[ Reflexão acerca da Festa da Democracia ]

É comum as eleições serem chamadas de “A Grande Festa da Democracia “. Os que assim chamam as eleições, emendam logo com frases do tipo: “É o momento em que o eleitor escolherá aqueles que irão conduzir os destinos do município, estado ou país!!!”

Mas é curioso observar que antes da “Festa” já fizeram uma pré-escolha!!! Ou seja, antes da “Festa” começar uma parte dos que vão curtir os embalos eleitorais e disputar a preferência dos outros convidados, isto é, os votos dos eleitores, já foram escolhidos antecipadamente e sem a participação ou opinião destes outros convidados. E muitas vezes as escolhas prévias são horríveis!!!

Aqueles que são convidados somente para votar na tal “Festa” ficam entre a desgraça e a tragédia de tão pavorosas que são muitas vezes as opções de escolha!!!

Talvez, quem sabe, um dia, se os convidados a votar na tal “Festa” também puderem opinar na escolha dos nomes que serão colocados à disposição essa “Festa” seja bem mais festiva!! 😉

​[ Dois Discursos ]

Em geral, os chamados líderes políticos mais tradicionais, esses que há anos vem fazendo da política seu meio de vida em nosso país, possuem dois discursos:

1. O Discurso para As Massas: é aquele usado para entusiasmar a militância, fazer o pessoal pegar em lanças e bandeiras, gritar a plenos pulmões na época das campanhas, brigar com a militância adversária, enfim, é o discurso público. Geralmente esse dicurso é carregado de sonhos, ideais, muito O QUE FAZER e nada de COMO FAZER.

2. O Discurso Oculto: esse, como o próprio nome dá a entender, não é voltado para as massas, para a grande militância. É muito mais pragmático que o primeiro discurso. Esse dicurso oculto é aquele que será de fato posto em prática. Claro que com alguma maquiagem para poder ficar parecido com o primeiro. Esse segundo discurso é justamente aquele que é acertado somente entre a elite que vai de fato tocar o poder caso o primeiro discurso seja vencedor nas urnas. Esse discurso oculto é muito mais fácil de ser colocado em prática do que o anterior, uma vez que ele é pragmático e não idealista.

O interessante é que como somos dados a acreditar em tudo aquilo que condiz com nossos sonhos e desejos, nem nos damos conta de que o primeiro discurso é apenas e tão somente uma encenação, posta em prática para ludibriar o eleitorado mais apaixonado, mais crente, mais encantado… É através do discurso voltado para as massas que o caminho para a realização do discurso oculto é devidamente pavimentado.

E segue o enterro…

[ Alienação & Subserviência ]

Atestado de alienação e subserviência política: votar em um candidato somente e simplesmente porque um ou vários líderes políticos o apoiam. E pior ainda é achar isso a coisa mais natural do mundo dizendo que vota em qualquer um que o tal líder político indicar!!!

Por incrível que pareça, mas o voto de cabestro ainda persiste forte muito forte.

Mas isso é consequência da falta de uma formação política e também da ausência de um pensamento crítico mais forte.

Enquanto não houver desenvolvimento intelectual dos eleitores isso vai persistir!!

[ Vivemos a Procura de um Mágico de Oz ]

No filme O Mágico de Oz, Dorothy Gale (Judy Garland), uma simpática estudante de 11 anos, junta-se ao homem de lata, que deseja ter um coração, ao leão covarde, que almeja possuir coragem e ao espantalho que sonha em ter um cérebro. E Dorothy, já ia me esquecendo, quer voltar pra casa, ou melhor para a fazenda onde vive com seus tios.

É dito para os quatro que eles devem procurar o Mágico de Oz, homem dotado de poderes sobrenaturais, que poderá realizar o sonho de cada um dos quatro.

E lá se vão os quatro pela estrada de tijolos amarelos encontrar com o tal Mágico.

O Mágico, na verdade, é um velho artista de circo, que tinha sido um mágico ilusionista, que é levado num balão desgovernado para Oz. Ali chegando, finge ser um poderoso feiticeiro e cria, mediante muitos truques, o mito de que é verdadeiramente um bruxo. A população local acredita no seu poder e logo elegem o Mágico seu governante.

Como pode ser observado no parágrafo anterior, o Mágico é na verdade um embuste, que simplesmente enganou a população de Oz com seus truques. E o pior é que essa população alça o Mágico fajuto ao cargo de governante.

Bom, mas onde estou querendo chegar com tudo isso??!!!

Vocês já notaram que muitos dos nossos políticos se comportam como o Mágico de Oz? Esses políticos através de truques midiáticos, bem como retóricos, encantam toda uma população que, assim como o povo de Oz, os transforma em governantes?!

E os eleitores, quem seriam na história?! Estariam nossos eleitores em uma eterna busca por um Mágico de Oz que resolvesse os problemas da coletividade?! Ficam essas questões para vocês, caros leitores, responderem!

😉

[ Esperança e Medo: Os Afetos que Regem uma Disputa Eleitoral ]

Há algum tempo vi o filósofo Vladimir Safatle dizer que em uma campanha eleitoral a esperança e o medo são dois lados de uma mesma moeda. Que são esses afetos que vão ser fundamentais para boa parte do eleitorado fazer suas escolhas.
 
A esperança é o afeto de quem ainda não conseguiu, que está esperando por algo. Essa espera pode ser por alguma coisa material, uma casa, por exemplo ou mesmo subjetiva, uma vida melhor, seja lá o que vem a ser isso.
 
E onde é que entra a esperança em uma campanha eleitoral?
 
Vamos e venhamos, boa parte da nossa população vive de esperança. Uns mais, outros menos. Somos um país que ainda precisa melhorar muito em muitos e muitos aspectos. E isso é terreno fértil para o cultivo de esperanças. Em muitas cidades boa parcela da população ainda não tem acesso a inúmeros serviços básicos e essenciais. Essa mesma população, muitas vezes, nem direito a sonhar com um futuro melhor tem.
 
A cada eleição os candidatos jogam principalmente com essas esperanças. As promessas de campanha, os projetos de governo, visam em sua essência atender as esperanças da maioria. É nesse momento que a campanha eleitoral se assemelha a venda de um produto. Quem conseguir melhor satisfazer a esperança será “comprado” pelo eleitorado.
 
E o medo?!
 
O medo, que é o outro lado dessa moeda, é justamente o temor da esperança não ser satisfeita que ela seja eternamente uma esperança a ser alcançada. O candidato que o eleitor não escolhe, certamente é aquele que mais medo lhe passa, medo de que suas esperanças não sejam satisfeitas, medo de que o que está ruim fique pior, medo de que nunca a vida melhore, medo… Medo… Medo…
 
Muito provavelmente, os eleitores quando vão decidir quem eles irão “comprar” para satisfazer as suas esperanças e afastar os seus medos, calculam quem é que tem mais poder de conseguir isso.
 
Acontece que as eleições passaram. Os eleitos já estão conhecidos e em janeiro o eleitorado que confiou neles como sendo os que vão lhes atender as esperanças e afastar os seus medos já irá querer ver algo acontecer.
 
Para a sorte dos eleitos, tradicionalmente o eleitorado dá seis meses para que a casa seja colocada em ordem, ainda que tenham pego a prefeitura, por exemplo, das mãos de um aliado ou de si próprio, no caso de reeleições. Depois desses seis meses a paciência do eleitorado começa a ficar menor.
 
O momento agora é de festa para muitos vencedores. Porém não podemos deixar de lembrar que 2017 tende a ser um ano não muito fácil. Ainda estamos vivendo em meio a uma recessão econômica e pra piorar mais ainda a situação poderemos entrar em mais um ano de chuvas abaixo da média. Por falar nisso, penso e que mesmo que as chuvas do ano que vem sejam na média ainda assim não serão suficientes para recarregar boa parte dos açudes de nosso estado. Enfim, 2017 tende a ser um ano de muitos desafios para os novos gestores ou para os que receberam uma segunda chance do seu eleitorado.
 
A campanha se foi… Mas as esperanças e medos ainda permanecem. Os problemas da cidade não sumiram como que por encanto com o fim da campanha eleitoral. Eles irão se mostrar amanhã mesmo. As esperanças só deixam de existir quando elas são atendidas, quando os anseios são satisfeitos, enquanto não são, o eleitor vive em compasso de espera, por isso ele tem esperança. E enquanto houver esperança haverá medo, medo de que as esperanças não sejam devidamente satisfeitas…

[ As Igrejinhas ]

Quanto mais vai se aproximando o dia das eleições mais os posts dos apoiadores dos candidatos vão se transformando em verdadeiras igrejinhas nas quais os devotos (apoiadores) passam o tempo todo louvando e adorando seus objetos de devoção (os seus candidatos) e exorcizando os demônios (os seus adversários).

E como boas igrejinhas, nesses posts só encontramos quem compartilha a mesma profissão de fé.

[ O agoravaiismo ]

O agoravaiismo é um movimento muito comum no mundo da política.

É quando os principais agentes políticos passam a dizer para a população em geral que “agora vai”.

“Agora vai” acontecer aquilo que ficou de acontecer e não aconteceu.

“Agora vai” ser feito aquilo que precisava ser feito e não foi feito.

“Agora vai” ser do jeito que é pra ser e nunca foi.

Agora vai… Agora vai…

O agoravaiismo é um movimento que mexe com a esperança das pessoas, que cria e alimenta sonhos e ilusões e por isso pode levar muita frustração àqueles que aderem a este movimento.

Sejamos cautelosos com os agoravaiismos da vida!!!!