[ Era uma vez… ]

Era uma vez um indivíduo. Este indivíduo pode ser qualquer pessoa em uma sociedade.

Pode ser eu. Pode ser você que está agora lendo este texto…

Um dia, este indivíduo, que era visto pelos outros indivíduos como uma pessoa considerada normal(defina normal) pratica um ato fora da dita normalidade antes definida neste mesmo parágrafo. Ou como dizem por aí, o cara surtou de vez, pirou na batatinha.

Este indivíduo, que pode ser eu ou você que está lendo este texto, afinal de contas não nos conhecemos o suficiente para afirmarmos com toda e completa convicção o que somos ou não capazes de fazer, foi devidamente encarcerado por conta do seu ato absurdo cometido no parágrafo anterior. De acordo com a lógica punitivista reinante, quem erra deve pegar. E o pagamento deve ser o encarceramento.

Encarcerado, esse indivíduo, que pode ser eu ou você que está lendo este texto, sofre todo tipo de abuso, seja físico ou psicológico dentro de um sistema de encarceiramento que não possui as mínimas condições de recuperar alguém que cometeu um delito, uma vez que este sistema de encarceiramento serve apenas para “livrar” a sociedade dos seres ditos indesejáveis ao convívio social.

Eis que o destino do indivíduo da nossa história, que pode ser eu ou você que ainda que está lendo este texto, pode vir a ser a morte devido a todos os abusos sofridos dentro do sistema punitivista reinante ou a completa destruição do seu eu, a piora do seu quadro psicológico.

Será que do ponto de vista dos que defendem uma sociedade mais justa (defina sociedade justa), dos que defendem que o sistema punitivista apenas agrava a situação do sistema penal, dos que alegam que as cadeias não recuperam ninguém e por fim, daqueles que afirmam categoricamente que quem entra no sistema penal sai pior do que entrou, o que aconteceu com o hipotético indivíduo, que pode ser eu ou você um dia, afinal de contas, nunca se sabe o dia de amanhã e até onde pode ir a nossa suposta sanidade mental, foi justo e merecido?

E se esse indivíduo, que pode ser eu ou você que ainda(!) está lendo este texto, precisasse mesmo de acompanhamento psiquiátrico ou mesmo internamento em uma instituição que não fizesse parte do sistema penal tradicional, que como já foi dito, não recupera NINGUÉM?!

O punitivismo como solução para os problemas da sociedade pode ser muito, muito atraente. Afinal de contas, tiramos do nosso convívio os indesejados, que pode ser eu ou você que, surpreendentemente ainda está lendo este texto até aqui.

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