[ Muito Receio ]

Na boa… Mas eu tenho um receio doido, uma desconfiança gigante com relação aqueles que dizem querer “salvar a humanidade” e discursos afins.

A primeira coisa que tenho medo é justamente do que esses indivíduos querem nos salvar! É muitas vezes aquele lance em que os sujeitos quererem estabelecer algo que para eles é o ideal, uma utopia, mas que para muitos outros é uma verdadeira vizão do inferno.

O pior é que noto que cada vez mais surgem ao nosso redor, dentro e fora da FaceCaverna, pessoas que acreditam que o mundo, que a realidade é como um filme da Disney, ou que é possível existir uma Liga da Justiça pronta para resolver todos os problemas do mundo.

Posso parecer pessimista, mas não consigo acreitar que um dia será possível existir tal instituição (a Liga da Justiça) dada a crescente complexidade do mundo e da nossa espécie, dos interesses e prioridades de cada ser humano que habita este pálido ponto azul que vaga pelo espaço sideral.

Assim sendo, seria muito bom tentarmos compreender que quando grupos de pessoas se reunem em prol de uma causa, não necessariamente esse grupo terá obrigação de também se engajar na resolução de todos os problemas da humanidade. Bem como devemos nos manter atentos e com o ceticismo sempre ligado quando pintarem os que tentam se colocar como a Liga da Justiça almejando “salvar a humanidade”.

[ Homo Deus: Um Livro que Vale a Pena ser Lido – Parte Dois ]

Dando continuidade a uma série de posts iniciada em 27 de junho de 2017 aqui, trago mais alguns trechos do livro Homo Deus – Uma Breve História do Amanhã.

Somente os animais que calculam corretamente as probabilidades deixam uma prole.

Em segundo lugar, os deuses teriam de realizar uma mediação entre os humanos e o ecossistema. No cosmo animista, todos falavam com todos diretamente. Se precisasse de alguma coisa de um caribu, de uma figueira, das nuvens ou das rochas, você mesmo se dirigia a eles. No cosmo teísta, todas as entidades não humanas foram silenciadas. Consequentemente, não é mais possível falar com árvores e com animais. O que fazer, então, quando alguém quisesse que as árvores dessem mais frutos, as vacas dessem mais leite, as nuvens trouxessem mais chuvas e os gafanhotos deixassem suas colheitas em paz? É aí que os deuses entram em cena. Eles prometiam chuva, fertilidade e proteção, contanto que os humanos fizessem algo em troca. Essa era a essência do acordo agrícola. Os deuses salvaguardavam e multiplicavam a produção agrícola e, em troca, os humanos tinham de compartilhar sua produção com os deuses. Esse acordo servia a ambas as partes, à custa do restante do ecossistema.

A Bíblia não conseguiria imaginar um cenário no qual Deus se arrependesse de ter criado o Homo sapiens, varresse esse macaco pecaminoso da face da Terra e depois passasse a eternidade se divertindo com os trejeitos de avestruzes, cangurus e pandas.

A fazenda agrícola tornou-se assim o protótipo de novas sociedades, que incluíam os empolados senhores, as raças inferiores destinadas a serem exploradas, animais selvagens prontos para serem exterminados, e um grande Deus acima de tudo, dando Sua bênção a esse arranjo todo.

O surgimento da ciência e da indústria modernas trouxe consigo a revolução seguinte nas relações entre homens e animais. Durante a Revolução Agrícola, a humanidade silenciou animais e plantas e transformou a grande ópera animista num diálogo entre o homem e deuses. No decorrer da Revolução Científica, a humanidade silenciou também os deuses. O mundo transformou-se em um one man show. O gênero humano estava sozinho num palco vazio, falando consigo mesmo, negociando com ninguém e adquirindo poderes enormes sem nenhuma obrigação. Depois de decifrar as leis mudas da física, da química e da biologia, o gênero humano agora faz com elas o que quiser.

Enquanto a Revolução Agrícola deu origem às religiões teístas, a Revolução Científica fez nascerem as religiões humanistas, nas quais humanos substituem deuses. Os teístas cultuam theos (“deus”, em grego), e os humanistas cultuam humanos. A ideia fundamental das religiões humanistas, como o liberalismo, o comunismo e o nazismo, é que o Homo sapiens tem uma essência única e sagrada, fonte de todo o sentido e de toda a autoridade no Universo. Tudo o que acontece no cosmo é considerado bom ou mau de acordo com o impacto que exerce sobre o Homo sapiens.

Turing sabia por experiência pessoal que não importava o que você realmente é — a única coisa que importa é o que os outros pensam a seu respeito.

Quando tentamos determinar se uma entidade é consciente, o que comumente estamos buscando não é uma aptidão para a matemática ou uma boa memória, e sim a capacidade de criar relações emocionais conosco.

Em vez disso, o fator crucial de nossa conquista do mundo foi nossa capacidade de conectar muitos humanos uns com os outros.

Para poder montar uma revolução, números nunca são suficientes. Revoluções comumente são feitas por pequenas redes de agitadores, e não pelas massas. Se você quiser desencadear uma revolução não se pergunte: “Quantas pessoas apoiam minha ideia?”. A pergunta correta a fazer é: “Entre os que me apoiam, quantos são capazes de prestar uma colaboração eficaz?”.

 

[ O ser humano incrivelmente bom – Os bandidos ]

Aquele sujeito era uma boa alma. Ele não conseguia ver a maldade nos outros humanos. Para ele, a humanidade é boa e muitos, na verdade, são pessoas que sofrem de uma grande incompreensão por parte das outras pessoas.

Certa vez, o ser humano incrivelmente bom estava em uma padaria juntamente com outros seres humanos. Na TV da padaria estava sendo noticiado um crime que havia acontecido. Foi um assalto seguido de morte.

Enquanto os demais seres humanos bradavam palavras carregadas de ódio e raiva contra o acusado do crime, o ser humano incrivelmente bom dizia para aqueles que estavam próximos a ele:

– É muito errado chamar de bandido este ser humano que é acusado de cometer este crime!

– Por quê?! Quis saber alguém próximo.

– Ora, este ser humano é apenas um desafortunado que escolheu o caminho equivocado. Ele não deve ser visto como um ser humano mal. Ele é bom. Em seu íntimo há bondade. Apenas fez escolhas erradas. Garanto que se ele tivesse tido melhores oportunidades não teria cometido esse crime. Ele é bom! E se não lhe forem dadas outras oportunidades de mostrar o ser humano bom que ele é em essência jamais ele deixará de cometer crimes. Ele é bom! Só lhe falta oportunidade para mostrar a sua bondade adormecida. Ele não é um bandido. É apenas um ser humano que não teve as devidas oportunidades de expor sua bondade inata.

Depois desse momento, o ser humano incrivelmente bom deixou a padaria, imerso em seus pensamentos e profundamente entristecido por os outros seres humanos não conseguirem enxergar a bondade que há em todos os seres humanos…

P.S.: Este texto foi originalmente publicado em minha página no Facebook em 09 de Julho de 2015.

[ Dica de Leitura – “Sapiens: Uma Breve História da Humanidade” ]

sapiens

Sinopse:

O autor repassa a história da humanidade, ou do homo sapiens, desde o surgimento da espécie durante a pré-história até o presente, mas em vez de apenas ‘inventariar’ os fatos históricos, ele os relaciona com questões do presente e os questiona de maneira surpreendente. Além disso, para cada fato ou crença que temos como certa hoje em dia, o autor apresenta as diversas interpretações existentes a partir de diferentes pontos de vista, inclusive as muito atuais, e vai além, sugerindo interpretações muitas vezes desconcertantes.

Alguns trechos:

“Um grande número de estranhos pode cooperar de maneira eficaz se acreditar nos mesmos mitos”.

“Ao contrário da mentira, uma realidade imaginada é algo em que todo mundo acredita e, enquanto essa crença partilhada persiste, a realidade imaginada exerce influência no mundo”.

“A capacidade de criar uma realidade imaginada com palavras possibilitou que um grande número de estranhos coopere de maneira eficaz. Mas também fez algo mais. Uma vez que a cooperação humana em grande escala é baseada em mitos, a maneira como as pessoas cooperam pode ser alterada modificando-se os mitos – contado-se histórias diferentes. Nas circunstâncias adequadas, os mitos podem mudar muito depressa. Em 1789, a população francesa, quase da noite para o dia, deixou de acreditar no mito do direito divino dos reis e passou a acreditar no mito da soberania do povo”.