[ Sobre a Tirania – Alguns Trechos ]

Livrinho que estou lendo.

Depois publicarei uma segunda leva de trechos que me chamaram a atenção.

Inicialmente, uma sinopse do livro:

“Dias após a eleição de Donald Trump, o historiador Timothy Snyder postou um texto no Facebook que rapidamente foi compartilhado por dezenas de milhares de pessoas. Ele começava assim: “Não somos mais sábios do que os europeus que viram a democracia dar lugar ao fascismo, ao nazismo ou ao comunismo no século XX. Nossa única vantagem é poder aprender com a experiência deles”. O post então apresentava vinte lições tiradas do século XX e adaptadas para o mundo de hoje – ideia que Snyder desenvolve e aprofunda em “Sobre a tirania”, um livro curto, para ser lido numa sentada, mas ao qual se deve voltar regularmente para recuperar o fôlego e a inspiração que permitam enfrentar os desafios do presente”.

Aristóteles advertira que a desigualdade traz instabilidade, enquanto Platão acreditava que os demagogos tiravam proveito da liberdade de expressão para tomar o poder como tiranos.

No começo do século XX, tal como no começo do XXI, essas esperanças foram ameaçadas por novas visões de políticas de massa em que um líder ou um partido afirmavam representar diretamente a vontade do povo. As democracias europeias descambaram para o autoritarismo de direita ou para o fascismo nas décadas de 1920 e 1930. A União Soviética comunista, criada em 1922, levou seu modelo para a Europa na década de 1940.

Os fascistas rejeitavam a razão em nome da força de vontade, negando a verdade objetiva em favor de um mito glorioso articulado por líderes que afirmavam ser a voz do povo.

A obediência por antecipação é uma tragédia política.

Em seus primeiros momentos, a obediência por antecipação se limita a uma adaptação instintiva, sem reflexão, à nova situação.

Milgram concluiu que as pessoas são particularmente receptivas a novas regras num ambiente novo. De forma surpreendente, mostram-se dispostas a maltratar e a matar outras pessoas a serviço de algum propósito novo se assim forem instruídas por uma nova autoridade. “Encontrei tanta obediência”, lembrou Milgram, “que não vi necessidade de levar o experimento à Alemanha.”

A vida é política, não porque o mundo se importa com como você se sente, mas porque o mundo reage ao que você faz.

A SS surgiu como uma organização fora da lei, tornou-se uma organização que transcendia a lei e acabou como uma organização que desfazia a lei.

Em setembro de 1938, as grandes potências — França, Itália e Grã-Bretanha, governada então por Neville Chamberlain — chegaram a cooperar com a Alemanha nazista na partilha da Tchecoslováquia. No verão de 1939, a União Soviética aliou-se à Alemanha nazista, e o Exército Vermelho juntou-se à Wehrmacht na invasão da Polônia.

O último modo é a exploração indevida da fé. Isso envolve tipos de afirmações autodivinizantes que o presidente fez ao dizer “Só eu posso resolver isso” ou “Eu sou a voz de vocês”. Quando o sentimento fé se desloca dessa maneira do céu à terra, não sobra espaço para as pequenas verdades de nosso discernimento e experiências individuais.

Os fascistas desprezavam as pequenas verdades da experiência cotidiana, amavam palavras de ordem que ressoavam como uma nova religião e preferiam mitos de criação à história ou ao jornalismo.

“Se o pilar principal do sistema é viver uma mentira”, escreveu Havel, “não surpreende que a maior ameaça a ele seja viver na verdade.”

O poder deseja que seu corpo amoleça na poltrona e que suas emoções se dissipem na tela.

Para que a resistência tenha sucesso, é preciso que duas fronteiras sejam cruzadas. Primeiro, as ideias a respeito de mudança têm de envolver pessoas com vários históricos e que não concordem em tudo. Segundo, as pessoas precisam se encontrar em lugares que não são seus lares e com gente que antes não fazia parte de seu grupo de amigos. Um protesto pode ser organizado por meio de redes sociais, porém nada é real se não acaba nas ruas. Se os tiranos não percebem consequência alguma para seus atos no mundo tridimensional, nada vai mudar.

O que a grande pensadora política Hannah Arendt queria dizer com totalitarismo não era um Estado todo-poderoso, e sim a eliminação da diferença entre a vida privada e a vida pública

[ Naquele reino – A Mediocridade Crescente ]

Naquele reino muitas pessoas talentosas, professores, artistas, intelectuais, cientistas, empreendedores, dentre outros, já não conseguiam enxergar um ambiente propício ao desenvolvimento de suas potencialidades.

Naquele reino estava acontecendo um grande aumento do pensamento medíocre. Muitas pessoas não mais se importavam em pensar e agir de maneira original. A mediocridade bastava para a maioria. E pareciam felizes, muito felizes assim!

A impressão que se tinha era que quanto mais pessoas talentosas deixavam aquele reino em busca de ambientes mais propícios, mais a mediocridade aumentava.

Até que um dia todas aquelas mentes privilegiadas deixaram o reino.

E assim, o reino virou um verdadeiro reino da mediocridade!!

P.S.: este texto é uma fábula, uma história de ficção. Qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência.

[ Ainda Bem ]

Ainda bem que há tempos o professor vem deixando de ser o dono do monopólio do saber em sala de aula e cada vez mais os estudantes possuem acesso às mais diversas e diferentes fontes de informação e conhecimento.

Fico feliz com essa constatação porque tenho ficado muito chocado com a quantidade crescente de portadores de diploma de doutorado, muitos já com pelo menos quatro décadas de existência neste pálido ponto azul, que vivem falando asneiras dentro e fora das redes sociais, que acreditam e compartilham fake news de maneira absurda (desprezando assim qualquer rigor quanto às fontes), que estão mais e mais presos à teorias da conspiração extremamente amalucadas, que desenvolvem inúmeros pensamentos carregados de viés de confirmação. Sem falar na cegueira coletiva que se abate sobre estas pessoas quanto ao reconhecimento destas condições, além da grande crença em teorias manipuladoras alucinadas.

Mesmo com a crescente perda do monopólio do conhecimento por parte dos professores, o estrago que esse grupo descrito no segundo parágrafo faz nos corações e mentes de muitos jovens estudantes ainda é grande, pois ainda tem muito estudante que tem receio de duvidar de seus professores. Além do mais, muitos estudantes percebem seus mestres como Mestres Iluminados de fato.

[ O Caminho do Meio ]

Os orientais possuem um entendimento há muito difundido entre nós ocidentais. É o famoso caminho do meio. 

Segundo esse entendimento o equilíbrio é o que deve ser buscado. Em linhas gerais e mais popularmente falando, podemos dizer que tudo demais é veneno!

Sou adepto dessa linha de pensamento e por conta disso quando vejo certos exageros começo e pensar que pode-se estar indo por um caminho não muito bom.

Noto que o orgulho de um povo pode se encaixar nesse pensamento.  Em certa dose é bastante salutar que um povo seja orgulhoso de si, de suas realizações, de seus feitos e conquistas. Porém quando esse orgulho se torna grande demais, de forma exagerada, esse orgulho passa a ser uma atitude arrogante. A arrogância cega! Orgulho demais pode levar a um mundo de fantasia onde a pessoa ou até mesmo um povo acredite piamente num conjunto de verdades que foi construída em cima desse orgulho que acabou se transformando em arrogância. 

O excesso de orgulho e a conseqüente arrogância é capaz até mesmo de dificultar a auto-crítica! 

Para finalizar essa meditação lembro da história de um imperador romano que diziam possuir um auxiliar que ficava ao seu lado sempre que eles voltavam de alguma campanha vitoriosa e entravam em Roma sendo aclamados pelo povo. Esse auxiliar ficava constantemente falando ao imperador: “Você é humano! Você é humano!”. Era uma forma de lembrar o imperador que ele era falho e que não deveria entrar na vala comum do excesso de orgulho e por conseguinte arrogância.

😉

[ A Geladeira Literária ]

Em nossa pedalada deste domingo, 28 de janeiro, tivemos a oportunidade de conhecer o projeto de um ex-aluno meu, que hoje é colega professor, o João Paulo, este que está com o livro do Dan Brown na mão.

O projeto é de uma simplicidade imensa. Mas nem por isso deixa de ser algo bacana, grandioso. Consiste em uma geladeira velha, exposta em um local com bastante fluxo de pessoas e dentro da geladeira há livros. Livros que podem ser levados.

A ideia do João Paulo surgiu na Feira de Arte e Cultura da Escola onde ele trabalha. E a geladeira acabou indo para fora da escola. Assim como todo artista tem de ir aonde o povo está, os livros devem ir aonde os leitores estão.

O João não imaginava que sua ideia fosse repercutir tanto. Positivamente, diga-se de passagem. Ele nos contou que vem recebendo várias doações de livros e em breve, pelo menos mais duas geladeiras estarão à disposição dos leitores da cidade de Forquilha.

Entre muitas histórias bacanas que o Prof. João nos contou teve uma que notei algo especial nela. Tanto que ao contá-la percebi seus olhos se encherem de lágrimas e a voz deu aquela embargada.

Um dos livros que ele recebeu para colocar na geladeira veio de uma aluna sua. Ao recebê-lo, o João pediu para a estudante ir até a geladeira deixar o livro lá. Porém, a menina um tanto tímida disse que não iria pois estava encabulada. E foi então que ela contou como conseguiu aquele livro. Ela disse que estava com muita vontade de doar um livro para o projeto do seu professor, porém não tinha nenhum livro. Mas a sua irmã tinha. E foi aí que a tímida aluno do Prof. João Paulo teve uma ideia: oferecer a irmã uma roupa em troca do livro. E assim foi feito.

Notei logo que o meu ex-aluno estava emocionado com essa história. Ele disse ainda que para incentivar o gosto pela leitura de sua tímida aluna ele também lhe deu de presente um livro.

São iniciativas como essas do meu ex-aluno e agora colega professor, bem como da aluna dele que fazem a minha fé e esperança num futuro melhor nessa pátria mãe nem sempre gentil, se renovarem.

Quem quiser ajudar o Prof. João Paulo, seja com livro, seja com uma geladeira velha, seja patrocinando a reforma de mais uma geladeira, basta entrar em contato com ele aqui mesmo pelo Facebook!!!!

Torço para que esta seja a primeira de muitas e muitas geladeiras literárias que ainda verei em Forquilha!!!

Parabéns, meu caro Prof. João Paulo!!!!

 

[ Um povo realmente civilizado ]

Em minha humilde opinião de mero observador do cotidiano penso que uma população poderá se considerar verdadeiramente civilizada quando:
– Respeita e cumpre as leis sem que para isso o Estado precise manter um aparato fiscalizador e repressor tão onipresente quanto um Grande Irmão.

– As pessoas reconhecem o que é contra a lei e não o fazem não por temerem uma punição mas simplesmente por ter amadurecimento moral suficiente para entender que não se deve proceder assim.

– Esta população respeita o bem público entendendo perfeitamente que enquanto bem público este não pertence somente a um ou outro ente e sim a uma coletividade. Desta forma, esta população cuida para que este bem público sirva ao maior número de pessoas. E as pessoas agem assim não por temerem punições estatais mas sim pelo imperativo de que é assim que se deve agir.

– As pessoas que exercem cargos de ordem pública compreendem que seu papel é servir à sociedade e não o contrário. Desta forma exercem suas atividades com zelo e com a dedicação que o público a quem serve merece ter.

– E se mesmo assim uma pessoa comete um crime e tem sua liberdade cerceada ela deverá cumprir pena em uma instituição que o fará entender mais ainda que seu ato foi ilegal e que não é assim que se deve agir numa sociedade verdadeiramente civilizada. Ao final do período de liberdade cerceada,o infrator não mais tenderá a cometer ato semelhante.

– Por fim, essa sociedade não tem pena de morte!

😉

P.S.: No mundo atual não sei se já há uma sociedade assim. Mas sonho com isso! Ah… Essa lista não é definitiva. Caso tenha alguma sugestão de como deve ser uma sociedade verdadeiramente civilizada, expresse sua visão através de um comentário.

[ Alguns Conselhos ]

Entrar na Universidade, fazer um curso superior é ainda o sonho de um sem número de xóvens. Abrir a boca para dizer que é estudante universitário ainda é um desejo compartilhado por muitos e muitos.

Mas… E como geralmente depois de um “mas” vem um conjunto de afirmações desanimadoras, é preciso jogar um pouco de realismo e tirar o romantismo da ideia de vida de estudante universitário.

A Universidade não é um bom lugar para quem ainda não sabe lidar com críticas negativas a respeito daquilo que se faz. Seguinte… Nós somos péssimos juizes de nós mesmos, isto é, temos uma tendência graaaande em colorir demais, em exagerar positivamente as nossas autoavalições. Nós temos uma tendência a nos ver melhor do que realmente somos. E é aí que a coisa se complica na vida de estudante universitário. A maioria de nós está na média, somos seres medianos sim. Os muito talentosos, os que se destacam mesmo, não abundam. Em um universo de cem estudantes, há uns cinco ou no máximo dez que são excepcionais. Aceitar que não somos essa Coca-Cola toda, que o trabalho que fizemos gastando noites e noites insones, garrafas de café e algumas coisas a mais e mesmo assim ele ser um trabalho medíocre é um dos maiores desafios. Os que são excepcionais, os muito bons de fato, os que possuem competências que a maioria não tem, em geral não gasta noites e noites para fazer um bom trabalho.

A Universidade também não é um bom lugar para quem necessita de aprovação constante por parte dos seus pares. A guerra de egos na Universidade é grande, metaforicamente, sangrenta. Essa guerra de egos é geral. É entre estudantes, entre professores, enfim, todo mundo. Claro que há quem não embarque nessa onda e acha isso tudo uma grande bobagem. Mas esteja preparado para a guerra dos egos.

Na Universidade tem professor de todo tipo, cor, modelo e ano de fabricação!!! Tem professor “gente boa”, que TODO mundo passa na matéria dele. Tem professor “carne de pescoço” que NINGUÉM passa na matéria dele. Tem professor que é “mãe” dos alunos. Tem professor que não está nem aí para seus sentimentos. Enfim… Tire da cabeça que só tem professor “gente fina”! Aquilo ali é um micro-cosmo, uma representação daquilo que você terá ao sair da Universidade e enfrentar a vida real.

A Universidade não é um local bom para quem não sabe lidar com o fracasso, com a reprovação, com a perda. Quem for daqueles que quando criança só queria ganhar, que chorava rios quando perdia no futebol ou era excluído das brincadeiras, vai sofrer horrores na Universidade.

A Universidade é um péssimo local para quem não sabe lidar com cobranças. Quem não gosta de ser cobrado vai encarar a Universidade como uma verdadeira sucursal do inferno.

Há muita vida fora da Universidade. Nem todo mundo nasceu pra ser “doutor”. Antes de decidir entrar num curso de nível superior é bom ponderar sobre essas questões que coloquei acima.

Apesar dos pesares vou terminar esse textinho com a melhor definição de Universidade que já vi: “A Universidade é um local bacana onde se faz de tudo inclusive estudar”.

😉