[ Análises versus Desejos ]

É uma tarefa bem difícil separar nossos desejos de nossa análises.

Muitas vezes, numa análise dos fatos do cotidiano, ao invés de tentarmos enxergar aquilo que não está óbvio, que está mesmo escondido nas entrelinhas, ficamos a procurar por aquilo que queremos ver. É quando desejos se confundem com análises.

O grande mal desse procedimento é a análise corre sério risco de ficar enviesada, contaminada por aquilo que desejamos encontrar o que pode nos levar a ignorar qualquer evidência em contrário. Ou seja, se me deparo com uma evidência que não vai de encontro ao meu desejo, já a descarto.

Superar o desejo de encontrar nos dados e análises aquilo que entendo como sendo o ideal de realidade é um desafio grande pois isso acaba mexendo com nossas crenças, com aquilo que acreditamos ser a realidade. É quando “Narciso acha feio o que não é espelho”.

Em muitas ocasiões, fazemos nossas análises doa fatos cotidianos apenas para validar nossas crenças. E quando não encontramos essa validações tendemos a acreditar que há algo de errado com a realidade pois ela não está condizendo com o que entendemos ser o real. E aí, haja ficarmos frustrados, choramingando porque o Universo não está nem aí pra nossos desejos.

😉

[ Trisal e Matemática Discreta ]

Usar exemplos da tal vida real para explicar conceitos matemáticos tem sido prática comum, né??!! Acredito que a molecada, os alunos, conseguem compreender melhor a parada quando nos valemos desse expediente.
Pois muito bem… Na semana que passou estava eu às voltas com minha turma de Matemática Discreta explicando relações de equivalência.
Vou inicialmente usar a linguagem matemática para apresentar o conceito. Depois conto o “causo” da sala de aula.

Uma relação R é uma relação de equivalência se possui as seguintes propriedades:
– Reflexividade: para todo elemento a de um conjunto X tem-se aRa.
– Simetria: para todo elemento a e b de um conjunto X se aRb então bRa.
– Transitividade: para todo elemento a, b e c de um conjunto X se aRb e bRc então aRc.


Tá… falando assim parece uma coisa muito esotérica para quem não manja dos paranauês da linguagem matemática. E a esse conjunto pertencem muitos e muitos estudantes.

Assim que apresentei essa definição para minha turma de Matemática Discreta vi que nos seus rostos estavam aquelas expressões típicas de quem está pensando “que diabos é isso???!!!”

Foi então que lembrei de uma conversa que flagrei numa outra aula. Senta que lá vem uma história dentro da história…

Havia acabado de passar uma atividade para os alunos. Enquanto eles tentavam realizar a atividade o papo rolava solto na sala de aula. Foi aí que próximo a mim uma aluna comentava com um colega que o trisal no qual ela estava havia acabado. Pensei: “Trisal?! Deve ser um relacionamento a três, né??!!

Voltemos agora para a história principal…

Resolvi usar essa relação, o trisal, como exemplo de uma relação de equivalência. Fiat lux!!!!

Voltei-me para a turma e disse, radiante:

“Pessoal, vocês sabem o que é um trisal, né???!!! Cês são jovens e todo jovem já deve ter ouvido falar nessa modalidade de relacionamento!??!!
Vejam vocês, um trisal é uma relação de equivalência!!

Vamos imaginar que um trisal é formado por três pessoas, João, Maria e José. Se João ama a si mesmo, bem como José também ama a si e o mesmo acontece com Maria, então eles possuem a propriedade da reflexividade!!

Se João ama Maria e Maria ama João, assim como José ama João e João o ama, bem como Maria ama José e José a ama, então eles possuem a propriedade da simetria.

E para finalizar vamos a propriedade da transitividade!!! Se João ama Maria e Maria ama José, então João ama José!!”

Pois bem… Depois dessa explicação meus alunos entenderam direitinho o que é uma relação de equivalência!!!
😉

[ 2019.2 – E Lá Vamos Nós! ]

O semestre letivo da Universidade Estadual Vale do Acaraú começa neste dia 16 de setembro de 2019 da E.C.

Já faz um bom tempo que dou aulas para o pessoal do 1o Semestre do Curso de Ciência da Computação. Particularmente acho um grande barato trabalhar com os jóvens padawans.

A novidade neste semestre que começa é que irei trabalhar também com o pessoal do 1o semestre do Curso de Engenharia Civil na disciplina Programação de Computadores.

De uns tempos pra cá, em especial depois que passei dos quarenta anos, uma sensação engraçada toma conta de mim a cada início do semestre. É a impressão de que eu estou envelhecendo mas meus alunos não!!!! rsrsrsrs

Explicando… A cada semestre trabalho com turmas que tem em média 17 ou 18 anos, idade que em geral eles estão ingressando no ensino superior.
😉

[ Mais um TCC para a Conta ]

Apresentação de TCC – 27.08.2019

E ontem, 27 de agosto, foi dia de ver mais um orientando, ops ops, uma orientanda apresentar seu TCC no Curso de Ciência da Computação da UVA.

O tema do TCC da Nathalia foi “A Importância do Trabalho de Frege para a Lógica Matemática”.

Pequena introdução para quem não nevega nos tortuosos mares das exatas… Friedrich Ludwig Gottlob Frege, foi um Filósofo, Matemático e Lógico alemão. Ele é tido como um dos criadores da Lógica Matemática moderna. Para mais informações veja: https://pt.wikipedia.org/wiki/Gottlob_Frege.

Aqui no nosso curso e penso que em boa parte dos cursos de Ciência da Computação e áreas afins, a molecada gosta mais de estudar temas que tenham um viés mais prático. Porém, a Nathalia resolveu estudar algo bem teórico e que faz parte dos fundamentos da Matemática e por conseguinte da Ciência da Computação.

E como disse um dos meus colegas de banca, é mais comum os estudantes saberem quem foi George Boole, porém Frege é praticamente um desconhecido e como mostrou a minha orientanda, o trabalho de Frege foi de grande relevância.

Foi bacana ver meus colegas que estavam na banca junto comigo, parabenizando a minha orientanda e destacando a sua iniciativa de estudar algo mais teórico. Confesso que fiquei um tanto quanto envaidecido. 🙂

Deixo aqui registrado os meus parabéns e votos de sucesso para a Nathalia, que em breve deverá deixar nosso curso, pois irá colar grau. Espero que esse estudo que ela inicou através do TCC sirva de inspiração e motivação para estudos mais avançados no campo da Teoria da Computação.

[ Ruptura: A crise da democracia liberal ]

Alguns trechos que destaquei da leitura deste livro que pode ser muito útil para compreender muitas turbulências pelas quais as democracias pelo mundo afora estão passando.

A linguagem utilizada pelo autor é bastante clara e, creio, acessível a boa parte dos leitores. Um dado curioso sobre esta obra do Manuel Castells: já nos finalmentes do livro ele diz que todas as tabelas e gráficos que ele utilizou na pesquisa para escrever o livro estão no site da editora.

Existe, porém, uma crise ainda mais profunda, que tem consequências devastadoras sobre a (in)capacidade de lidar com as múltiplas crises que envenenam nossas vidas: a ruptura da relação entre governantes e governados.

Trata-se do colapso gradual de um modelo político de representação e governança: a democracia liberal que se havia consolidado nos dois últimos séculos, à custa de lágrimas, suor e sangue, contra os Estados autoritários e o arbítrio institucional.

Na raiz desse novo panorama político europeu e mundial, está a distância crescente entre a classe política e o conjunto dos cidadãos.

Na realidade, a democracia se constrói em torno das relações de poder social que a fundaram e vai se adaptando à evolução dessas relações, mas privilegiando o poder que já está cristalizado nas instituições.

Se for rompido o vínculo subjetivo entre o que os cidadãos pensam e querem e as ações daqueles a quem elegemos e pagamos, produz-se o que denominamos crise de legitimidade política; a saber, o sentimento majoritário de que os atores do sistema político não nos representam.

A política se profissionaliza, e os políticos se tornam um grupo social que defende seus interesses comuns acima dos interesses daqueles que eles dizem representar: forma-se uma classe política, que, com honrosas exceções, transcende ideologias e cuida de seu oligopólio.

A identidade política dos cidadãos, construída a partir do Estado, vai sendo substituída por identidades culturais diversas, portadoras de sentido para além da política.

Se os que devem aplicar as regras de convivência não as seguem, como continuar delegando a eles nossas atribuições e pagando nossos impostos?

A luta pelo poder nas sociedades democráticas atuais passa pela política midiática, pela política do escândalo e pela autonomia comunicativa dos cidadãos.

As mensagens negativas são cinco vezes mais eficazes em sua influência do que as positivas.

O temor da globalização incita a buscar refúgio na nação. O medo do terrorismo predispõe a invocar a proteção do Estado. O multiculturalismo e a imigração, dimensões essenciais da globalização, induzem o chamamento à comunidade identitária.

Em todas as sociedades, os setores sociais mais vulneráveis são os que reagem, movidos pelo medo, à mais poderosa das emoções, e se mobilizam em torno daqueles que dizem aquilo que o discurso das elites não lhes permite dizer.

Ao poder da Rede opõe-se o poder da identidade.

Em tempos de incertezas costuma-se citar Gramsci quando não se sabe o que dizer. Em particular, sua célebre assertiva de que a velha ordem já não existe e a nova ainda está para nascer. O que pressupõe a necessidade de uma nova ordem depois da crise. Mas não se contempla a hipótese do caos. Aposta-se no surgimento dessa nova ordem de uma nova política que substitua a obsoleta democracia liberal que, manifestamente, está caindo aos pedaços em todo o mundo, porque deixa de existir no único lugar em que pode perdurar: a mente dos cidadãos.

Não estaríamos diante do velho esquema da esquerda, de esperar a solução mediante o aparecimento de um novo partido, o autêntico transformador que finalmente seja a alavanca da salvação humana? E se tal partido não existir? E se não pudermos recorrer a uma força externa àquilo que somos e vivemos para além de nossa cotidianidade? Qual é essa nova ordem que necessariamente deve existir e substituir aquilo que morre? Ou será que estamos numa situa-ção historicamente nova, na qual nós, cada um de nós, devemos assumir a responsabilidade de nossas vidas, das de nossos filhos e de nossa humanidade, sem intermediários, na prática de cada dia, na multidimensionalidade de nossa existência? Ah, a velha utopia autogestionária. Mas por que não? E, sobretudo, qual é a alternativa? Onde estão essas novas instituições dignas da confiança de nossa representação?

[ Diário da Pós – Edição de Encerramento ]

Não!!!! Ainda não é o encerramento da pós. Isso ainda vai demandar um tempinho que ainda nem sei precisar direito quanto vai ser.

Vamos a um rápido balanço de fim de semestre.

Pela primeira vez, desde o início dessa aventura, que fiz disciplinas desacompanhado dos meus colegas professores do Curso de Ciências da Computação da UVA.

Fiz duas disciplinas que são bem relacionadas com aquilo que trabalho na UVA. Essas disciplinas foram: Aspectos Formais da Computação e Lógica Modal. A primeira foi pancada. Tive muitas dificuldades que se deviam principalmente a deficiências em minha formação que somente quando somos submetidos a experiências como essa é que nos damos conta. Resultado: não logrei o êxito que eu almejava. Havia até uma possibilidade de tentar fazer umas avaliações aqui e outras ali, mas diante do quadro eu preferi seguir o conselho que sempre dou aos meus alunos que não estão indo bem na disciplina e resolvem trancá-la: continuar na disciplina para aprender o máximo que puder e fazer ela novamente em outro semestre.

Porém a experiência foi bastante enriquecedora. Aprendi muita coisa bacana que seguramente será importante mais adiante. E o principal, descobri o que preciso melhorar. Me dei conta de deficiências que eram desconhecidas para mim. E vida que segue. Quando eu cursar essa disciplina novamente acredito que será bem menos traumático.

A segunda disciplina também foi difícil. Porém, nela logrei êxito. Lógica Modal me ensinou muita coisa bacana e o principal, despertou a minha curiosidade para me aprofundar nos estudos dela.

O saldo que tenho desse semestre foi bem positivo. Aprendi muita coisa interessante e fiz novas amizades.

Terei agora um intervalo nessa minha aventura. Mas em breve o Diário da Pós voltará a ser publicado.

[ Diário da Pós ]

Neste semestre estou cursando Aspectos Formais da Computação e Lógica Modal no MDCC* da UFC. Em ambas, tirando os professores, eu sou o mais velho em sala de aula.

Sim, estou, digamos um tanto “véio” para estar cursando mestrado e até doutorado. Ao longo da minha vida profissional fiz umas escolhas e hoje estou nessa. Mas isso é assunto para outro post. Aceito de boa que estou fora de faixa!! Devia ter Mestrado e Doutorado em Regime Especial para quem está na minha situação. 😉

Porém, tenho achado um grande barato estar no meio dos xóvens. Em Lógica Modal, além de conviver com alunos da pós, também estou com alunos da graduação. É uma experiência bacana. Imagino que no primeiro dia de aula do semestre, quando entrei na sala, algum deles deve ter pensado que eu fosse o professor. Minha barba já um tanto embranquecida e os cabelos idem eram as evidências mais fortes.


Tomara que eles tenham pensado que eu era o professor e não um daqueles veteranos que vão se eternizando nos cursos de graduação e pós e que acabam virando lendas e até mesmo uma piada de departamento. Na minha graduação tínhamos um colega que fazia tanto tempo que ele estava fazendo Ciência da Computação que até já havia se tornado um pré-requisito, isto é, para colar grau você tinha que fazer pelo menos uma disciplina com esse dito colega ao longo do curso.

Pois muito bem…

Na aula de hoje, de Aspectos Formais, nossa professora estava tentando explicar um conceito através de uma analogia com um bordão de uma celebridade da década de 80/90 do século XX. Foi então que a professora disse assim:

“Pessoal, esse conceito é como uma frase que a Monique Evans dizia!! Bem… Acho que além de mim, aqui somente o Hudson sabe quem foi a Monique Evans!!!”

Rimos todos.

E aproveitei para explicar para meus colegas quem era Monique Evans!!!
Em Aspectos Formais, somos apenas quatro alunos. Todos da pós. Somos dois do mestrado e dois do doutorado. São umas pessoas ótimas que depois irei fazer um [ Diário da Pós ] para falar de cada um deles.

* Mestrado E Doutorado Em Ciência da Computação