provas de que estamos errados quanto de razões que demonstrem que estamos certos”.

Isso explica porque aqui no mundo facebookeano – e fora dele – vemos tantas pessoas defendendo inúmeras bandeiras e ideologias e elas sempre expõe argumentos, fontes, sites e até mesmo JPEGs, que confirmem aquilo que elas defendem e acreditam. Particularmente nunca vi alguém apresentar uma prova por refutação!!!

😉

P.S.: Publiquei este texto em minha página no Facebook em 17 de julho de 2014

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