[ Eleitor Apaixonado Não É Igual a Torcedor Apaixonado ]

Pessoas, sinceramente, considero uma tremenda injustiça para com o futebol e seus entusiastas quando alguém diz que eleitor apaixonado por político de devoção é igual ao torcedor apaixonado por seu time do coração.

O torcedor apaixonado, por mais apaixonado que seja pelo time, na maioria das vezes consegue reconhecer quando o time vai mal, quando o time não fez uma boa partida e, principalmente, reconhece quando o time precisa mudar. E mais… O torcedor apaixonado fica puto com o time e cobra mudança de postura!

Agora vamos ao eleitor apaixonado. Este é incapaz de reconhecer as falhas de seu objeto de adoração. O eleitor apaixonado mesmo quando reconhece as merdas que seu político de estimação faz prefere sofrer calado e chorar dentro do banheiro. Criticar o objeto de adoração em público é quase uma blasfêmia. Ele acaba catalisando a ira dos demais apaixonados e até poderá ser considerado um herege.

Enfim, não comparemos mais estas duas categorias!!! O apaixonado pelo futebol é superior ao eleitor apaixonado!!!
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[ Mistificar ]

Pessoas… Cês já se deram conta de que nós, em geral, somos fissurados em mistificar as coisas?!?!

Seguinte… Isso deve ser algo bem ancestral, coisa do tempo em que vivíamos pelas savanas africanas, tentando todo dia sobreviver. Nossos ancestrais muito provavelmente tentavam entender o mundo ao seu redor através da criação de figuras idealizadas, que só existiam em sua imaginação.

Bem… Com o passar do tempo, penso eu, isso foi evoluindo, surgiram as mitologias, os deuses e tudo o mais.

Acontece que sinto que exegeramos e hoje em dia criamos mistificações com seres de carne e osso, como nós, e que são tão ou mais imperfeitos que nós!!!

Seguinte… Não falta ao imaginário do eleitorado médio a figura de um político ou grupo político que salvará a todos e resolverá senão todos mas pelo menos boa parte de toda essa bagunça em que estamos metidos!!!

Caras… Isso é ingênuo demais!!!

E nessas eleições, seja à direita seja à esquerda, estamos cercados de seres mistificados por nós mesmos, com soluções para tudo. E seus fiéis devotos são incapazes de reconhecer sua humanidade e por consequente suas limitações e falhas.

[ Missão ]

Quando a campanha eleitoral começa noto que uma das missões dos apoiadores de candidatos é apresentar justificativa para toda e qualquer ação dos candidatos.

Por mais estapafúrdia que seja a ação dos candidatos sempre haverá um rosário de apoiadores tentando a todo custo justificá-la.

O malabarismo retórico é o mais divertido. A turma de apoiadores consegue muitas vezes subverter a lógica criando a sua própria versão da realidade.

É fácil identificar a tentativa de justificar a lambança. As justificativas geralmente começam com frases do tipo: “Vaja bem…”, “Não foi bem assim…”, “Você não entendeu, na verdade é isso…”.

E não adianta mostrar para o apoiador de candidato que ele está tentando adequar a realidade à sua visão de mundo pois quando a paixão toma de conta da pessoa não tem mais jeito.

[ Reflexões Matemáticas – O Conjunto Vazio e o seu Conteúdo ]

O conjunto vazio é aquele que não possui conteúdo. Certo?! Errado!!! O conteúdo do conjunto vazio é o vazio!! Ideiazinha complicada de se aceitar, né?!?!

Como pode?! O vazio é o nada!

Errado!! O vazio é algo! É o vazio!

Quanto retiramos todos os elementos de todo e qualquer conjunto só nos restará o vazio. Por isso que o conjunto vazio é subconjunto de todo e qualquer conjunto.

O vazio é Universal!

O vazio está em todo lugar! Basta retirar tudo que há em um lugar e sempre o que nos restará será o vazio!

O vazio está até em nossa mente. Limpe sua mente de qualquer pensamento. Só restará o vazio mental.

O vazio, como podemos observar, é o fim de tudo…

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[ Entendendo um pouco mais sobre o apego ao conjunto de opiniões que cada um constrói para si ]

Em 1620, Francis Bacon afirmou que, “a compreensão humana, após ter adotado uma opinião, coleciona quaisquer instâncias que a confirmem, e ainda que as instâncias contrárias possam ser muito mais numerosas e influentes, ela não as percebe, ou então as rejeita, de modo que sua opinião permaneça inabalada”. Esta citação encontrei no livro O Andar do Bêbado, de Leonard Mlodinow.

Já faz algum tempo que tenho me esforçado para compreender as pessoas (por que fulano pensa assim? O que o leva a ter esse ponto de vista?) e não simplesmente colocar um rótulo nelas por conta de suas opiniões ou pontos de vista. E nessa busca eis que estudar como a aleatoriedade e a probabilidade exercem influência em nossas vidas – tema central do livro onde pincei essa citação – tem me ajudado bastante.

Depois que o autor cita essa frase de Francis Bacon ele disserta um pouco mais sobre como funciona em nossas mentes esse apego àquilo que temos como sendo nossas verdades pessoais. Vejamos o que ele nos diz:

“Para piorar ainda mais a questão, além de buscarmos preferencialmente as evidências que confirmam nossas noções preconcebidas, também interpretamos indícios ambíguos de modo a favorecerem nossas ideias. Isso pode ser um grande problema, pois os dados muitas vezes são ambíguos; assim, ignorando alguns padrões e enfatizando outros, nosso cérebro inteligente consegue reforçar suas crenças mesmo na ausência de dados convincentes. Por exemplo, se concluirmos, com base em indícios instáveis, que um novo vizinho é antipático, quaisquer ações futuras que possam ser interpretadas dessa forma ganharão destaque em nossa mente, e as que não possam serão facilmente esquecidas. Ou então, se acreditamos num político, damos-lhe o mérito pelos bons resultados que obtiver, e quando a situação piorar, jogamos a culpa no outro partido, reforçando assim nossas ideias iniciais”.

Vejam que esse segundo trecho acaba nos explicando diversos padrões de comportamento nossos e de pessoas conhecidas. Quantos e quantos de nós não nos apegamos a ideias preconcebidas a cerca de algo ou de alguém e assim julgamos esse algo ou esse alguém tão somente baseados nessas ideias preconcebidas e pior ainda é que isso pode fazer com que nos fechemos à opiniões que contrariem esse nosso conceito preconcebido.

E para fechar esse post, vejamos mais um trecho do livro onde o autor dá mais algumas explicações sobre esse comportamento de nosso cérebro e nos mostra como não se deixar levar por isso:

“A evolução do cérebro humano o tornou muito eficiente no reconhecimento de padrões; porém, como nos mostra o viés da confirmação, estamos mais concentrados em encontrar e confirmar padrões que em minimizar nossas conclusões falsas. Ainda assim, não precisamos ficar pessimistas, pois temos a capacidade de superar nossos preconceitos. Um primeiro passo é a simples percepção de que os eventos aleatórios também produzem padrões. Outro é aprendermos a questionar nossas percepções e teorias. Por fim, temos que aprender a gastar tanto tempo em busca de provas de que estamos errados quanto de razões que demonstrem que estamos certos”.

Isso explica porque aqui no mundo facebookeano – e fora dele – vemos tantas pessoas defendendo inúmeras bandeiras e ideologias e elas sempre expõe argumentos, fontes, sites e até mesmo JPEGs, que confirmem aquilo que elas defendem e acreditam. Particularmente nunca vi alguém apresentar uma prova por refutação!!!

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[ Aos Poucos Eles Vão Surgindo ]

Quanto mais vai se aproximando o período eleitoral mais surge uns espécimes que ficam em estado de hibernação entre cada eleição.

Esses indivíduos são os adoradores de candidatos!!!

O típico adorador de candidato sempre tem uma justificativa para qualquer ato, fala ou comportamento do seu objeto de adoração.

Não importa a cagada que o candidato faça, o adorador sempre conseguirá pollyanescamente fazer o jogo do contente e encontrar algo positivo feito pelo candidato.

O adorador de candidato tem como uma de suas obrigações ficar nas redes sociais comprando briga com quem fala mal de seu candidato. Ninguém, mas ninguém mesmo pode falar mal do seu candidato.

Em geral, os adoradores de candidatos costumam agir em grupos (ou seriam bandos?).

Na maioria das vezes, o candidato não faz a mínima ideia da existência dos seus adoradores. Mas ele tem plena consciência que estas entidades existem. Eles sabem que há gente que se presta a qualquer papel neste mundo.

Um típico adorador de candidato é incapaz de tecer uma crítica ao seu objeto de adoração. É bem provável que em seu íntimo o adorador até faça algumas colocações mas ele jamais irá externar esses sentimentos. Seria verdadeira traição proceder assim. Além do mais, criticar o candidato é fazer o jogo dos adversários, ou melhor falando, daqueles que não estão do lado do bem.

Sim… Para um típico adorador de candidato que não está do lado do seu candidato faz parte das forças do mal e de tudo quanto é negativo.

Mas sabe… É divertido observar os adoradores de candidatos!!! Eles são uma das partes mais cômicas do processo eleitoral!!!!

Vida longa aos adoradores de candidatos!!!

[ Como Impressionar o Eleitorado Mediano ]

Fale difícil para dar a impressão de que você é um gênio.

Vomite estatísticas e números misteriosos.

Cite personagens populares (vale até O Pequeno Príncipe).

Não tenha receio de mentir (afinal de contas, o eleitorado em geral não se dá ao trabalho de checar mesmo).

Não poupe nas bravatas!!! As bravatas quando bem conduzidas iludem até o eleitor mais politizado.

Escolha alguns inimigos para encarnar o “lado do mal”. O mal precisa de rostos senão o eleitorado não é convencido.

E por fim, apresente ideias bem populistas mas dê aquela maquiada legal para que elas aparentem não ser.