[ Ainda Sobre Amplificar as Idiotices e Imbecilidades ]

Estive refletindo acerca dessa mania e muitas vezes quase obsessão que temos em ajudar a espalhar e assim dar voz aos idiotas da aldeia Facebookeana.

Dessa reflexão surgiu uma hipótese. Hipótese essa que ainda precisa ser verificada e testada, portando ainda é não conclusiva.

Minha hipótese tenta responder a seguinte pergunta: O que nos leva a compartilhar tanto as Idiotices alheias?

Superficialmente, podemos acreditar que nossa principal motivação é porque acreditamos que ao compartilhar os absurdos dos idiotas da aldeia Facebookeana ajudamos a expor os mesmos e isso faria com que os mesmos fossem mais ainda ridcularizados pelos demais. Assim sendo, acreditamos estar fazendo justiça com as próprias mãos, ou melhor falando, com os próprios cliques.

Bom, mas isso é a superfície e nem sempre a superfície revela nossos desejos mais íntimos, mais secretos e que muitas vezes temos receio de mostrá-los ao mundo pois eles acabam também revelando traços sombrios de nossa personalidade.

E é aqui que minha hipótese surge.

A motivação de cunho mais íntimo pode ser a seguinte: ao ajudarmos com a divulgação das bestialidades dos idiotas da aldeia Facebookeana nos sentimos moralmente superiores. É como se na entrelinhas disséssemos: “Vejam como essa pessoa é vil! Eu não sou assim! Eu sou melhor que ela pois eu não concordo com ela. Sou moralmente melhor! Sou superior!”

E quanto mais damos voz aos idiotas da aldeia Facebookeana mais esse sentimento de superioridade moral deve nos dar doses cavalares de prazer, de gozo. Afinal de contas, somos péssimos juízes de nós mesmos. Na maioria das vezes construímos uma auto imagem bem melhor daquilo que realmente somos. Adoramos carregar nas tintas quando fazemos isso.

Mas como disse, isso é apenas uma hipótese que não foi verificada nem muito menos testada. E penso que dificilmente (talvez nunca) poderá ser verificada com exatidão pois não é possível, pelo menos ainda, entrar e vasculhar a mente dos outros da mesma forma que entramos em uma biblioteca e lemos os livros ali guardados. Somente nós mesmos é que temos pleno acesso aos nossos pensamentos e olhe lá. Creio que nem nós mesmos podemos afirmar com plena certeza o que se passa em nossas próprias mentes. O máximo que ainda fazemos a respeito da mente de outros é formular especulações. Ter plena certeza do que se passa na mente de outra pessoa ainda é algo inalcançável.

[ Autocrítica: algo muito difícil de fazer! ]

É muito difícil fazer uma autocrítica! É até mesmo doloroso! Diria que fazer uma autocrítica bem sincera é quase impossível!

Geralmente nos vemos de maneira muito positiva. A ideia que muitos fazem de si é geralmente colorida demais. E confrontar isso com outra realidade pode ser deveras doloroso. É quase como desconstruir uma imagem que alguém passou tanto tempo construindo e que acabou se afeiçoando a ela.

E a autocrítica não é difícil de ser feita apenas por indivíduos isolados. Até mesmo para grupos e organizações que por sua vez são agrupamentos de indivíduos, realizar a autocrítica é igualmente difícil!!!

Ora se não vejamos… Se para uma pessoa somente já é complicado isso imagine para muitos, para dezenas, centenas, milhares e até milhões de pessoas!

Definitivamente, retirar as lentes coloridas com as quais costumamos nos enxergar não é tarefa fácil!!!

O curioso é que a autocrítica é necessária! Sem autocrítica podemos acabar vivendo em um mundo de cor e fantasia tal e qual a Disneylândia! E isso vale não somente para indivíduos isoladamente mas também para grupos, sejam empresas, sejam governos!

A autocrítica pode ser como disse aquele nazareno cabeludo há cerca de dois mil anos, “matar o homem velho para o homem novo nascer” (é mais ou menos assim. Não sou um expert nas falas do cabeludo!!!).

Tenhamos coragem de nos criticarmos!!! 😉