[ O ano de nascimento do Brasil ]

É comum ler aqui no Facebook e fora dele ouvir muitos dizerem que o Brasil, o nosso país, começou em 1500 quando Cabral foi encontrado pelos índios, perdido, achando que estava – segundo as fontes oficiais – indo para as Índias!!!

Porém, de uns tempos pra cá passei a rever, pelo menos para mim mesmo, sem nenhuma pretensão de querer mudar a opinião de ninguém ou mesmo os entendimentos históricos, que o nascimento da nossa nação se deu mesmo a partir de 1822, ano em que foi proclamada a nossa independência!!!

E por que passei a pensar assim???

Simples, até 1822 o Brasil não existia enquanto país. Era mais uma das colônias portuguesas. Mas a partir de 1822 a nação brasileira deixava de ser uma colônia portuguesa.

Tá certo que nascíamos como país meio que de forma um tanto torta (ou seria à fórceps??!!), já que ao contrário de muitos outros países que quando se declararam independentes já se tornaram repúblicas, ou seja, nós aqui ainda ficamos sendo reinado até 1889.

Assim, esse meu pensamento reforça a ideia de que somos mesmo uma nação jovem, que ainda temos muita história ainda para ser construída. E isso também serviu para me dar um certo consolo quando vejo muitos altamente indignados com as coisas ruins que acontecem por aqui e que muito nos envergonham. Calma pessoal, ainda somos uma nação jovem!!!! Não temos sequer 200 anos de história!!

Também já me conformei que até partir desta existência (segundo o IBGE deverei fazer isso com pouco mais de 75 anos!!!) ainda irei me escandalizar muito com as coisas que acontecem com toda e qualquer jovem nação em processo de crescimento e amadurecimento!!!

😉

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[ O Esporte Mais Praticado ]

As redes sociais trouxeram à tona, ou melhor, deixaram mais evidente ainda, uma prática muito comum da espécie humana. Esta prática, creio eu, deve ser milenar. Estou falando do ato de se importar com a vida alheia, com o que o outro faz ou deixa de fazer.

Hoje em dia os cidadãos da ZuckerNet, o mundo facebookeano, gastam uma boa parcela do seu tempo dedicando-se a esta prática ancestral.

Importam-se se alguém muda a foto do perfil para demonstrar apoio a uma causa.

Importam-se se alguém não muda a foto do perfil para demonstrar apoio a uma causa.

Importam-se se alguém demonstra estar muito sensibilizado por conta de um acontecimento.

Importam-se se alguém não demonstra estar muito sensibilizado por conta de um acontecimento.

Importam-se se alguém diz que gosta de um determinado músico.

Importam-se se alguém diz que não gosta de um determinado músico.

Importam-se se alguém demonstra simpatia por determinada ideologia político-partidária.

Importam-se se alguém demonstra não gostar de determinada ideologia político-partidária.

A lista tende ao infinito.

Talvez seja um efeito colateral da grande liberdade de expressão que as redes sociais nos proporcionam. As pessoas querem demonstrar que se importam com alguma coisa.

E a expressão importar-se com algo tem uma ligação com a palavra importante. Logo, deduzo que se alguém se importa com algo é porque esse algo lhe é importante. Se não fosse não se importaria!

Enfim, vivemos a nos importar tanto que até escrevemos textos nos importando com o fato de muitos se importarem com tudo em quanto!!!! 😉

Não seria mais fácil e saudável do ponto de vista social se nos importássemos menos com o que os outros fazem ou deixam de fazer e cuidássemos mais de nossa própria vidinha??!! 😉

[ O que era público agora já nao é ]

Em tempos de política polarizada, que por sua vez inibe ou até aniquila qualquer forma de debate uma vez que os polarizadores acreditam serem os detentores da verdade e quem não pensar com e como eles acaba sendo percebido como inimigo a ser eliminado é fácil perceber que quem está no poder através da ocupação de um cargo eletivo acaba, muitas vezes, acreditando ser dono, proprietário mesmo daquilo que é público.

É fácil ouvir frases do tipo: “Eles querem tomar o poder!” Ou frases do tipo: “Eles querem ter o poder a qualquer custo!”. Pouco importando se esse poder está representado pela prefeitura de um município, governo do estado ou presidência da república. O que importa é a sensação de ser o dono da prefeitura, estado ou república. E esses que temem perder o poder advindo de cargos eletivos ou que fazem tudo para se manterem nos mesmos, não mais consideram aquela prefeitura, estado ou país como sendo algo público. A percepção que esses têm é que lhes pertence.

Há quem diga que na democracia todo poder emana do povo. Porém o que vemos é este poder se tornando propriedade de poucos. E para manter essa posse, estes poucos contam com a ajuda valiosa dos votos daqueles dos quais, em tese, emana todo o poder.

[ Assim se constroi um projeto de poder ]

1o Ato

Eliminar, desconstruir ou modificar o passado. “Quem controla o passado controla o futuro; quem controla o presente controla o passado”, já dizia George Orwell, em 1984.

2o Ato

Eliminar as lideranças, sejam oposicionistas ou não. A eliminação de lideranças ajuda a minimizar o debate e a estabelecer o discurso único.

3o Ato

Construir e fortalecer o culto à personalidade. Quanto mais forte é esse culto mais difícil será o surgimento de lideranças internas e mais fácil eliminar as externas. E até defeitos poderão ser transformados em qualidades. Além do mais qualquer crítica se tornará crime de lesa-magestade.

4o Ato

Estabelecer uma ampla rede de informação que possa a todo momento alimentar outras redes menores e também indivíduos com material informativo que sempre mostre conteúdo positivo e que também seja usada para desqualificar qualquer entidade que venha divulgar informação contrária.

Dessa forma a rede de informação seria percebida como uma espécie de pensador coletivo. A rede também seria útil para identificar aqueles que não comungam com o pensamento coletivo.

Quanto mais rápido se age para não deixar uma informação negativa se espalhar em um determinado tecido social menores serão os danos e mais rapidamente se desmente a mesma.

[ Advogados x Cientistas ]

É preciso saber antes:
Este post tem como objetivo apenas e tão somente mostrar duas diferentes abordagens para se chegar a verdade. Não é intenção do post apontar qual a melhor estratégia ou denegrir a maneira de pensar de alguém.

Agora que já expliquei qual o objetivo deste post vamos ao próprio!!!

Quando li Subliminar, de Leonard Mlodinow, me deparei com essa diferença na maneira de buscar a verdade.

Os advogados em geral, quando buscam a verdade, vamos dizer melhor, quando eles estão defendendo os interesses de um cliente, geralmente partem de uma conclusão e depois vão buscando evidencias que apoiem essa conclusão ao mesmo tempo que tentam desacreditar as evidências em desacordo.

Vamos a um exemplo bem simples: alguém está sendo acusado de algo e procura um advogado para lhe defender. Em geral, qual é a primeira conclusão que o advogado constrói? Que seu cliente é inocente! Afinal de contas, sempre ouvimos aquela máxima que diz que todos são inocentes até que se prove o contrário. E o que vai acontecendo ao longo do processo? O advogado vai reunindo evidências que sustentem a sua tese e ao mesmo tempo desconstrua qualquer outra tentativa de mostrar o contrário.

A verdade que o advogado busca provar ele já definiu no início do processo.

Ok! Compreendido?!

E o cientista, como busca a verdade?

Os cientistas reúnem evidências, buscam regularidades, formam teorias que expliquem suas observações e as verificam. Depois desse processo é que ele deve chegar a uma verdade.

A verdade que o cientista busca nem sempre está clara no início do processo. Vamos dizer que ela vai se descortinando ao longo do mesmo. Muitas vezes ele nem sabe ao certo que verdade é essa que ele busca.

Assim, podemos dizer que em muitas ocasiões agimos como advogados e em outras como cientistas.

Ao longo de muitas campanhas políticas vi inúmeros amigos agirem mais como advogados do que como cientistas, já que boa parte começava as defesas de seus candidatos a partir de conclusões já um tanto quanto solidificadas em suas mentes e corações. E a partir daí buscavam mostrar aos demais, através de evidências que sustentassem suas verdades que eles estavam certos. Bem como desconstruiam, ou tentavam desconstruir, todas as evidências em contrário!

Acredito que é preciso mesclar ambas as metodologias. Especialmente quando se trata de analisar contextos políticos.

😉

[ Muita informação é sinônimo de muita qualidade de informação?! ]

Nunca na história da humanidade houve tanta informação à disposição!!

Mas mesmo assim a qualidade da informação ainda deixa muito a desejar. Apesar de haver acesso extremamente facilitado a esse oceano informacional há também uma tremenda dificuldade em separar a boa informação do ruído, isto é, da informação ruim, que mais atrapalha e desinforma.

E quando se tem muita informação há uma tendência natural em escolhermos, selecionarmos aquelas que mais nos agradem. E é aí que os “fazedores” de informação de qualidade duvidosa passam a atuar com toda força. E quem consome essa informação de qualidade duvidosa nem mesmo se dá conta disso. Afinal de contas está satisfeito com ela. E ao mesmo tempo deixa de lado toda e qualquer informação que não lhe agrade.

E para piorar mais ainda o quadro é comum desclassificar, colocar em xeque a credibilidade daqueles que divulgam informação que não agrada. É aquela famosa máxima: “Se não pode destruir a mensagem mate o mensageiro!”

Enfim, estamos cada vez mais intoxicados com tanta informação de baixa qualidade e até já começamos a perder a capacidade de separar o joio do trigo nesse segmento!!

P.S.: publiquei este texto em minha página no Facebook em 2014.

[ Limitações ]

Somos seres altamente limitados!! Não estou me referindo às limitações físicas mas sim quanto à informação!!

Explicando!! Explicando!! Explicando!!!

Quando digo que somos limitados quanto à informação (e outras coisas mais do ponto de vista intelectual mas que não cabe neste post esse debate, pelo menos por enquanto) quero dizer que não somos sabedores de tudo. Para isso precisaríamos ser oniscientes.

Bem, a maioria de nós possui algum conhecimento sobre diversas áreas. Eu por exemplo sei alguma coisa sobre Ciências da Computação, Matemática, Probabilidade, Economia, Fotografia e algumas outras coisas. São assuntos que muito me interessam e que por isso procuro conhecer mais e mais, lendo ou através de outros meios. Mas sou um completo ignorante quanto a muita coisa, como por exemplo física nuclear ou de partículas!! Não discuto com aquele que tem mais conhecimento que eu em determinadas áreas. Respeito as minhas limitações. Só depois de adquirir mais conhecimento é que me sinto à vontade para tal empreitada intelectual.

E mesmo aqueles que são profundos conhecedores de alguma área do saber ainda não são oniscientes nessa área. Como disse o Marcelo Gleiser em seu mais recente livro “para saber todas as respostas precisaríamos primeiro saber todas as perguntas”. Até os gênios possuem limitações!!

Bem, mas parece que nem todos se dão conta dessas suas limitações de conhecimentos!!

Lembro que há tempos li em um almanaque (almanaque é algo que a geração internet deve pouco saber o que seja) ou foi numa daquelas revistinhas Seleções (outra coisa que o povo dos 140 caracteres desconhece) que o primeiro degrau rumo à iluminação era a ignorância completa, isto é, quando não se sabe que não sabe de algo. Quando eu sei que não sei de algo já não estou mais na ignorância absoluta! Já sei de alguma coisa. Lembra da famosa frase de Sócrates, o filósofo grego?! 😉

Acontece que tem sido comum, talvez em virtude de vivermos imersos em tanta informação, uma certa sensação de não estarmos nunca no estágio de ignorância absoluta!!

Tenho notado também inúmeros juízos de valor serem emitidos a partir de pouca informação, quando não nenhuma informação. Pelo visto, a pressa que caracteriza este mundo contemporâneo, nos faz acreditar que basta ter lido um comentário de algum desconhecido a respeito de algum assunto e por termos nos identificado com o mesmo, para que apenas com aquele subsídio informacional já tenhamos o suficiente para também emitirmos nossos próprios juízos.

Mas e o contraditório?! E outras opiniões?! E outras fontes?! Não, não precisa!

E assim vemos mais e mais análises rasas, um tanto quanto vazias, mas com ar de palavra final sobre determinado assunto!!