[ O que era público agora já nao é ]

Em tempos de política polarizada, que por sua vez inibe ou até aniquila qualquer forma de debate uma vez que os polarizadores acreditam serem os detentores da verdade e quem não pensar com e como eles acaba sendo percebido como inimigo a ser eliminado é fácil perceber que quem está no poder através da ocupação de um cargo eletivo acaba, muitas vezes, acreditando ser dono, proprietário mesmo daquilo que é público.

É fácil ouvir frases do tipo: “Eles querem tomar o poder!” Ou frases do tipo: “Eles querem ter o poder a qualquer custo!”. Pouco importando se esse poder está representado pela prefeitura de um município, governo do estado ou presidência da república. O que importa é a sensação de ser o dono da prefeitura, estado ou república. E esses que temem perder o poder advindo de cargos eletivos ou que fazem tudo para se manterem nos mesmos, não mais consideram aquela prefeitura, estado ou país como sendo algo público. A percepção que esses têm é que lhes pertence.

Há quem diga que na democracia todo poder emana do povo. Porém o que vemos é este poder se tornando propriedade de poucos. E para manter essa posse, estes poucos contam com a ajuda valiosa dos votos daqueles dos quais, em tese, emana todo o poder.

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[ Orwell Equivocou-se?! ]

Em seu livro 1984, o escritor criou a figura do Grande Irmão, que era um líder que implanta um regime totalitário no qual as pessoas estão sob constante vigilância por parte dos mecanismos do regime bem como de seus agentes.
No ambiente de 1984 tudo está sendo monitorado a todo momento. O conceito de privacidade é praticamente destruído.
De uns tempos para cá passei a acreditar que Orwell equivocou-se ou talvez nunca tenha imaginado que o Grande Irmão não seria um governo, mas sim a própria sociedade vivendo em constante estado de policiamento e vigilância das ações uns dos outros através das redes sociais bem como se valendo de outras ferramentas como por exemplos, os smartphones que são altamente populares e cada vez mais acessíveis hoje em dia.
Não tenho certeza se este estado de policiamento constante que nos obriga a todo momento medir as palavras, tomar cuidado com o que falamos ou escrevemos, enfim como nos comportamos, nos tornará seres humanos melhores. Talvez sim… Talvez não… Somente o tempo dirá

[ Assim se constroi um projeto de poder ]

1o Ato

Eliminar, desconstruir ou modificar o passado. “Quem controla o passado controla o futuro; quem controla o presente controla o passado”, já dizia George Orwell, em 1984.

2o Ato

Eliminar as lideranças, sejam oposicionistas ou não. A eliminação de lideranças ajuda a minimizar o debate e a estabelecer o discurso único.

3o Ato

Construir e fortalecer o culto à personalidade. Quanto mais forte é esse culto mais difícil será o surgimento de lideranças internas e mais fácil eliminar as externas. E até defeitos poderão ser transformados em qualidades. Além do mais qualquer crítica se tornará crime de lesa-magestade.

4o Ato

Estabelecer uma ampla rede de informação que possa a todo momento alimentar outras redes menores e também indivíduos com material informativo que sempre mostre conteúdo positivo e que também seja usada para desqualificar qualquer entidade que venha divulgar informação contrária.

Dessa forma a rede de informação seria percebida como uma espécie de pensador coletivo. A rede também seria útil para identificar aqueles que não comungam com o pensamento coletivo.

Quanto mais rápido se age para não deixar uma informação negativa se espalhar em um determinado tecido social menores serão os danos e mais rapidamente se desmente a mesma.

[ Fatos x Achismos ]

Curioso notar que nesses tempos de redes sociais, de mundo facebookeano, o “achismo” e a especulação tomou o lugar dos fatos!!

Basta que alguém “ache” e bole uma explicação bem convincente usando apenas seus “achismos” para que os mesmos se transformem em fatos e surjam um sem número de conclusões.

Os “achismos” estão impregnados, ou melhor, contaminados, por nossos preconceitos e visões de mundo.

Que doidera… Vivemos numa época em que “achismos” se transformam em fatos e por conseguinte dão sustentação as mais variadas conclusões! E haja surgirem manadas e mais manadas que sigam estas conclusões como se fossem verdades sem a mínima possibilidade de serem refutadas.

[ Estão mudando até a Lógica ]

Lendo alguns posts e também outros tantos debates bem acalorados venho notando que muitos estão tentando mudar até mesmo o processo de análise lógica.

A análise lógica nos ensina que as conclusões dependem dos fatos apresentados. Isto é, as conclusões devem derivar dos fatos.

Ao contrário do que nos ensina a análise lógica, percebo inúmeros debatedores querendo de qualquer forma, a qualquer custo, que os fatos dependam das conclusões. Ou seja, concluem algo e depois ficam buscando fatos que dêem sustentação às suas conclusões.

Enfim, que tempo mais estranho esse que vivemos!

[ Renovação?! Mas nem tanto… ]

Naquela cidadezinha os líderes políticos resolveram reunir-se para debater o futuro político dela (e deles).

Depois de muita discussão, muito debate, eis que os líderes políticos chegaram a uma conclusão e um deles declarou aos demais em alto e bom tom:

“Chegou a hora de renovarmos os quadros políticos da cidade!! É chegado o momento de gente nova na política local!!! Vamos lançar como candidatos nossos filhos, netos e sobrinhos!!!”

[ Contradições ]

A coisa mais divertida e cômica das contradições é ver os que se contradizem tentando a todo custo negar as contradições!!

Chega a um ponto que as contradições só aumentam!!!

Realmente não é fácil mesmo encarar certas coisas da vida!!! A melhor estratégia de defesa, inclusive psicológica, é a negação!!! Ainda que se contradiga!!!

😉