[ Meu Olhar que Flanou por Minas – 03.01.2019 ]

Ainda em Belo Horizonte, dedicamos o terceiro dia do ano para realizar um dos passeios que não pode faltar em nossas viagens: visita a museus.

Optamos por fazer um périplo pelos museus que estão no entorno da Praça da Liberdade. Havíamos antes visto alguns vídeos no YouTube falando sobre estes espaços e assim já saímos de casa com várias impressões em mente.

Nossa primeira parada foi no Memorial de Minas Gerais Vale. É um incrível espaço dedicado ao povo, a arte e a cultura do Estado de Minas Gerais. Em suas salas há vários recursos multimídia o que acaba fazendo a experiência de visitação do local mais interessante ainda. É um lugar para se visitar com calma.

Nosso segundo destino neste dia foi o Museu das Minas e do Metal. Outro local bastante enriquecedor e que proporciona aos visitantes inúmeras atividades interativas.

Enquanto nos dirigíamos para a Casa Fiat de Cultura (este já não é no entorno da Praça da Liberdade, mas é pertinho, dá para ir caminhando e cantando…) encontramos no meio do caminho, não uma pedra, mas a sede do Minas Tênis Clube e para nossa grata surpresa, em seu espaço cultural havia uma exposição “Litografia – Lotus Lobo“. Após visitar a exposição e fazer uma pequena pausa para o lanche da tarde, seguimos ao nosso destino. E lá encontramos o Presépio Colaborativo, que valeu demais ver.

[ Meu Olhar que Flanou por Minas – 02.01.2019 ]

O segundo dia do ano foi fora de BH!!!

Fomos até Brumadinho, distante 60 km de BH, conhecer Inhotim, o imenso museu de arte moderna! Há quem diga que Inhotim é o maior de todo o mundo!

Enfim… Inhotim é imenso, gigante mesmo!!! É bom reservar um dia inteiro para conhecê-lo por completo. Aliás, acho que o ideal é reservar dois dias para conhecer com mais calma e tranquilidade.

Caso você esteja hospedado em BH, a viagem de ônibus dura cerca de uma hora e meia quase duas, dependendo do trânsito que você vá ter pela frente. O ônibus leva você até Inhotim. A volta para BH acontece por volta das 16 e 30. O ônibus que lhe leva fica lá mesmo, no estacionamento.

Ao chegar você vai direto para a recepção pegar um mapinha do lugar. Se você estiver com uma boa forma física e também com muita disposição para andar, subir ladeiras e mais ladeiras, Inhotim é o lugar ideal para saciar seus desejos de atleta. Mas, se você não estiver assim com tanta disposição o melhor mesmo é pagar por uma pulseirinha que te dá direito de andar nuns carrinhos elétricos, daqueles usados em jogos de golfe. Particularmente, recomendo muito esse procedimento. Especialmente se você tiver apenas um dia para visitar Inhotim.

[ Meu Olhar que Flanou por Minas – 01.01.2019 ]

O dia 1o de Janeiro dedicamos a um pequeno passeio de bike por algumas ruas de BH.

Estava ótimo para isso. A cidade ainda dormia ou realmente não havia muita gente nela.

Pegamos duas bikes numa estação de bicicletas compartilhadas e saímos a pedalar pelas ruas e ladeiras de BH. Sim, pessoal, BH tem muuuuuuitas e muuuuuitas ladeiras. Umas bem generosas!!! Mas, nada que uma boa bike com marcha não resolva.

Nosso passeio findou no Parque Municipal Américo Renné Giannetti. Uma excelente área de lazer, um parque imenso, onde é possível fazer caminhadas, andar de bicicleta, fazer pic-nic ou somente ficar deitado na grama vendo as nuvens passar…

[ Meu Olhar que Flanou por Minas – 31.12.2018 ]

Neste dia resolvemos dar um pulinho em Sabará, cidade que fica a pouco mais de 15 quilômetros de Belo Horizonte.

Em Sabará tivemos o imenso prazer de conhecer duas pessoas maravilhosas que nos proporcionaram verdadeiras aulas de História.

Primeiro foi o Sr. Antônio. O Antônio nos viu meio perdidos em frente a Igreja de Nossa Senhora do Carmo e nos chamou para entrar. Inicialmente achamos que a igreja estava fechada para visitações. E realmente estava mas o Antônio, digamos assim, foi com a nossa cara e nos chamou para entrar.

Iniciava-se ali uma aula sobre a história daquela igreja e também de Sabará. Sr. Antônio é um homem simples mas com uma didática maravilhosa.

A segunda pessoa linda que conhecemos foi a Maristela. A Maristela trabalha na Igreja de N. S. do Ó, que é parada obrigatória de quem vai a Sabará.

A Maristela, assim como o Sr. Antônio, lá da Igreja de N. S. do Carmo, nos deu uma maravilhosa aula de história.


Uma das coisas mais bacanas que ela nos contou, e nos mostrou, foi que a Igreja de N. S. do Ó deve ser a única igreja onde vemos nas pinturas sacras de suas paredes cenas da infância de Jesus Cristo e nenhuma cena de sua Paixão e morte.


Uma frase que a Maristela nos disse ficou bem gravada em minha mente: “Essa Igreja é uma Igreja alegre como uma criança”.

Vamos a uma curiosidade. Na verdade, a Igreja de N. S. do Ó é a Igreja de N. S. da Expectação, é a N. S. que está grávida de Cristo. E como ela virou N. S. do Ó?! Quando os fieis iam executar o serviços sacros eles entoavam uns cânticos que iniciavam com “Ó Senhora… Ó Maria…” ou seja, todas as frases começavam com “Ó” e assim os populares passaram a chamar de N. S. do Ó.

Outra curiosidade interessante sobre a Igreja de N. S. do Ó é que suas pinturas internas foram feitas por um artista de Macau, colônia portuguesa localizada na Ásia. Olhando atentamente para as fisionomias das pinturas é possível perceber os olhinhos dos personagens bíblicos um tanto puxadinhos, assim como dos habitantes de Macau.

[ Meu Olhar que Flanou por Minas – 30.12.2018 ]

A última vez que estivemos em Minas Gerais foi em 2005. Visitamos apenas duas cidades, Ouro Preto e Mariana. Em Belo Horizonte, apenas passamos para desembarcar e embarcar de volta ao Ceará.

Este ano resolvemos voltar a Minas porém para fazer um passeio mais longo e com pretensão de conhecer mais outras cidades.

Nossa jornada se inicia por Belo Horizonte. E hoje, 30 de dezembro, foi oficialmente nosso primeiro dia batendo pernas pela capital mineira. O primeiro local que resolvemos conhecer foi o Mercado Central.

Os mercados das cidades em geral são os melhores locais para se conhecer um pouco mais da vida cotidiana dos habitantes daquele lugar. E o Mercado Central de Belo Horizonte é um desses. O lugar é uma grande confusão de aromas, de cores, de sons, enfim, de gente!!!! Gente para todo lado!!! Gente de todo o tipo.

Passamos a manhã toda batendo perna pelo Mercado Central de BH. Não foi aquele passeio apressado. Não. Foi um passeio para realmente sentir o local. E não faltaram experiências sensoriais. Uma degustação aqui, outra ali. Uma provinha aqui e outra acolá e assim fomos aos poucos comprando vários produtos locais. Experiências culinárias devem fazer parte do dia a dia de qualquer viajante que realmente deseja transformar sua viagem em uma experiência enriquecedora.

Após o Mercado Central nosso destino foi o complexo arquitetônico da Lagoa da Pampulha. Infelizmente acabou chovendo um pouco e parte do passeio foi esperando a chuva passar. Além do mais a Igreja de São Francisco, um dos principais pontos desse complexo estava fechada pois está passando por reformas.

Seguimos em direção do Mineirinho, onde estava acontecendo uma animada feira, que me parece ser o programa de todo o domingo naquele lugar. Vimos também o Mineirão, palco do inesquecível 7 x 1…

Finalizamos nosso dia na Praça da Liberdade, onde passamos um bom tempo sentados num banco e apenas e tão somente contemplando a vida que passava por nós. Crianças, idosos, casais de namorados, músicos que tentavam ganhar algum trocado e vendedores ambulantes… Enfim, um típico cenário que é possível encontrar em qualquer praça por este mundo afora.

Mas os finalmentes mesmo do dia foi no Centro Cultural do Banco do Brasil de BH onde estava acontecendo uma exposição coletiva deveras interessante.

Abaixo algumas fotos do dia!!

[ E o que não se vê? ]

Em muitas rodas de conversas sobre fotografia gosto de provocar os presentes com esta questão: e o que não está na foto?? E o que não foi enquadrado? Por que o fotógrafo enquadrou isso e deixou tantas outras coisas de fora?

Sabemos que toda e qualquer fotografia é, antes de mais nada, um recorte da realidade, é um instante, não é um todo. Não é possível colocar o mundo dentro do fotograma ou sensor, na proporção 3:2!! Não, a fotografia não é um retrato fiel da realidade. Ela é uma interpretação do que o fotógrafo está vendo! Ela é aquilo que o fotógrafo quer que vejamos!

A realidade é bem mais complexa do que aquele instante que foi percebido pelo fotógrafo e que foi “congelado” pelo mesmo num fotograma ou num conjunto de bits!

Tomando como ponto de partida esta questão podemos nos perguntar a respeito das notícias que nos chegam tanto pelos meios tradicionais, tais como jornais, revistas, televisão, rádio, como também pelos mais modernos, como a internet e suas redes sociais.

E o que não nos é mostrado?? E o que o cinegrafista da rede de TV não filmou??? E o que o repórter não conseguiu ver?? E o que o pessoal das mídias alternativas não conseguiu perceber??

Ler o mundo a nossa volta requer não somente capacidade de processar a sintaxe do mundo. A decodificação de símbolos pode ser feita até mesmo por dispositivos eletrônicos. Aliás, eles fazem isso melhor do que nós desde que sejam devidamente programados. A leitura do mundo envolve muito mais do que sintaxe. A leitura do mundo é bem mais semântica! E a semântica do mundo é deveras complexa (por isso que ainda não temos bons programas de IA que lidem com isso. Quem sabe no futuro…)

Compreender a semântica dos acontecimentos que nos são transmitidos por qualquer meio requer um apurado senso crítico e alguma dose de ceticismo. É claro que todos os nossos valores e crenças estarão sendo adicionados quando fazemos este exercício de ler o mundo. A compreensão de algo vai muito além da simples leitura do mesmo e assimilação do que foi dito. Compreender requer mais esforço intelectual.

Acredito que em toda história que nos é contada existe sempre mais de um lado e todo um conjunto de complexas questões em torno dela. Isso me faz lembrar os versos de uma canção da Legião Urbana que diz “o mundo anda tão complicado”. Diria que o mundo está mesmo é cada vez mais complexo também. E compreender a complexidade do mundo não é tarefa fácil, ainda mais quando se tenta reduzir esta complexidade fazendo com que ela seja algo simplório.

P.S.: na fotografia anexa a este post vemos Kevin Carter. Quem fez a foto foi Greg Marinovich.