[ Exposição “A Poesia é Um Saco” no ExpoArte do North Shopping de Sobral ]

A exposição “A Poesia é um Saco” é uma homenagem ao movimento homônimo que há cerca de cinco anos faz as manhãs de sábado do Becco do Cotovelo serem mais poéticas e mais animadas.

O movimento A Poesia é Um Saco reúne diversos artistas (poetas, atores, escritores, fotógrafos, dentre outros) semanalmente na Lanchonete Sobral, no coração do Becco do Cotovelo.

Faz parte das ações do movimento a distribuição de poesias aos que passam pelo Becco do Cotovelo, bem como declamação de poesias e até mesmo distribuição e lançamentos de livros.

Não somente de poesia vive o movimento. De tempos em tempos há muita música ao som de voz e violão.

Ao longo desses cinco anos, Hudson Costa, professor universitário e fotógrafo, vem participando ativamente das ações semanais do grupo. Sua principal contribuição é documentar fotograficamente cada edição dos encontros.

A exposição “A Poesia é Um Saco” acontece do dia 1o ao dia 30 de abril, no ExpoArte do North Shopping de Sobral.

Abaixo são as fotos que estão expostas.

[ Fotografar não é Simplesmente Apertar um Botão ]

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Hoje em dia podemos afirmar que todo mundo pode fotografar. A tecnologia digital tornou bastante acessível o exercício de escrever com a luz. Fotografa-se com câmeras fotográficas ou com telefones celulares. Cada vez mais se vê pessoas que intitulam-se FOTÓGRAFOS. Será que para ser fotógrafo basta ter um dispositivo para fotografar, seja ele uma máquina fotográfica, seja um telefone celular?

Sem nenhum rigor científico costumo dividir o mundo daqueles que fotografam em duas grandes categorias: os fotógrafos que realmente sabem ler e interpretar a matéria-prima de toda e qualquer fotografia, a luz, aqueles que sabem que em fotografia menos é mais, aqueles que compreendem que o fazer fotográfico é antecedido por um fazer mental; e… os apertadores de botão.

O fotógrafo de verdade, que não necessariamente é profissional (essa diferença entre amador e profissional é assunto para um outro texto), sabe que sua matéria-prima é a luz, que sem ela não tem fotografia. O fotógrafo de verdade sabe que é preciso ter uma boa luz para ter uma boa fotografia. O fotógrafo de verdade sabe que é necessário escolher aquilo que vai para o quadro, que não é possível colocar o mundo inteiro no fotograma. O fotógrafo de verdade entende que a sua fotografia é uma expressão de seu pensamento. O fotógrafo de verdade tem plena consciência que o que ele fotografa está diretamente vinculado àquilo que ele é. A fotografia carrega em si a alma daquele que fotografa.

Quero agora desenvolver mais essa questão a respeito do verdadeiro fotógrafo: o fotógrafo fotografa aquilo que ele é. Somos seres sociais. Vivemos e morremos em sociedade. E como seres sociais estamos totalmente contagiados por tudo aquilo que nos cerca. Nossa visão de mundo é como lentes pelas quais enxergamos o mundo. Dependendo da lente que se usa, pode-se ver um mundo mais colorido, ou não. Portanto, o fotógrafo de verdade coloca em suas fotografias a sua maneira de ver o mundo. A fotografia invariavelmente carrega em sua imagem o que o fotógrafo enxerga. Pode parecer muito clichê, mas a fotografia, muitas vezes é um recorte da realidade que o fotógrafo quer evidenciar. Diante de todas essas premissas podemos concluir que o verdadeiro fotógrafo é antes de mais nada um ser que pensa. A fotografia não nasce na câmera, ela nasce na mente do fotógrafo. Ela é gestada em sua percepção, em sua sensibilidade. Não é a toa que tanta gente ao olhar uma bela fotografia diz que o fotógrafo é um ser sensível.

Não podemos conceber a fotografia apenas como um ato mecânico de apertar de botão. Se reduzirmos a fotografia a isso estaremos reduzindo nossa condição de homem, de ser que pensa, e que se pensa, como diria Descartes, logo existe. A fotografia é o produto de um pensamento que o fotógrafo teve. Muitas vezes leva-se dias para materializar este pensamento, pois o bom fotógrafo, aquele que pensa, não sai por aí disparando a esmo. Para um bom fazer fotográfico é necessário antes de mais nada, paciência e muito
exercício mental.

E o apertador de botão? O apertador de botão não pensa antes de fotografar. Ele é levado pela ânsia de fotografar, de capturar a imagem como quem captura um passarinho. O apertador de botão é movido pela vontade de simplesmente registrar a cena, não se importando com luz, com enquadramento, com composição, dentre outros detalhes importantes do ponto de vista técnico. E do ponto de vista mais subjetivo, o apertador de botão, muitas das vezes, simplesmente não pensa a sua fotografia. É algo quase instintivo. Não posso deixar de negar que muita gente boa na fotografia hoje já foi apertador de botão. Mas acontece que para esses chegou um momento que não contentar-se apenas com o apertar de botão. Chegou o momento de evoluir, passar para outro nível de fazer fotográfico.

Portanto, se você gosta de fotografia e quer fazer boas fotografias, lembre-se que, é preciso pensar a fotografia antes de fazê-la. E pensar, muitas vezes dá muito trabalho e exige muito esforço. Não há boa fotografia sem um bom exercício mental. Também é fundamental ter bagagem cultural. O bom fotógrafo não lê somente sobre fotografia, ele lê de um tudo, vê filmes, vai ao teatro, vai à exposições, ouve música, enfim, é necessariamente alguém que procura aguçar os sentidos, para assim ficar mais sensível. E não se iluda, não é o equipamento que vai fazer de você um fotógrafo. Não será garantia de uma boa fotografia o fato de possuir o melhor equipamento fotográfico do mundo. O equipamento ajuda, mas não é tudo.