[ A Novidade Carnavalesca de 2019 ]

Vagando pelas fotos que mostram a folia momina pelos quatro cantos deste país chamado Brasil notei a onipresença das plaquinhas penduradas nos pescoços dos súditos de Momo e várias delas, a meu ver, funcionam como legendas explicativas da fantasia usada.

Fiquei pensando se é um sinal dos tempos.

Aqui na FaceCaverna vira e mexe me pego tendo que explicar o que um post meu realmente quis dizer. Penso até que isso seja em virtude de alguma deficiência na aquisição da capacidade de interpretar textos. O famoso analfabetismo funcional.

Mas o que isso tem a ver com as plaquinhas-legenda de fantasias?!?

Acho (e se acho não tenho muita certeza) que o analfabetismo funcional chegou até aos foliões de Carnaval que agora precisam explicar suas fantasias!

Mas aí vem outra questão: será necessário mesmo explicar fantasia de Carnaval?!

🤔😲

[ Ainda Sobre Amplificar as Idiotices e Imbecilidades ]

Estive refletindo acerca dessa mania e muitas vezes quase obsessão que temos em ajudar a espalhar e assim dar voz aos idiotas da aldeia Facebookeana.

Dessa reflexão surgiu uma hipótese. Hipótese essa que ainda precisa ser verificada e testada, portando ainda é não conclusiva.

Minha hipótese tenta responder a seguinte pergunta: O que nos leva a compartilhar tanto as Idiotices alheias?

Superficialmente, podemos acreditar que nossa principal motivação é porque acreditamos que ao compartilhar os absurdos dos idiotas da aldeia Facebookeana ajudamos a expor os mesmos e isso faria com que os mesmos fossem mais ainda ridcularizados pelos demais. Assim sendo, acreditamos estar fazendo justiça com as próprias mãos, ou melhor falando, com os próprios cliques.

Bom, mas isso é a superfície e nem sempre a superfície revela nossos desejos mais íntimos, mais secretos e que muitas vezes temos receio de mostrá-los ao mundo pois eles acabam também revelando traços sombrios de nossa personalidade.

E é aqui que minha hipótese surge.

A motivação de cunho mais íntimo pode ser a seguinte: ao ajudarmos com a divulgação das bestialidades dos idiotas da aldeia Facebookeana nos sentimos moralmente superiores. É como se na entrelinhas disséssemos: “Vejam como essa pessoa é vil! Eu não sou assim! Eu sou melhor que ela pois eu não concordo com ela. Sou moralmente melhor! Sou superior!”

E quanto mais damos voz aos idiotas da aldeia Facebookeana mais esse sentimento de superioridade moral deve nos dar doses cavalares de prazer, de gozo. Afinal de contas, somos péssimos juízes de nós mesmos. Na maioria das vezes construímos uma auto imagem bem melhor daquilo que realmente somos. Adoramos carregar nas tintas quando fazemos isso.

Mas como disse, isso é apenas uma hipótese que não foi verificada nem muito menos testada. E penso que dificilmente (talvez nunca) poderá ser verificada com exatidão pois não é possível, pelo menos ainda, entrar e vasculhar a mente dos outros da mesma forma que entramos em uma biblioteca e lemos os livros ali guardados. Somente nós mesmos é que temos pleno acesso aos nossos pensamentos e olhe lá. Creio que nem nós mesmos podemos afirmar com plena certeza o que se passa em nossas próprias mentes. O máximo que ainda fazemos a respeito da mente de outros é formular especulações. Ter plena certeza do que se passa na mente de outra pessoa ainda é algo inalcançável.

[ Os Fiscais Abundam ]

É Fiscal da Revolta Alheia (“Aaahhh… Você tá revoltado com isso mas não ficou com aquilo!!!”).

É Fiscal da Dor Alheia (“Aaaaahhhh chora por essa tragédia, muda a foto do perfil mas não fez nada naquela outra!!!!”).

E agora tem mais um um, o Fiscal da Copa do Mundo (“Aaaaaahhhhh, como é que pode torcer por seleção estando o país desse jeito!??”).

É fiscal pra todo gosto dentro e fora da Caverna do Facebook!!!!

A abundância de fiscais da vida alheia me faz concluir que a a turma realmente não compreendeu quando JC, o cabeludo nazareno, disse “vigiai”!!! A moçada ao invés de vigiar a própria vida prefere vigiar a vida dos outros!!!

Fico impressionado como se gasta tempo com isso!!! Tempo esse que poderia ser melhor usado, como ppr exemplo, capinando um lote!!!

Mas enfim, cada um faz o que acha que é mais importante com o tempo e com a vida que tem.

Até que chegam a ser hilários e engraçados estes fiscais!!!

[ Distúrbios Mentais ]

As redes sociais fizeram surgir alguns distúrbios mentais bem curiosos.

Por exemplo, temos o paranóico das indiretas. É o sujeito que acredita que as pessoas em seus posts, vivem mandando indiretas pra ele. O paranóico das indiretas também é egocêntrico em nível elevado por acreditar que os demais realmente irão se ocupar em mandar indiretas para ele.

Outro distúrbio bastante comum é a ansiedade opinativa. Os que são acometidos por esse distúrbio acreditam que têm a obrigação de emitir opiniões sobre tudo no mundo. Um reflexo desses distúrbio é a profusão de opiniões equivocadas e sem nenhum embasamento, fazendo com que os posts de quem sofre desta anomalia seja um festival de abobrinhas e sandices que muitas vezes servem para divertir os demais.

Os psicólogos e psiquiatras ainda terão muito trabalho pela frente para tratar não somente destes mas de muitos outros distúrbios provocados pelo uso excessivo de redes sociais.

😉

[ Leis do Facebook – O Critério de Verdade ]

Se uma notícia está de acordo com meu conjunto de crenças, combina com aquilo que penso então essa notícia é verdadeira e seu veículo de divulgação é sério e honesto. Caso contrário, se a notícia não combina com meu conjunto de crenças nem com aquilo que penso então essa notícia é mentirosa e seu veículo de divulgação não é serio e é desonesto.

😉

[ O Esporte Mais Praticado ]

As redes sociais trouxeram à tona, ou melhor, deixaram mais evidente ainda, uma prática muito comum da espécie humana. Esta prática, creio eu, deve ser milenar. Estou falando do ato de se importar com a vida alheia, com o que o outro faz ou deixa de fazer.

Hoje em dia os cidadãos da ZuckerNet, o mundo facebookeano, gastam uma boa parcela do seu tempo dedicando-se a esta prática ancestral.

Importam-se se alguém muda a foto do perfil para demonstrar apoio a uma causa.

Importam-se se alguém não muda a foto do perfil para demonstrar apoio a uma causa.

Importam-se se alguém demonstra estar muito sensibilizado por conta de um acontecimento.

Importam-se se alguém não demonstra estar muito sensibilizado por conta de um acontecimento.

Importam-se se alguém diz que gosta de um determinado músico.

Importam-se se alguém diz que não gosta de um determinado músico.

Importam-se se alguém demonstra simpatia por determinada ideologia político-partidária.

Importam-se se alguém demonstra não gostar de determinada ideologia político-partidária.

A lista tende ao infinito.

Talvez seja um efeito colateral da grande liberdade de expressão que as redes sociais nos proporcionam. As pessoas querem demonstrar que se importam com alguma coisa.

E a expressão importar-se com algo tem uma ligação com a palavra importante. Logo, deduzo que se alguém se importa com algo é porque esse algo lhe é importante. Se não fosse não se importaria!

Enfim, vivemos a nos importar tanto que até escrevemos textos nos importando com o fato de muitos se importarem com tudo em quanto!!!! 😉

Não seria mais fácil e saudável do ponto de vista social se nos importássemos menos com o que os outros fazem ou deixam de fazer e cuidássemos mais de nossa própria vidinha??!! 😉

[ Orwell Equivocou-se?! ]

Em seu livro 1984, o escritor criou a figura do Grande Irmão, que era um líder que implanta um regime totalitário no qual as pessoas estão sob constante vigilância por parte dos mecanismos do regime bem como de seus agentes.
No ambiente de 1984 tudo está sendo monitorado a todo momento. O conceito de privacidade é praticamente destruído.
De uns tempos para cá passei a acreditar que Orwell equivocou-se ou talvez nunca tenha imaginado que o Grande Irmão não seria um governo, mas sim a própria sociedade vivendo em constante estado de policiamento e vigilância das ações uns dos outros através das redes sociais bem como se valendo de outras ferramentas como por exemplos, os smartphones que são altamente populares e cada vez mais acessíveis hoje em dia.
Não tenho certeza se este estado de policiamento constante que nos obriga a todo momento medir as palavras, tomar cuidado com o que falamos ou escrevemos, enfim como nos comportamos, nos tornará seres humanos melhores. Talvez sim… Talvez não… Somente o tempo dirá