[ Homo Deus: Um Livro que Vale a Pena ser Lido – Parte Três ]

Dando continuidade a uma série de posts iniciada em 27 de junho de 2017 aqui, trago mais alguns trechos do livro Homo Deus – Uma Breve História do Amanhã.

Toda cooperação humana em grande escala baseia-se em última análise na nossa crença em ordens imaginadas.

Queremos crer que nossa vida tem algum significado objetivo e que nossos sacrifícios têm importância para algo que está além das histórias em nossa cabeça. Na verdade, contudo, a vida da maioria das pessoas só tem significado dentro da rede de histórias que elas contam umas para as outras.

…assim que a história se desenrola. Pessoas tecem uma rede de significados, acreditam nela piamente, porém mais cedo ou mais tarde a teia se desfaz, e, quando olhamos para trás, não conseguimos compreender como alguém a levou a sério.

Nenhum governante resiste à tentação de tentar alterar a realidade com uma canetada e, caso um desastre ocorra, a solução parece consistir em escrever mais memorandos e emitir mais códigos, decretos e ordens.

Se você distorce demasiadamente a realidade, isso vai enfraquecê-lo, e você não será capaz de competir com rivais que tenham uma visão mais clara. Por outro lado, você não vai conseguir organizar massas de pessoas sem se apoiar efetivamente em alguns mitos ficcionais. Se ficar agarrado à realidade pura, sem misturar nela alguma ficção, poucos o seguirão

A história não é uma narrativa única, mas milhares de narrativas alternativas. Sempre que escolhemos contar uma delas, escolhemos também silenciar outras.

Ao se examinar a história de qualquer rede humana, é recomendável parar de vez em quando e olhar as coisas da perspectiva de alguma entidade real. Como se sabe se uma entidade é real? Muito simples — apenas pergunte a si mesmo: “Ela é capaz de sofrer?”. Quando pessoas derrubam e incendeiam o templo de Zeus, Zeus não sofre. Quando o euro se desvaloriza, o euro não sofre. Quando um banco vai à bancarrota, o banco não sofre. Quando um país é derrotado na guerra, o país na verdade não sofre. É só uma metáfora. Em contraste, quando um soldado é ferido em combate, ele sofre. Quando um camponês faminto não tem o que comer, ele sofre. Quando uma vaca é separada de seu bezerro recém-nascido, ela sofre. Isso é realidade.

Nós sempre acreditamos “na verdade”, só os outros é que acreditam em superstições.

Definir religião como “crença em deuses” também é problemático. Tendemos a dizer que uma cristã devota é religiosa porque acredita em Deus, enquanto um comunista ardente não é religioso porque o comunismo não tem deuses. Entretanto, a religião é criada por humanos, e não por deuses, e é definida por sua função social, e não pela existência de deidades. Religião é qualquer coisa que confira legitimidade sobre-humana a estruturas sociais humanas. A religião legitima normas e valores humanos ao alegar que eles refletem leis sobre-humanas.

As religiões se diferenciam nos detalhes de suas histórias, em seus mandamentos concretos e nas recompensas e punições que prometem. Assim, na Europa medieval, a Igreja católica alegava que Deus não gostava de gente rica. Jesus disse que seria mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus. Para ajudar os ricos a entrar no reino de Deus, a Igreja os incentiva a doar muito dinheiro para a caridade, ameaçando os mesquinhos de arder no inferno. O comunismo moderno tampouco gosta dos ricos, mas os ameaça com um conflito de classes neste mundo, e não com enxofre ardente após a morte.

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