[ Um Oceano de Informação ]

Essa tirinha é uma homenagem à frase do Átila Lamarino Canal Nerdologia no TEDxUSP: recomendo o vídeo: 

https://www.youtube.com/watch?v=B_x8EccxJjU
“A gente ainda trata a informação na sala de aula como se ela fosse um bebedouro em um deserto, esquece isso! Nós estamos hoje em um dilúvio de informação e tínhamos que estar ensinando as pessoas a nadar.”

[ O Caminho do Meio ]

Os orientais possuem um entendimento há muito difundido entre nós ocidentais. É o famoso caminho do meio. 

Segundo esse entendimento o equilíbrio é o que deve ser buscado. Em linhas gerais e mais popularmente falando, podemos dizer que tudo demais é veneno!

Sou adepto dessa linha de pensamento e por conta disso quando vejo certos exageros começo e pensar que pode-se estar indo por um caminho não muito bom.

Noto que o orgulho de um povo pode se encaixar nesse pensamento.  Em certa dose é bastante salutar que um povo seja orgulhoso de si, de suas realizações, de seus feitos e conquistas. Porém quando esse orgulho se torna grande demais, de forma exagerada, esse orgulho passa a ser uma atitude arrogante. A arrogância cega! Orgulho demais pode levar a um mundo de fantasia onde a pessoa ou até mesmo um povo acredite piamente num conjunto de verdades que foi construída em cima desse orgulho que acabou se transformando em arrogância. 

O excesso de orgulho e a conseqüente arrogância é capaz até mesmo de dificultar a auto-crítica! 

Para finalizar essa meditação lembro da história de um imperador romano que diziam possuir um auxiliar que ficava ao seu lado sempre que eles voltavam de alguma campanha vitoriosa e entravam em Roma sendo aclamados pelo povo. Esse auxiliar ficava constantemente falando ao imperador: “Você é humano! Você é humano!”. Era uma forma de lembrar o imperador que ele era falho e que não deveria entrar na vala comum do excesso de orgulho e por conseguinte arrogância.

😉

[ A Geladeira Literária ]

Em nossa pedalada deste domingo, 28 de janeiro, tivemos a oportunidade de conhecer o projeto de um ex-aluno meu, que hoje é colega professor, o João Paulo, este que está com o livro do Dan Brown na mão.

O projeto é de uma simplicidade imensa. Mas nem por isso deixa de ser algo bacana, grandioso. Consiste em uma geladeira velha, exposta em um local com bastante fluxo de pessoas e dentro da geladeira há livros. Livros que podem ser levados.

A ideia do João Paulo surgiu na Feira de Arte e Cultura da Escola onde ele trabalha. E a geladeira acabou indo para fora da escola. Assim como todo artista tem de ir aonde o povo está, os livros devem ir aonde os leitores estão.

O João não imaginava que sua ideia fosse repercutir tanto. Positivamente, diga-se de passagem. Ele nos contou que vem recebendo várias doações de livros e em breve, pelo menos mais duas geladeiras estarão à disposição dos leitores da cidade de Forquilha.

Entre muitas histórias bacanas que o Prof. João nos contou teve uma que notei algo especial nela. Tanto que ao contá-la percebi seus olhos se encherem de lágrimas e a voz deu aquela embargada.

Um dos livros que ele recebeu para colocar na geladeira veio de uma aluna sua. Ao recebê-lo, o João pediu para a estudante ir até a geladeira deixar o livro lá. Porém, a menina um tanto tímida disse que não iria pois estava encabulada. E foi então que ela contou como conseguiu aquele livro. Ela disse que estava com muita vontade de doar um livro para o projeto do seu professor, porém não tinha nenhum livro. Mas a sua irmã tinha. E foi aí que a tímida aluno do Prof. João Paulo teve uma ideia: oferecer a irmã uma roupa em troca do livro. E assim foi feito.

Notei logo que o meu ex-aluno estava emocionado com essa história. Ele disse ainda que para incentivar o gosto pela leitura de sua tímida aluna ele também lhe deu de presente um livro.

São iniciativas como essas do meu ex-aluno e agora colega professor, bem como da aluna dele que fazem a minha fé e esperança num futuro melhor nessa pátria mãe nem sempre gentil, se renovarem.

Quem quiser ajudar o Prof. João Paulo, seja com livro, seja com uma geladeira velha, seja patrocinando a reforma de mais uma geladeira, basta entrar em contato com ele aqui mesmo pelo Facebook!!!!

Torço para que esta seja a primeira de muitas e muitas geladeiras literárias que ainda verei em Forquilha!!!

Parabéns, meu caro Prof. João Paulo!!!!

 

[ Um povo realmente civilizado ]

Em minha humilde opinião de mero observador do cotidiano penso que uma população poderá se considerar verdadeiramente civilizada quando:
– Respeita e cumpre as leis sem que para isso o Estado precise manter um aparato fiscalizador e repressor tão onipresente quanto um Grande Irmão.

– As pessoas reconhecem o que é contra a lei e não o fazem não por temerem uma punição mas simplesmente por ter amadurecimento moral suficiente para entender que não se deve proceder assim.

– Esta população respeita o bem público entendendo perfeitamente que enquanto bem público este não pertence somente a um ou outro ente e sim a uma coletividade. Desta forma, esta população cuida para que este bem público sirva ao maior número de pessoas. E as pessoas agem assim não por temerem punições estatais mas sim pelo imperativo de que é assim que se deve agir.

– As pessoas que exercem cargos de ordem pública compreendem que seu papel é servir à sociedade e não o contrário. Desta forma exercem suas atividades com zelo e com a dedicação que o público a quem serve merece ter.

– E se mesmo assim uma pessoa comete um crime e tem sua liberdade cerceada ela deverá cumprir pena em uma instituição que o fará entender mais ainda que seu ato foi ilegal e que não é assim que se deve agir numa sociedade verdadeiramente civilizada. Ao final do período de liberdade cerceada,o infrator não mais tenderá a cometer ato semelhante.

– Por fim, essa sociedade não tem pena de morte!

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P.S.: No mundo atual não sei se já há uma sociedade assim. Mas sonho com isso! Ah… Essa lista não é definitiva. Caso tenha alguma sugestão de como deve ser uma sociedade verdadeiramente civilizada, expresse sua visão através de um comentário.

[ Alguns Conselhos ]

Entrar na Universidade, fazer um curso superior é ainda o sonho de um sem número de xóvens. Abrir a boca para dizer que é estudante universitário ainda é um desejo compartilhado por muitos e muitos.

Mas… E como geralmente depois de um “mas” vem um conjunto de afirmações desanimadoras, é preciso jogar um pouco de realismo e tirar o romantismo da ideia de vida de estudante universitário.

A Universidade não é um bom lugar para quem ainda não sabe lidar com críticas negativas a respeito daquilo que se faz. Seguinte… Nós somos péssimos juizes de nós mesmos, isto é, temos uma tendência graaaande em colorir demais, em exagerar positivamente as nossas autoavalições. Nós temos uma tendência a nos ver melhor do que realmente somos. E é aí que a coisa se complica na vida de estudante universitário. A maioria de nós está na média, somos seres medianos sim. Os muito talentosos, os que se destacam mesmo, não abundam. Em um universo de cem estudantes, há uns cinco ou no máximo dez que são excepcionais. Aceitar que não somos essa Coca-Cola toda, que o trabalho que fizemos gastando noites e noites insones, garrafas de café e algumas coisas a mais e mesmo assim ele ser um trabalho medíocre é um dos maiores desafios. Os que são excepcionais, os muito bons de fato, os que possuem competências que a maioria não tem, em geral não gasta noites e noites para fazer um bom trabalho.

A Universidade também não é um bom lugar para quem necessita de aprovação constante por parte dos seus pares. A guerra de egos na Universidade é grande, metaforicamente, sangrenta. Essa guerra de egos é geral. É entre estudantes, entre professores, enfim, todo mundo. Claro que há quem não embarque nessa onda e acha isso tudo uma grande bobagem. Mas esteja preparado para a guerra dos egos.

Na Universidade tem professor de todo tipo, cor, modelo e ano de fabricação!!! Tem professor “gente boa”, que TODO mundo passa na matéria dele. Tem professor “carne de pescoço” que NINGUÉM passa na matéria dele. Tem professor que é “mãe” dos alunos. Tem professor que não está nem aí para seus sentimentos. Enfim… Tire da cabeça que só tem professor “gente fina”! Aquilo ali é um micro-cosmo, uma representação daquilo que você terá ao sair da Universidade e enfrentar a vida real.

A Universidade não é um local bom para quem não sabe lidar com o fracasso, com a reprovação, com a perda. Quem for daqueles que quando criança só queria ganhar, que chorava rios quando perdia no futebol ou era excluído das brincadeiras, vai sofrer horrores na Universidade.

A Universidade é um péssimo local para quem não sabe lidar com cobranças. Quem não gosta de ser cobrado vai encarar a Universidade como uma verdadeira sucursal do inferno.

Há muita vida fora da Universidade. Nem todo mundo nasceu pra ser “doutor”. Antes de decidir entrar num curso de nível superior é bom ponderar sobre essas questões que coloquei acima.

Apesar dos pesares vou terminar esse textinho com a melhor definição de Universidade que já vi: “A Universidade é um local bacana onde se faz de tudo inclusive estudar”.

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[ Todos e Ninguém – Use com Moderação ]

As palavras TODOS e NINGUÉM quando utilizadas no contexto da Lógica de Predicados e na Teoria de Conjuntos possuem significado bem definido e que muitas vezes não é percebido pelo senso comum.

Muitos de nós, em nossas conversas no dia a dia costumamos empregar essas duas palavras. É bastante comum ouvir (ou ler) alguém dizer: “Ah… Mas todos os que moram aqui não gostam desse político!” ou “Ninguém ficou contra o pronunciamento dela!” ou “Todos da Universidade estão me apoiando!”.

Claro que essas são situações que expressam uma generalização grande. E grandes generalizações podem ser bastante injustas e até mesmo quase impossíveis de serem devidamente provadas.

A palavra TODOS e suas variações, na Lógica de Predicados denota quantificação universal. Quando quantifico universalmente algo assumo que TODOS os elementos de um determinado conjunto possuem determinada propriedade. Vamos a um exemplo:

Suponha que eu diga: TODOS os que moram nesta cidade são pessoas honestas.

Ao dizer isso assumo que conheço a idoneidade de cada um dos habitantes da referida cidade. Porém, bastará haver um único cidadão desonesto naquela cidade para que minha afirmação acima possua valor de verdade igual a falso. Ou seja, para que minha afirmação sobre a honestidade de TODOS os cidadãos daquela cidade ser verdadeira, TODOS devem ser pessoas honestas de fato. Vejam como é difícil provar que uma proposição quantificada universalmente possui valor de verdade igual a verdadeiro.

O mesmo raciocínio pode ser aplicado à palavra NINGUÉM com algumas sutis diferenças. Enquanto que TODOS passa a ideia de que TODOS os elementos de um determinado conjunto possuem certa propriedade, a palavra NINGUÉM evidencia que naquele conjunto não há elemento algum que possua tal propriedade. Vamos a mais um exemplo:

Suponha que digamos: NINGUÉM que mora nesta cidade é educado.

Esta afirmação atesta que naquela cidade não uma só pessoa que possua a propriedade da educação. Em outras palavras, TODOS são mal-educados.

Assim como no primeiro exemplo, para provar esse minha afirmação acerca da falta de educação das pessoas daquela cidade precisaria verificar um a um, se cada pessoa daquela cidade realmente não é educada. E também bastaria encontrar um único cidadão educado para fazer com que o valor de verdade da minha afirmação fosse falso.

Podemos concluir então que ao empregarmos as palavras TODOS  e NINGUÉM devemos ter um certo cuidado ou plena certeza do que estamos afirmando. Caso contrário podemos correr o risco de estar proferindo uma mentira ou sendo injustos. O melhor mesmo é empregar quantificação existencial, isto é, ao invés de dizer “TODOS os que moram nesta cidade são pessoas honestas“, podemos afirmar que “Existem pessoas honestas nesta cidade“, bem como dizer “Há pessoas mal-educadas nesta cidade” ao invés de “NINGUÉM que mora nesta cidade é educado“.