[ Fenômenos Curiosos ]

Faz algum tempo observo que o acesso à informação que vem se tornando cada vez mais amplo e facilitando gera em muitos de nós dois fenômenos curiosos e similares.

O primeiro é a sensação de possuir muito conhecimento. Mas informação e conhecimento são duas categorias distintas. Saber o que fazer com as informações constitui conhecimento. O conhecimento também envolve saber separar a informação boa da ruim. Conhecimento requer reflexão, isto é, pensar sobre as informações disponíveis.

O segundo é a impressão de que se é sábio. Se o conhecimento é uma categoria bem diferente da informação, sabedoria é mais ainda. A sabedoria requer muito mais reflexão e ponderação assim como alguma dose de prudência até.

Venho notando, e isso é uma observação puramente pessoal e não está embasada em nenhuma quantificação mais séria e rigorosa, que estes dois fenômenos são muito comuns entre a rapaziada de vinte e poucos anos.

[ Reflexão vespertina ]

Curiosamente somos bastante influenciados (e quiçá comandados) por diversas entidades puramente abstratas tais como:

– O sistema (é quase um deus, onipresente e onisciente).

– A mídia (é outra que é quase um deus!).

– O governo (sim, o governo é uma entidade abstrata, as pessoas que fazem parte do mesmo, que os representa, são meras representações, ou melhor, instâncias dessa classe puramente abstrata).

Curioso notar também é que muitas vezes é extremamente mais cômodo e confortável, culpar e responsabilizar essas entidades abstratas por tudo aquilo que consideramos errado ou incorreto. Como se essas entidades abstratas fossem entes independentes, que possuem vontade própria, agem conforme um plano elaborado por elas mesmas.

Mas há um elemento comum a essas entidades. Existe um elo que as liga.

Afinal qual o elemento comum que existe entre essas três abstrações?!

R: Todas elas são criações da espécie humana!!! E assim, de criadores passamos a reféns, servos, dependentes, da criatura!!!

Não seria melhor ao invés de culpar essas criações humanas puramente abstratas voltarmos a nossa crítica a nós mesmos?! Entender que aquilo que atribuímos a estas entidades abstratas no final das contas não passa de nossa própria culpa máxima culpa?!

😉

[ Sobre julgamentos e nosso conjunto de crenças ]

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Antes de dar prosseguimento a este texto é importante frisar que as crenças as quais eu me refiro logo em seu título não se referem tão somente à crenças religiosas. Quando falo crenças estou me referindo a tudo aquilo que você acredita, seja no plano religioso, político, científico etc.

Somos seres que creem. Assim que nascemos talvez nossa primeira crença nos é dada através do peito materno: através dele acaba a fome. Lógico e evidente que um bebê ainda não tem condições de construir pensamentos com este nível de complexidade de palavras e símbolos, ok?! Mas nossos mecanismos mentais já nos instruem, ainda que instintivamente, quanto a isso e além disso vem a outra crença inicial do bebê: chorando eu sou atendido!!!

Crescemos, aprendemos a falar e depois a ler e a escrever, vamos para a escola, nos socializamos, fazemos amigos e a vida segue e nesse sentido vamos acumulando mais e mais crenças. Seja através da família, seja através da escola, dos livros que lemos, dos filmes que assistimos, da internet, enfim, a todo momento alguma crença nos é apresentada!

Ah… E também julgamos!!!

Julgamos um alimento como bom ou ruim!

Julgamos um livro como bacana!

Julgamos que fizemos uma escolha ruim quando resolvemos ir a determinado restaurante no qual fomos mal atendidos.

Em suma, julgamos quase que todos os dias e o dia todo!!!

Mas nossos julgamentos são construídos também por nossas crenças. Nossas crenças é que nos dão o embasamento para construirmos nossos julgamentos!

E quando julgamos pessoas ou atitudes das mesmas? Esse julgamento também se dá por nossas crenças?! Sim, por incrível que pareça!!!

Vamos a um exemplo com um tema um tanto espinhoso: a morte!

Morrer é uma certeza! Talvez sejamos os únicos seres vivos que sabem (já que essa crença nos foi passada) que a vida tem uma finitude, que a vida pode ser encarada como sendo um intervalo de tempo entre o momento que nascemos e o momento que morremos. Enfim, é possível que todo ser humano saiba que um dia vai morrer! Talvez essa consciência de finitude tenha sido uma grande sacanagem de todos esses anos de evolução desde a época que vivíamos nas alturas das árvores até hoje que vivemos nas alturas dos arranha-céus!!!

Continuemos… Imagine que uma dada pessoa, conhecida sua perde um ente querido. Passado a missa de sétimo dia essa pessoa resolve fazer um programa, digamos, divertido! Ela se diverte, ela ri, ela parece estar feliz! Imaginaram a cena??!!

Pois bem, é possível que muitas pessoas, dadas as suas crenças relacionadas à morte julguem esse nosso personagem de maneira negativa!!! É bem provável que digam coisas do tipo: “Como pode???!!! Já está toda feliz!!! O falecido nem sequer esfriou!!!??”, “Isso é um desrespeito para com a memória do falecido!! Nem preto está usando!!!” e outras muitas coisas que pessoas que creem que o luto deva ser vivido com muita intensidade e sofrimento, e que em suas crenças não admitem manifestações de alegria logo após a morte de um ente querido.

Essas pessoas que julgam dessa forma estão certas?? Elas estão erradas???

Nem certas nem erradas! Elas estão vendo a vida através das suas crenças! O mínimo que poderiam fazer era pelo menos respeitar a forma como o nosso personagem também vê a vida!!!!

Ora, nosso personagem pode ser uma pessoa que crê que após a morte há uma vida melhor e que aquele ente querido que estava sofrendo nessa vida está bem melhor agora! E se essa pessoa também crê que ela irá ao morrer encontrar-se com ela nessa vida pós-morte por quê haveria de estar triste?! Essas são as crenças dessa pessoa e por isso ela deva encarar a morte de maneira bem mais leve que aqueles outros.

Enfim, antes de emitirmos um julgamento acerca do comportamento de alguém é fundamental que analisemos a nossas crenças a respeito, busquemos saber as crenças daquela pessoa. Não vamos contribuir mais ainda com a intolerância do mundo!!! Afinal de contas, nossas crenças contribuem muito para formar a nossa visão de mundo. A realidade que nos cerca, muitas vezes se apresenta para nós através de nossos filtros!!!

 

Originalmente, publiquei este texto em minha página do Facebook no dia 21 de agosto de 2014.

[ Uma questão de conforto e consolo, seja na religião, seja na política ]

crenças

A palavra fé vem do latim fides, e do Grego pistia, que é a firme opinião de que algo é verdade, sem qualquer tipo de prova ou critério objetivo de verificação, pela absoluta confiança que depositamos nesta ideia ou fonte de transmissão. Em palavras mais simples, podemos dizer que fé é acreditar naquilo que não vemos!

Bom, partindo desse princípio é fácil observar que no contexto religioso a fé é exatamente isso. Além do mais, a fé traz um conforto e um consolo àquele que professa algum credo. Esse consolo se manifesta de diversas maneiras, seja na crença de que a vida não termina com a morte do corpo, isto é, a ideia de paraíso, ou vida após a morte, seja na crença de que há uma coisa melhor guardada para você mesmo diante de todas as desgraças da vida, ou que tudo vai dar certo no final. Enfim, a fé, para muitos é extremamente necessária! Percebo que se não fossem essas crenças muitos até já teriam se matado!

E na política existe isso?!

Sim, e como existe!!!!

Meu campo de observação, e porque não dizer, espaço de pesquisa, tanto tem sido tanto aqui, o mundo facebookeano, como o cotidiano, conversando com as pessoas. Tenho notado, especialmente nas defesas apaixonadas e acaloradas que muitos fazem de certos políticos ou partidos políticos e até mesmo ideologias, a mesma empolgação daqueles que professam um determinado credo, ou que possuem fé em algo! Incrível como há fé, não do ponto de vista religioso, em políticos e em partidos.

E assim como a fé do ponto de vista religioso é algo necessário para manter o equilíbrio de muitos, a fé em uma ideologia, partido ou político em especial também se mostra igualmente necessário para manter o norte de outros tantos!! É quase impossível eu imaginar certas pessoas sem a crença em um determinado político ou partido!

E aí vemos um paralelo interessante entre religiões e certas ideologias político-partidárias! Enquanto que as religiões prometem o paraíso após a morte, muitos partidos políticos, através de seus representantes (seriam o equivalente a sacerdotes???) prometem também uma vida melhor, só que aqui mesmo, nessa existência!!! Pena que muitas e muitas vezes ficam apenas na promessa, na retórica!

No final das contas, o que vemos é que tanto no plano religioso como no político, muitas e muitas pessoas se apegam a um conjunto de crenças e passam a pautar suas vidas naquilo! E ai de quem discordar delas! E se caso tentar demovê-las das mesmas ou poderá levá-las a um estado de profunda desilusão e consequente depressão, ou imensa revolta para com aquele que proferiu a heresia, seja ela de cunho religioso, seja ela de cunho político-partidário!

Portanto, quando percebo que um conjunto de crenças é responsável por trazer um certo conforto e consolo a alguém, sejam essas crenças de cunho religioso ou político-partidário, não tentarei convencê-lo do contrário. Afinal de contas, vai ver que esta pessoa encontrou este conforto e este consolo para suas dores existenciais nessas crenças. Sejam crenças de uma vida melhor após a morte ou uma vida melhor com a eleição de algum candidato. Só espero que a recíproca seja verdadeira, isto é, que venha a respeitar minhas crenças, que podem ser altamente contrárias àquilo que ela pensa, seja do ponto de vista religioso, seja do ponto de vista político-partidário! Quando não há esse componente de fé nos posicionamentos político-partidários, aí sim, um bom debate de ideias é salutar, do contrário será simplesmente desperdício de energia mental!

P.S.: Este texto foi originalmente publicado em minha conta do Facebook, em 03 de maio de 2014.

[ Lições da Caverna do Facebook – O Poder das Crenças ]

Farol
 
O poder das crenças é impressionante.
 
Uma vez instalada nos corações e mentes, as crenças passam a guiar, a conduzir os passos, a direcionar as escolhas, a dirigir de fato a vida de alguém ou de uma coletividade.
 
Um conjunto de crenças para ser bem instalado em corações e mentes precisa primeiramente estabelecer uma relação de identidade com o futuro hospedeiro. Esse é, digamos, o calcanhar de Aquiles das crenças: se não houver uma identidade com os hospedeiros é praticamente impossível das crenças serem instaladas de forma absoluta em mentes e corações.
 
E uma vez instaladas as crenças, só com muito esforço para removê-las. Uma vez que as crenças passam a fazer parte daquelas pessoas. Remover as crenças é como amputar um membro!
 
A meu ver é necessário além da relação de identidade também uma constante repetição. Assim, quanto mais corações e mentes são bombardeados pela crença (ou por um conjunto delas) mais natural vai sendo seu processo de instalação.
 
Como muita coisa na vida, há crenças saudáveis e outras nem tanto. Há crenças que são produzidas com a finalidade de criar um verdadeiro exército para realizar algo que alguma inteligência central deseja. É curioso notar que nesses casos os hospedeiros das crenças passam a agir como autômatos teleguiados que ficam o tempo todo esperando pelo próximo comando a ser dado por aquela inteligência central acima citada.
 
A referida inteligência central pode assumir várias facetas. Pode ser um veículo de comunicação, pode ser um líder religioso ou até mesmo os lideres de alguma agremiação político-partidária.
 
A Caverna do Facebook é um ambiente altamente propício à disseminação de crenças e recrutamento de corações e mentes pois a informação flui com muita rapidez e além do mais o algoritmo que escolhe o que cada habitante da Caverna do Facebook vai ver se encarrega de juntar silenciosamente os seguidores de cada conjunto de crenças.