[ Reflexão vespertina ]

Curiosamente somos bastante influenciados (e quiçá comandados) por diversas entidades puramente abstratas tais como:

– O sistema (é quase um deus, onipresente e onisciente).

– A mídia (é outra que é quase um deus!).

– O governo (sim, o governo é uma entidade abstrata, as pessoas que fazem parte do mesmo, que os representa, são meras representações, ou melhor, instâncias dessa classe puramente abstrata).

Curioso notar também é que muitas vezes é extremamente mais cômodo e confortável, culpar e responsabilizar essas entidades abstratas por tudo aquilo que consideramos errado ou incorreto. Como se essas entidades abstratas fossem entes independentes, que possuem vontade própria, agem conforme um plano elaborado por elas mesmas.

Mas há um elemento comum a essas entidades. Existe um elo que as liga.

Afinal qual o elemento comum que existe entre essas três abstrações?!

R: Todas elas são criações da espécie humana!!! E assim, de criadores passamos a reféns, servos, dependentes, da criatura!!!

Não seria melhor ao invés de culpar essas criações humanas puramente abstratas voltarmos a nossa crítica a nós mesmos?! Entender que aquilo que atribuímos a estas entidades abstratas no final das contas não passa de nossa própria culpa máxima culpa?!

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[ O Caminho do Meio ]

Os orientais possuem um entendimento há muito difundido entre nós ocidentais. É o famoso caminho do meio. 

Segundo esse entendimento o equilíbrio é o que deve ser buscado. Em linhas gerais e mais popularmente falando, podemos dizer que tudo demais é veneno!

Sou adepto dessa linha de pensamento e por conta disso quando vejo certos exageros começo e pensar que pode-se estar indo por um caminho não muito bom.

Noto que o orgulho de um povo pode se encaixar nesse pensamento.  Em certa dose é bastante salutar que um povo seja orgulhoso de si, de suas realizações, de seus feitos e conquistas. Porém quando esse orgulho se torna grande demais, de forma exagerada, esse orgulho passa a ser uma atitude arrogante. A arrogância cega! Orgulho demais pode levar a um mundo de fantasia onde a pessoa ou até mesmo um povo acredite piamente num conjunto de verdades que foi construída em cima desse orgulho que acabou se transformando em arrogância. 

O excesso de orgulho e a conseqüente arrogância é capaz até mesmo de dificultar a auto-crítica! 

Para finalizar essa meditação lembro da história de um imperador romano que diziam possuir um auxiliar que ficava ao seu lado sempre que eles voltavam de alguma campanha vitoriosa e entravam em Roma sendo aclamados pelo povo. Esse auxiliar ficava constantemente falando ao imperador: “Você é humano! Você é humano!”. Era uma forma de lembrar o imperador que ele era falho e que não deveria entrar na vala comum do excesso de orgulho e por conseguinte arrogância.

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[ Um povo realmente civilizado ]

Em minha humilde opinião de mero observador do cotidiano penso que uma população poderá se considerar verdadeiramente civilizada quando:
– Respeita e cumpre as leis sem que para isso o Estado precise manter um aparato fiscalizador e repressor tão onipresente quanto um Grande Irmão.

– As pessoas reconhecem o que é contra a lei e não o fazem não por temerem uma punição mas simplesmente por ter amadurecimento moral suficiente para entender que não se deve proceder assim.

– Esta população respeita o bem público entendendo perfeitamente que enquanto bem público este não pertence somente a um ou outro ente e sim a uma coletividade. Desta forma, esta população cuida para que este bem público sirva ao maior número de pessoas. E as pessoas agem assim não por temerem punições estatais mas sim pelo imperativo de que é assim que se deve agir.

– As pessoas que exercem cargos de ordem pública compreendem que seu papel é servir à sociedade e não o contrário. Desta forma exercem suas atividades com zelo e com a dedicação que o público a quem serve merece ter.

– E se mesmo assim uma pessoa comete um crime e tem sua liberdade cerceada ela deverá cumprir pena em uma instituição que o fará entender mais ainda que seu ato foi ilegal e que não é assim que se deve agir numa sociedade verdadeiramente civilizada. Ao final do período de liberdade cerceada,o infrator não mais tenderá a cometer ato semelhante.

– Por fim, essa sociedade não tem pena de morte!

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P.S.: No mundo atual não sei se já há uma sociedade assim. Mas sonho com isso! Ah… Essa lista não é definitiva. Caso tenha alguma sugestão de como deve ser uma sociedade verdadeiramente civilizada, expresse sua visão através de um comentário.

[ Choque de Gerações ]

 
Estavam dividindo aquela mesa redonda, numa biblioteca, um professor de 42 anos de idade e um jovem que aparentava ter pouco mais de 19 anos. O professor já ocupava a mesa fazia algum tempo. O estudante chegou e desastradamente bateu na mesa, e logo pediu desculpas pelo malfeito.
 
A mesa que os dois dividiam era daquelas que quando você se apoia nela ou a toca com pouca delicadeza, balança. Dependendo da falta de delicadeza, a mesa balança muito.
 
Tanto o professor como o estudante estavam diante notebooks.
 
Acontece que o jovem estudante, como muitos jovens estudantes, parecia ser uma pessoa ansiosa, bastante ansiosa. Poderia ser que ele estivesse estudando para uma prova ou talvez o que ele estudava não estava sendo bem compreendido. Enfim, o estudante constantemente batia na mesa, o que provocava um certo tremor na tela do notebook do professor. Digitava com certa fúria que também provocava movimentos na mesa.
 
Quando o estudante não batida na mesa ele empurrava alguma cadeira próxima com algum movimento dos pés. Sim, haviam duas cadeiras vazias e era visível o temor do professor que mais dois estudantes igualmente nervosos resolvessem vir até aquela mesa compartilhar o espaço.
 
O professor tentava ler uma dissertação. A leitura não era das mais prazerosas. Não era como ler um romance, ou obra do gênero. Ler dissertações, dizia aquele professor, fazia parte dos ossos do ofício. Mas não era tão ruim quanto corrigir provas.
 
E o tempo foi passando e o estudante ansioso ficava cada vez mais ansioso e cada vez se mexia mais e abria e folheava um livro na esperança de encontrar a iluminação que insistia em não vir.
 
Nisso, o professor de 42 anos, com alguns cabelos brancos, não somente na cabeça mas na barba também, já um tanto incomodado com os tremores da tela do seu notebook, pensava e refletia: “Será que com o passar dos anos vamos ficando mais impacientes e incomodados?! Ou será que é maldade minha não me compadecer do estado de espírito dessa pobre alma que está à procura da luz através dos livros!?”

[ Bastava fazer a coisa certa! ]

 
Muitos reclamam que no trânsito são poucos os que seguem as leis que servem para organizar o mesmo. Acontece que todas essas reclamações desapareceriam se todos ou pelo menos a imensa maioria seguissem as leis como elas devem ser seguidas e não tentasse fazer suas próprias “interpretações” – exemplo que vejo muito em Sobral é achar que basta ligar o pisca-alerta para ter o direito inalienável de parar seja onde for, principalmente em local proibido!!!
 
Há um sem número de queixas contra a questão da corrupção. Mas se corruptos e corruptores sempre lembrassem que isso é uma ação ilegal, fora da lei, e que pode ser punida – melhor seria se fosse severamente punida – a história seria bem diferente! Bastava seguir a lei!
 
Outra coisa que nos deixa altamente irritados é com relação aos políticos que existem, seja em nossa cidade, seja em nosso Estado ou em nosso País. A grita geral é sempre por conta de um descontentamento geral quanto a atuação dos mesmos. Se estes senhores e senhoras resolvessem cumprir com suas obrigações seja no legislativo, seja no executivo, não haveria toda essa falta de crença nos entes políticos. Bastava fazer o que diz a lei!!!
 
Não podemos esquecer que o poder judiciário também é alvo constante da ira das pessoas em geral. Curiosamente há muita injustiça no poder judiciário – um tanto paradoxal. Muitas vezes em todas as esferas do mesmo. Desde o mais graduado ministro de algum tribunal superior até o estagiário de alguma secretaria de algum fórum. Mas não precisava ser assim. Bastava que cada um fizesse a sua parte como deve ser feita. Nem mais nem menos!!!
 
Não vou me alongar mais em exemplos pois acredito que o leitor já compreendeu bem o cerne deste post!!! Mas penso que existe material para se construir uma tese de doutorado sobre essas questão de fazer a coisa certa, de seguir a lei, de não tentar dar um jeitinho para beneficio próprio e os outros que se explodam.
 
Mas como isso seria possível?? Via decreto???!!! Ah! Seria muito bom e muito fácil!!! Imaginem aí que a partir da data X do mês Y do ano Z, todas as pessoas daquele país passariam a fazer a coisa certa!! Pena que não é assim. A verdadeira mudança vem a partir de cada um, de cada cidadão, de cada gestor, de cada político, enfim, de cada um que faz parte de um povo e é esse povo que é a unidade básica deste país! Isso demanda tempo! Demanda muito tempo, pra falar a verdade! Mas tem que ser desencadeado esse processo.
 
Uma questão complexa como essa jamais será resolvida com ações pontuais e muito menos com medidas simples. Não tem como fazer isso!!! O êxito dessa empreitada, na verdade, depende mesmo é de cada um de nós! Não adianta ficar esperando por uma solução mágica, ou que venha alguém no seu Zepellin prateado e vendo tanta iniquidade resolva acabar com tudo para só assim acontecer a conversão moral de um povo.
 
Enfim, muitos desses problemas que envergonham a muitos sequer existiriam se cada um resolvesse fazer a coisa certa, que agisse dentro da lei, que não tentasse levar vantagem em tudo e sobre todos. A mudança da sociedade só acontecerá quando cada integrante dessa sociedade resolver mudar! Mudemos o povo, suas atitudes, seus valores morais, suas concepções do que é certo e errado, e todo um país será mudado automaticamente. Afinal, o povo é quem faz o país!
 
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[ O Fim de Semana do Ano ]

Dezembro é como se fosse o fim de semana do ano, né?!

É interessante notar que nesse mês o povo, de uma maneira bem geral, fica mais amável, mais carinhoso e caridoso, enfim, há um espírito de fraternidade e amor entre a humanidade!

E depois de dezembro… Tudo volta a ser como antes!!

Ah… Em dezembro também são feitos os balanços pessoais: o que se fez e que se deixou de fazer, os projetos que não saíram do papel, as dietas que ficaram só na vontade, as viagens que ainda não aconteceram… E depois de feito o balanço joga-se para o ano que vem tudo aquilo que não foi realizado. E aí surgem os JKs dos planos pessoais: fazer 50 anos em 5!!!

O mais legal mesmo de dezembro é que a gente vai mesmo desacelerando! E particularmente no caso dos brasileiros, desaceleramos tanto que só voltamos ao ritmo normal depois do Carnaval!!!

Então, bem vindo ao mês do balanço existencial!!!! 😉

[ Grandes Problemas dos Anos 10 do Século XXI ]

Os administradores da vida alheia.

Os administradores da vida alheia acreditam que podem conduzir a vida dos seus semelhantes sempre dizendo o que estes devem ou não fazer.

Os administradores da vida alheia creem que estão ajudando seus semelhantes impedindo que estes venham a errar. Esquecem que quando erramos podemos ter uma grande oportunidade de aprendizado.

Os administradores da vida alheia consideram-se superiores moral e intelectualmente aos seus administrados. Esse sentimento faz com que os administradores da vida alheia se considerem autoridades que possuem poder sobre seus administrados.

Os administradores da vida alheia possuem uma forte crença que estão ajudando o mundo a ser um lugar melhor.

Seria tão melhor se os administradores da vida alheia deixassem que os demais tocassem suas vidas de acordo com seus desejos.

Seria tão melhor se os administradores da vida alheia entendessem que se eles não gostam de algo é só não fazer esse algo, se não gostam de um lugar é só não ir lá, se não gostam de uma música é só não ouví-la, enfim, evitar fazer aquilo que não gosta e deixar em paz quem gosta.