[ Eleições… Eleições… ]

Eleger alguém não é lá tão complicado assim. Se o candidato conta com:

1. Um forte padrinho que cole a sua imagem à do ungido fazendo com que a maioria do eleitorado passe a crer que o escolhido será uma espécie de “reencarnação” política do padrinho logo logo o eleitorado mediano passa a ter a idéia de que o eleito é a mesma coisa que o padrinho.

2. Uma boa equipe de marketing que produza excelentes peças publicitárias que sejam capazes de fazer com que alguém por mais desconhecido que seja do grande público se tornar uma verdadeira celebridade política. E como boa parte do eleitorado não se dará ao trabalho de checar as informações e grandes feitos que são atribuídos ao candidato fica mais fácil ainda criar uma imagem positiva. A Civilização do Espetáculo adora um espetáculo midiático!!

3. Um grande número de militantes que atuem tanto no mundo real como no virtual que tenham como missão tanto reforçar a imagem (ou seria produto?!) criada pela equipe de marketing bem como desconstruir todo e qualquer adversário que represente alguma ameaça ao projeto de eleger o ungido. E aí vale tudo! Esse pessoal é responsável por fazer boa parte do jogo sujo e baixo afinal de contas os grandes, os caciques não devem se envolver com esse tipo de ação já que precisam passar uma boa imagem (imagem é tudo!). Sem falar que nunca se sabe quando é que vai se aliar com aquele que hoje é inimigo mortal.

4. Um bom grupo de empresas financiadoras da campanha. Esse ponto é fundamental pois alguém precisa pagar a equipe de marketing, bem como muitas outras despesas de campanha e até alguma militância profissional. Os entes financiadores na verdade não fazem doações mas sim investimentos já que uma vez que o ungido seja eleito ele irá “retribuir” as doações na forma de generosos contratos. E assim temos a releitura de um ditado popular bastante conhecido: “Dize-me quem te financia que te direi quem és”.

Junte esses quatro elementos e dificilmente se perde uma eleição nessa pátria mãe gentil!

[ Mistificar ]

Pessoas… Cês já se deram conta de que nós, em geral, somos fissurados em mistificar as coisas?!?!

Seguinte… Isso deve ser algo bem ancestral, coisa do tempo em que vivíamos pelas savanas africanas, tentando todo dia sobreviver. Nossos ancestrais muito provavelmente tentavam entender o mundo ao seu redor através da criação de figuras idealizadas, que só existiam em sua imaginação.

Bem… Com o passar do tempo, penso eu, isso foi evoluindo, surgiram as mitologias, os deuses e tudo o mais.

Acontece que sinto que exegeramos e hoje em dia criamos mistificações com seres de carne e osso, como nós, e que são tão ou mais imperfeitos que nós!!!

Seguinte… Não falta ao imaginário do eleitorado médio a figura de um político ou grupo político que salvará a todos e resolverá senão todos mas pelo menos boa parte de toda essa bagunça em que estamos metidos!!!

Caras… Isso é ingênuo demais!!!

E nessas eleições, seja à direita seja à esquerda, estamos cercados de seres mistificados por nós mesmos, com soluções para tudo. E seus fiéis devotos são incapazes de reconhecer sua humanidade e por consequente suas limitações e falhas.

[ Missão ]

Quando a campanha eleitoral começa noto que uma das missões dos apoiadores de candidatos é apresentar justificativa para toda e qualquer ação dos candidatos.

Por mais estapafúrdia que seja a ação dos candidatos sempre haverá um rosário de apoiadores tentando a todo custo justificá-la.

O malabarismo retórico é o mais divertido. A turma de apoiadores consegue muitas vezes subverter a lógica criando a sua própria versão da realidade.

É fácil identificar a tentativa de justificar a lambança. As justificativas geralmente começam com frases do tipo: “Vaja bem…”, “Não foi bem assim…”, “Você não entendeu, na verdade é isso…”.

E não adianta mostrar para o apoiador de candidato que ele está tentando adequar a realidade à sua visão de mundo pois quando a paixão toma de conta da pessoa não tem mais jeito.

[ Aos Poucos Eles Vão Surgindo ]

Quanto mais vai se aproximando o período eleitoral mais surge uns espécimes que ficam em estado de hibernação entre cada eleição.

Esses indivíduos são os adoradores de candidatos!!!

O típico adorador de candidato sempre tem uma justificativa para qualquer ato, fala ou comportamento do seu objeto de adoração.

Não importa a cagada que o candidato faça, o adorador sempre conseguirá pollyanescamente fazer o jogo do contente e encontrar algo positivo feito pelo candidato.

O adorador de candidato tem como uma de suas obrigações ficar nas redes sociais comprando briga com quem fala mal de seu candidato. Ninguém, mas ninguém mesmo pode falar mal do seu candidato.

Em geral, os adoradores de candidatos costumam agir em grupos (ou seriam bandos?).

Na maioria das vezes, o candidato não faz a mínima ideia da existência dos seus adoradores. Mas ele tem plena consciência que estas entidades existem. Eles sabem que há gente que se presta a qualquer papel neste mundo.

Um típico adorador de candidato é incapaz de tecer uma crítica ao seu objeto de adoração. É bem provável que em seu íntimo o adorador até faça algumas colocações mas ele jamais irá externar esses sentimentos. Seria verdadeira traição proceder assim. Além do mais, criticar o candidato é fazer o jogo dos adversários, ou melhor falando, daqueles que não estão do lado do bem.

Sim… Para um típico adorador de candidato que não está do lado do seu candidato faz parte das forças do mal e de tudo quanto é negativo.

Mas sabe… É divertido observar os adoradores de candidatos!!! Eles são uma das partes mais cômicas do processo eleitoral!!!!

Vida longa aos adoradores de candidatos!!!

[ Alienação & Subserviência ]

Atestado de alienação e subserviência política: votar em um candidato somente e simplesmente porque um ou vários líderes políticos o apoiam. E pior ainda é achar isso a coisa mais natural do mundo dizendo que vota em qualquer um que o tal líder político indicar!!!

Por incrível que pareça, mas o voto de cabestro ainda persiste forte muito forte.

Mas isso é consequência da falta de uma formação política e também da ausência de um pensamento crítico mais forte.

Enquanto não houver desenvolvimento intelectual dos eleitores isso vai persistir!!

[ Sobre os Debates entre Candidatos ]

Os debates DEVERIAM ser um momento no qual os candidatos confrontam seus projetos de governo. Deveria ser o momento em que cada candidato mostraria os pontos fortes do seu projeto e os fracos de seus adversários. E principalmente, seria o momento de demonstrar para o eleitorado a viabilidade do seu projeto e a inviabilidade do projetos dos adversários.
 
Mas vejam bem o tempo verbal que usei: DEVERIAM… DEVERIAM…
 
Penso eu que os debates não estão atingindo esse objetivo por conta do seu formato.
 
Sejamos francos, trinta segundos para formular uma BOA pergunta é pouco tempo. Da mesma maneira que um minuto e trinta segundos para formular uma BOA resposta também é um tempo muito curto. E mesmo o um minuto para réplica e tréplica são absurdamente pouco tempo para tal.
 
Os debates estão servindo mais para animar as torcidas organizadas, a plateia que assiste na TV (ou por outros meios) a forma moderna das antigas arenas romanas onde os gladiadores lutavam até a morte. E assim como as plateias da Roma antiga, as de hoje querem mesmo é ver sangue, metaforicamente falando, tá?! (se bem que tem gente que lá no seu íntimo adoraria uma briga de foice entre os candidatos!!).
 
Mas uma mudança no formato dos debates é possível?! Creio que sim. Mas a quem interessa essa mudança?! Será que as entidades que promovem os debates tem real interesse em mudar o formato?! O tempo para esse outro formato seria o mesmo para o atual? O público alvo dos debates de hoje se interessaria por um outro formato, mais amplo, onde os projetos são confrontados?! E por fim, os candidatos teriam interesse em confrontar seus projetos dessa maneira?!
 
Essas questões precisam ser respondidas para que possamos vislumbrar uma mudança nos debates futuros entre candidatos. Enquanto não mudar esse formato de debate (candidato pergunta a candidato e blá blá blá blá blá blá) os debates só servirão mesmo é para entretenimento das torcidas organizadas e não acrescentará em nada para ajudar o eleitorado a ser mais esclarecido.

[ O agoravaiismo ]

O agoravaiismo é um movimento muito comum no mundo da política.

É quando os principais agentes políticos passam a dizer para a população em geral que “agora vai”.

“Agora vai” acontecer aquilo que ficou de acontecer e não aconteceu.

“Agora vai” ser feito aquilo que precisava ser feito e não foi feito.

“Agora vai” ser do jeito que é pra ser e nunca foi.

Agora vai… Agora vai…

O agoravaiismo é um movimento que mexe com a esperança das pessoas, que cria e alimenta sonhos e ilusões e por isso pode levar muita frustração àqueles que aderem a este movimento.

Sejamos cautelosos com os agoravaiismos da vida!!!!