[ Trisal e Matemática Discreta ]

Usar exemplos da tal vida real para explicar conceitos matemáticos tem sido prática comum, né??!! Acredito que a molecada, os alunos, conseguem compreender melhor a parada quando nos valemos desse expediente.
Pois muito bem… Na semana que passou estava eu às voltas com minha turma de Matemática Discreta explicando relações de equivalência.
Vou inicialmente usar a linguagem matemática para apresentar o conceito. Depois conto o “causo” da sala de aula.

Uma relação R é uma relação de equivalência se possui as seguintes propriedades:
– Reflexividade: para todo elemento a de um conjunto X tem-se aRa.
– Simetria: para todo elemento a e b de um conjunto X se aRb então bRa.
– Transitividade: para todo elemento a, b e c de um conjunto X se aRb e bRc então aRc.


Tá… falando assim parece uma coisa muito esotérica para quem não manja dos paranauês da linguagem matemática. E a esse conjunto pertencem muitos e muitos estudantes.

Assim que apresentei essa definição para minha turma de Matemática Discreta vi que nos seus rostos estavam aquelas expressões típicas de quem está pensando “que diabos é isso???!!!”

Foi então que lembrei de uma conversa que flagrei numa outra aula. Senta que lá vem uma história dentro da história…

Havia acabado de passar uma atividade para os alunos. Enquanto eles tentavam realizar a atividade o papo rolava solto na sala de aula. Foi aí que próximo a mim uma aluna comentava com um colega que o trisal no qual ela estava havia acabado. Pensei: “Trisal?! Deve ser um relacionamento a três, né??!!

Voltemos agora para a história principal…

Resolvi usar essa relação, o trisal, como exemplo de uma relação de equivalência. Fiat lux!!!!

Voltei-me para a turma e disse, radiante:

“Pessoal, vocês sabem o que é um trisal, né???!!! Cês são jovens e todo jovem já deve ter ouvido falar nessa modalidade de relacionamento!??!!
Vejam vocês, um trisal é uma relação de equivalência!!

Vamos imaginar que um trisal é formado por três pessoas, João, Maria e José. Se João ama a si mesmo, bem como José também ama a si e o mesmo acontece com Maria, então eles possuem a propriedade da reflexividade!!

Se João ama Maria e Maria ama João, assim como José ama João e João o ama, bem como Maria ama José e José a ama, então eles possuem a propriedade da simetria.

E para finalizar vamos a propriedade da transitividade!!! Se João ama Maria e Maria ama José, então João ama José!!”

Pois bem… Depois dessa explicação meus alunos entenderam direitinho o que é uma relação de equivalência!!!
😉

[ Mais um TCC para a Conta ]

Apresentação de TCC – 27.08.2019

E ontem, 27 de agosto, foi dia de ver mais um orientando, ops ops, uma orientanda apresentar seu TCC no Curso de Ciência da Computação da UVA.

O tema do TCC da Nathalia foi “A Importância do Trabalho de Frege para a Lógica Matemática”.

Pequena introdução para quem não nevega nos tortuosos mares das exatas… Friedrich Ludwig Gottlob Frege, foi um Filósofo, Matemático e Lógico alemão. Ele é tido como um dos criadores da Lógica Matemática moderna. Para mais informações veja: https://pt.wikipedia.org/wiki/Gottlob_Frege.

Aqui no nosso curso e penso que em boa parte dos cursos de Ciência da Computação e áreas afins, a molecada gosta mais de estudar temas que tenham um viés mais prático. Porém, a Nathalia resolveu estudar algo bem teórico e que faz parte dos fundamentos da Matemática e por conseguinte da Ciência da Computação.

E como disse um dos meus colegas de banca, é mais comum os estudantes saberem quem foi George Boole, porém Frege é praticamente um desconhecido e como mostrou a minha orientanda, o trabalho de Frege foi de grande relevância.

Foi bacana ver meus colegas que estavam na banca junto comigo, parabenizando a minha orientanda e destacando a sua iniciativa de estudar algo mais teórico. Confesso que fiquei um tanto quanto envaidecido. 🙂

Deixo aqui registrado os meus parabéns e votos de sucesso para a Nathalia, que em breve deverá deixar nosso curso, pois irá colar grau. Espero que esse estudo que ela inicou através do TCC sirva de inspiração e motivação para estudos mais avançados no campo da Teoria da Computação.

[ Um Oceano de Informação ]

Essa tirinha é uma homenagem à frase do Átila Lamarino Canal Nerdologia no TEDxUSP: recomendo o vídeo: 

https://www.youtube.com/watch?v=B_x8EccxJjU
“A gente ainda trata a informação na sala de aula como se ela fosse um bebedouro em um deserto, esquece isso! Nós estamos hoje em um dilúvio de informação e tínhamos que estar ensinando as pessoas a nadar.”

[ Alguns Conselhos ]

Entrar na Universidade, fazer um curso superior é ainda o sonho de um sem número de xóvens. Abrir a boca para dizer que é estudante universitário ainda é um desejo compartilhado por muitos e muitos.

Mas… E como geralmente depois de um “mas” vem um conjunto de afirmações desanimadoras, é preciso jogar um pouco de realismo e tirar o romantismo da ideia de vida de estudante universitário.

A Universidade não é um bom lugar para quem ainda não sabe lidar com críticas negativas a respeito daquilo que se faz. Seguinte… Nós somos péssimos juizes de nós mesmos, isto é, temos uma tendência graaaande em colorir demais, em exagerar positivamente as nossas autoavalições. Nós temos uma tendência a nos ver melhor do que realmente somos. E é aí que a coisa se complica na vida de estudante universitário. A maioria de nós está na média, somos seres medianos sim. Os muito talentosos, os que se destacam mesmo, não abundam. Em um universo de cem estudantes, há uns cinco ou no máximo dez que são excepcionais. Aceitar que não somos essa Coca-Cola toda, que o trabalho que fizemos gastando noites e noites insones, garrafas de café e algumas coisas a mais e mesmo assim ele ser um trabalho medíocre é um dos maiores desafios. Os que são excepcionais, os muito bons de fato, os que possuem competências que a maioria não tem, em geral não gasta noites e noites para fazer um bom trabalho.

A Universidade também não é um bom lugar para quem necessita de aprovação constante por parte dos seus pares. A guerra de egos na Universidade é grande, metaforicamente, sangrenta. Essa guerra de egos é geral. É entre estudantes, entre professores, enfim, todo mundo. Claro que há quem não embarque nessa onda e acha isso tudo uma grande bobagem. Mas esteja preparado para a guerra dos egos.

Na Universidade tem professor de todo tipo, cor, modelo e ano de fabricação!!! Tem professor “gente boa”, que TODO mundo passa na matéria dele. Tem professor “carne de pescoço” que NINGUÉM passa na matéria dele. Tem professor que é “mãe” dos alunos. Tem professor que não está nem aí para seus sentimentos. Enfim… Tire da cabeça que só tem professor “gente fina”! Aquilo ali é um micro-cosmo, uma representação daquilo que você terá ao sair da Universidade e enfrentar a vida real.

A Universidade não é um local bom para quem não sabe lidar com o fracasso, com a reprovação, com a perda. Quem for daqueles que quando criança só queria ganhar, que chorava rios quando perdia no futebol ou era excluído das brincadeiras, vai sofrer horrores na Universidade.

A Universidade é um péssimo local para quem não sabe lidar com cobranças. Quem não gosta de ser cobrado vai encarar a Universidade como uma verdadeira sucursal do inferno.

Há muita vida fora da Universidade. Nem todo mundo nasceu pra ser “doutor”. Antes de decidir entrar num curso de nível superior é bom ponderar sobre essas questões que coloquei acima.

Apesar dos pesares vou terminar esse textinho com a melhor definição de Universidade que já vi: “A Universidade é um local bacana onde se faz de tudo inclusive estudar”.

😉

[ Aniversário Surpresa ]

Estava me preparando para iniciar a aula de Matemática Discreta, a última aula do ano. 

Comecei a perceber uma movimentação diferente entre meus alunos. Eles passavam apressados para outra sala e também lançavam-me aquele olhar de criança quando está aprontando alguma coisa. Achei que eles estavam tramando alguma coisa para fazer com a turma do 1o período. Jamais imaginei que o “alvo” fosse eu…

Assim… Fui convocado para outra sala para ajudar a resolver um problema lá. Quando lá cheguei descobri o que meus queridos padawans estavam aprontando!!! Uma festinha surpresa pra mim que aniversario amanhã!!!

Fiquei emocionado!!! Fiquei feliz!!! Fiquei agradecido pelo carinho de todos eles!!!

Nesses momentos é que a profissão de professor ganha um plus, um brilho a mais!!! 

Quero deixar aqui registrado o meu agradecimento a todos os envolvidos nessa surpresa!!! E aproveito para desejar a todos um Natal Feliz e um Novo Ano cheio de coisas boas. 

Ah… Em fevereiro o semestre letivo recomeça!!!! Descansem bem e aproveitem as férias!!!

Beijos no coração de todos!!!

😍😍😍😍😍😍

[ Choque de Gerações ]

 
Estavam dividindo aquela mesa redonda, numa biblioteca, um professor de 42 anos de idade e um jovem que aparentava ter pouco mais de 19 anos. O professor já ocupava a mesa fazia algum tempo. O estudante chegou e desastradamente bateu na mesa, e logo pediu desculpas pelo malfeito.
 
A mesa que os dois dividiam era daquelas que quando você se apoia nela ou a toca com pouca delicadeza, balança. Dependendo da falta de delicadeza, a mesa balança muito.
 
Tanto o professor como o estudante estavam diante notebooks.
 
Acontece que o jovem estudante, como muitos jovens estudantes, parecia ser uma pessoa ansiosa, bastante ansiosa. Poderia ser que ele estivesse estudando para uma prova ou talvez o que ele estudava não estava sendo bem compreendido. Enfim, o estudante constantemente batia na mesa, o que provocava um certo tremor na tela do notebook do professor. Digitava com certa fúria que também provocava movimentos na mesa.
 
Quando o estudante não batida na mesa ele empurrava alguma cadeira próxima com algum movimento dos pés. Sim, haviam duas cadeiras vazias e era visível o temor do professor que mais dois estudantes igualmente nervosos resolvessem vir até aquela mesa compartilhar o espaço.
 
O professor tentava ler uma dissertação. A leitura não era das mais prazerosas. Não era como ler um romance, ou obra do gênero. Ler dissertações, dizia aquele professor, fazia parte dos ossos do ofício. Mas não era tão ruim quanto corrigir provas.
 
E o tempo foi passando e o estudante ansioso ficava cada vez mais ansioso e cada vez se mexia mais e abria e folheava um livro na esperança de encontrar a iluminação que insistia em não vir.
 
Nisso, o professor de 42 anos, com alguns cabelos brancos, não somente na cabeça mas na barba também, já um tanto incomodado com os tremores da tela do seu notebook, pensava e refletia: “Será que com o passar dos anos vamos ficando mais impacientes e incomodados?! Ou será que é maldade minha não me compadecer do estado de espírito dessa pobre alma que está à procura da luz através dos livros!?”

[ Homenagem ao Mestre ]

A noite de 19 de outubro de 2017 está marcada em minha memória. Neste noite realizamos o encerramento da VI Semana do Curso de Ciências da Computação. Curso este onde sou professor e também já fui aluno.

Em um dos momentos da noite fiquei encarregado de fazer uma homenagem a um ex-professor e ex-colega de curso que por motivos de saúde precisou aposentar-se.

Logo abaixo está o texto que li em homenagem ao Prof. Júnior. Logo em seguida algumas fotos que ganharão muito mais significado com o passar do tempo.

Além do prof. Júnior homenageamos também a D. Anastácia que durante muitos anos foi secretária do Curso de Ciências da Computação

Ao Mestre Com Carinho

Antes de dar prosseguimento à minha fala preciso dizer que fiquei muito honrado com esta missão que recebi dos estudantes do Curso, representados pelo presidente do Centro Acadêmico. Moçada, valeu demais!!!! Vocês são 10/10!!!

Muitos aqui, especialmente os mais jovens, não sabem, mas quando o professor Júnior chegou no CIUVA, ou melhor, no Centro de Informática da UVA, tudo era mato!!!! Naqueles dias ainda estava longe a chegada da internet comercial no Brasil. Apenas as Universidades e tenho pra mim que não eram todas, bem como outros centros de pesquisa, possuíam conexão com a RNP – Rede Nacional de Pesquisa (para maiores informações, por favor buscar junto àquele que tudo sabe, o Google).

Imagino que foram imensos os desafios que o Prof. Júnior enfrentou naquela época… Mas vamos avançar um pouco na história…

Há 20 anos nascia nosso curso de Ciências da Computação. Esse curso tem vários pais e algumas mães (sim, pessoal, houve uma época em que além da profa. Lorena havia pelo menos mais outra professora!!!! Lembranças à Profa. Gladsa Castro. Acho que vários de nós aqui são sobreviventes de Banco de Dados II, com a Gladsa!!!!) Mas essas lembranças já foram muito bem expostas pelo Prof. Lourival na abertura do evento…

Já que estamos falando de histórias, agora preciso contar para vocês um pouco da minha história que tem a participação do Prof. Júnior. A nossa história começa quando eu era aluno do Curso de Tecnologia da Construção Civil. Naquela época, em praticamente todos os cursos da UVA havia a disciplina Introdução à Ciência da Computação, popular ICC. E foi nessa disciplina que fui aluno o Prof. Júnior pela primeira vez. Foi o professor Júnior quem me ensinou, não o Bê-a-Bá, mas sim os primeiros comandos do MS-DOS (Xóvens… Depois o tio aqui fará um seminário sobre História Recente da Computação e nele contará para vocês o que era o MS-DOS).

O tempo passou, eu me formei em Tecnologia da Construção Civil, apesar de nunca ter projetado uma casa de cachorros ou galinheiro. Mas antes mesmo de terminar Tecnologia comecei a trair as telhas e os tijolos com os bits e bytes. E nesse momento meus caminhos cruzam novamente com os do prof. Júnior. Foi quando comecei a me interessar por programação de computadores. E aí surgiu a oportunidade de fazer um curso de Lógica de Programação, ministrado pelo Prof. Júnior. Acho que foi uma das primeiras ações de extensão do Curso de Ciências da Computação. E lá fui eu, assim como muitos, ouvir falar da caixinhas, como analogia às variáveis!Quem foi aluno do prof. Júnior deve lembrar muito bem dessa analogia assim como sua paixão pelo Santos, seu time do coração!

Curso feito, fiquei com nota sete no final!!! Prof. o certificado está aqui!!!! Depois eu mostro pra moçada!!!!

Depois de algum tempo “brincando” com os bits e bytes num projeto que eu trabalhava aqui na Universidade resolvi criar vergonha na cara e fazer o vestibular para Computação. E foi então que novamente o professor Júnior se torna personagem na minha história de vida. Como aluno da Computação (entrei em 2000, se não me falhe a memória) tive o prof. Júnior como Coordenador. lembro que o curso funcionava lá no Campus da Betânia, numas salas que durante o turno da manhã funcionava o Curso de Zootecnia. Nosso laboratório de informática era bem modesto. Bom, comparado ao que temos hoje em dia ele estava abaixo da linha da pobreza. Mas foi naquele modesto laboratório que muitos de nós aqui demos nossos primeiros passos no mundo da computação.

Novo salto na história senão a gente não sairemos daqui hoje!!!!

Em 2008, assumi como professor efetivo do curso. Antes dessa data já havia sido professor substituto (por isso, Igor que todo ano no Dia do Professor eu faço aquela postagem do seu Madruga como professor. Sacou??!!) E assim que assumi a vaga como professor, agora mais do que nunca sendo colega de vários ex-professores, o prof. Lourival me deu de “presente” a Coordenação do Curso!!! E a partir daquele momento além de ser colega do prof. Junior estava sendo seu coordenador. Vocês não imaginam como tudo aquilo me pareceu estranho num primeiro momento. Mas ao mesmo tempo me enchia de felicidade. Pois devia a estes agora colegas professores a minha formação. Aproveito para agradecer a eles por me ajudar a ser o que sou hoje! O professor Hudson tem um pouquinho de cada um vocês. Sintam-se homenageados.

Mas o homenageado da noite é o professor Júnior. Hoje pela manhã disse aos meus padawans do primeiro e do segundo período que haveria essa homenagem e que eles deveriam vir aqui conhecer o homem que foi um dos idealizadores desse curso. O homem que um dia sonhou com um Curso de Ciências da Computação em pleno semiárido cearense. Ele sonhou e realizou. Enfrentou muitos desafios e venceu todos. O homem que ajudou muitos de nós a organizar seus pensamentos, afinal de contas, a tarefa principal da Lógica de Programação é issa. Esse homem que hoje olha para nós que somos cria do Curso de Ciências da Computação e lá no seu íntimo deve pensar: “Missão cumprida!!” Prof. Júnior em nome de todos os estudantes e ex-estudantes do Curso de Ciências da Computação, deixo aqui registrado o nosso muito, muito obrigado mesmo!!! Somos eternamente gratos a você!!!