[ Homo Deus: Um Livro que Vale a Pena ser Lido – Parte Dois ]

Dando continuidade a uma série de posts iniciada em 27 de junho de 2017 aqui, trago mais alguns trechos do livro Homo Deus – Uma Breve História do Amanhã.

Somente os animais que calculam corretamente as probabilidades deixam uma prole.

Em segundo lugar, os deuses teriam de realizar uma mediação entre os humanos e o ecossistema. No cosmo animista, todos falavam com todos diretamente. Se precisasse de alguma coisa de um caribu, de uma figueira, das nuvens ou das rochas, você mesmo se dirigia a eles. No cosmo teísta, todas as entidades não humanas foram silenciadas. Consequentemente, não é mais possível falar com árvores e com animais. O que fazer, então, quando alguém quisesse que as árvores dessem mais frutos, as vacas dessem mais leite, as nuvens trouxessem mais chuvas e os gafanhotos deixassem suas colheitas em paz? É aí que os deuses entram em cena. Eles prometiam chuva, fertilidade e proteção, contanto que os humanos fizessem algo em troca. Essa era a essência do acordo agrícola. Os deuses salvaguardavam e multiplicavam a produção agrícola e, em troca, os humanos tinham de compartilhar sua produção com os deuses. Esse acordo servia a ambas as partes, à custa do restante do ecossistema.

A Bíblia não conseguiria imaginar um cenário no qual Deus se arrependesse de ter criado o Homo sapiens, varresse esse macaco pecaminoso da face da Terra e depois passasse a eternidade se divertindo com os trejeitos de avestruzes, cangurus e pandas.

A fazenda agrícola tornou-se assim o protótipo de novas sociedades, que incluíam os empolados senhores, as raças inferiores destinadas a serem exploradas, animais selvagens prontos para serem exterminados, e um grande Deus acima de tudo, dando Sua bênção a esse arranjo todo.

O surgimento da ciência e da indústria modernas trouxe consigo a revolução seguinte nas relações entre homens e animais. Durante a Revolução Agrícola, a humanidade silenciou animais e plantas e transformou a grande ópera animista num diálogo entre o homem e deuses. No decorrer da Revolução Científica, a humanidade silenciou também os deuses. O mundo transformou-se em um one man show. O gênero humano estava sozinho num palco vazio, falando consigo mesmo, negociando com ninguém e adquirindo poderes enormes sem nenhuma obrigação. Depois de decifrar as leis mudas da física, da química e da biologia, o gênero humano agora faz com elas o que quiser.

Enquanto a Revolução Agrícola deu origem às religiões teístas, a Revolução Científica fez nascerem as religiões humanistas, nas quais humanos substituem deuses. Os teístas cultuam theos (“deus”, em grego), e os humanistas cultuam humanos. A ideia fundamental das religiões humanistas, como o liberalismo, o comunismo e o nazismo, é que o Homo sapiens tem uma essência única e sagrada, fonte de todo o sentido e de toda a autoridade no Universo. Tudo o que acontece no cosmo é considerado bom ou mau de acordo com o impacto que exerce sobre o Homo sapiens.

Turing sabia por experiência pessoal que não importava o que você realmente é — a única coisa que importa é o que os outros pensam a seu respeito.

Quando tentamos determinar se uma entidade é consciente, o que comumente estamos buscando não é uma aptidão para a matemática ou uma boa memória, e sim a capacidade de criar relações emocionais conosco.

Em vez disso, o fator crucial de nossa conquista do mundo foi nossa capacidade de conectar muitos humanos uns com os outros.

Para poder montar uma revolução, números nunca são suficientes. Revoluções comumente são feitas por pequenas redes de agitadores, e não pelas massas. Se você quiser desencadear uma revolução não se pergunte: “Quantas pessoas apoiam minha ideia?”. A pergunta correta a fazer é: “Entre os que me apoiam, quantos são capazes de prestar uma colaboração eficaz?”.

 

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