[ Esperança e Medo: Os Afetos que Regem uma Disputa Eleitoral ]

Há algum tempo vi o filósofo Vladimir Safatle dizer que em uma campanha eleitoral a esperança e o medo são dois lados de uma mesma moeda. Que são esses afetos que vão ser fundamentais para boa parte do eleitorado fazer suas escolhas.
 
A esperança é o afeto de quem ainda não conseguiu, que está esperando por algo. Essa espera pode ser por alguma coisa material, uma casa, por exemplo ou mesmo subjetiva, uma vida melhor, seja lá o que vem a ser isso.
 
E onde é que entra a esperança em uma campanha eleitoral?
 
Vamos e venhamos, boa parte da nossa população vive de esperança. Uns mais, outros menos. Somos um país que ainda precisa melhorar muito em muitos e muitos aspectos. E isso é terreno fértil para o cultivo de esperanças. Em muitas cidades boa parcela da população ainda não tem acesso a inúmeros serviços básicos e essenciais. Essa mesma população, muitas vezes, nem direito a sonhar com um futuro melhor tem.
 
A cada eleição os candidatos jogam principalmente com essas esperanças. As promessas de campanha, os projetos de governo, visam em sua essência atender as esperanças da maioria. É nesse momento que a campanha eleitoral se assemelha a venda de um produto. Quem conseguir melhor satisfazer a esperança será “comprado” pelo eleitorado.
 
E o medo?!
 
O medo, que é o outro lado dessa moeda, é justamente o temor da esperança não ser satisfeita que ela seja eternamente uma esperança a ser alcançada. O candidato que o eleitor não escolhe, certamente é aquele que mais medo lhe passa, medo de que suas esperanças não sejam satisfeitas, medo de que o que está ruim fique pior, medo de que nunca a vida melhore, medo… Medo… Medo…
 
Muito provavelmente, os eleitores quando vão decidir quem eles irão “comprar” para satisfazer as suas esperanças e afastar os seus medos, calculam quem é que tem mais poder de conseguir isso.
 
Acontece que as eleições passaram. Os eleitos já estão conhecidos e em janeiro o eleitorado que confiou neles como sendo os que vão lhes atender as esperanças e afastar os seus medos já irá querer ver algo acontecer.
 
Para a sorte dos eleitos, tradicionalmente o eleitorado dá seis meses para que a casa seja colocada em ordem, ainda que tenham pego a prefeitura, por exemplo, das mãos de um aliado ou de si próprio, no caso de reeleições. Depois desses seis meses a paciência do eleitorado começa a ficar menor.
 
O momento agora é de festa para muitos vencedores. Porém não podemos deixar de lembrar que 2017 tende a ser um ano não muito fácil. Ainda estamos vivendo em meio a uma recessão econômica e pra piorar mais ainda a situação poderemos entrar em mais um ano de chuvas abaixo da média. Por falar nisso, penso e que mesmo que as chuvas do ano que vem sejam na média ainda assim não serão suficientes para recarregar boa parte dos açudes de nosso estado. Enfim, 2017 tende a ser um ano de muitos desafios para os novos gestores ou para os que receberam uma segunda chance do seu eleitorado.
 
A campanha se foi… Mas as esperanças e medos ainda permanecem. Os problemas da cidade não sumiram como que por encanto com o fim da campanha eleitoral. Eles irão se mostrar amanhã mesmo. As esperanças só deixam de existir quando elas são atendidas, quando os anseios são satisfeitos, enquanto não são, o eleitor vive em compasso de espera, por isso ele tem esperança. E enquanto houver esperança haverá medo, medo de que as esperanças não sejam devidamente satisfeitas…

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