[ A Treta Inútil de Sempre ]

É fato: toda vez que o assunto nazismo vem à tona surge alguém pra dizer que o nazismo é “de esquerda” ou alguém que afirma que o nazismo é “de direita”.

Vamos e venhamos, isso acaba reduzindo perigosamente a questão do nazismo.

Mas essa atitude é bem típica do comportamento clubista que reina entre nós há tempos.

O pior desse comportamento clubista é que as torcidas acreditam que são detentoras do monopólio das virtudes e que quem não faz parte do seu clube é dono do monopólio da maldade.

Porém é preciso ter consciência de que não há entre grupos humanos quem seja detentor desse monopólio das virtudes.

Em suma, regimes de esquerda foram responsáveis por atrocidades assim como regimes de direita também foram. Não há santos e puros nessa história.

Seria muito mais proveitoso que deixássemos essa discussão boba de lado e nos conscientizássemos de que o nazismo foi algo abominável e que jamais deveria voltar a existir.

[ Index Prohibitorum do Mundo da Internet ]

“O Index Librorum Prohibitorum, em tradução livre o Índice dos Livros Proibidos, foi uma lista de publicações proibidas pela Igreja Católica. Obras eram incluídas na lista caso contivessem teorias que a Igreja Católica Apostólica Romana não apoiava”. Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Index_Librorum_Prohibitorum

Interessante que de uns tempo pra cá, seja aqui no Mundo Facebookeano, em outras redes sociais ou até mesmo nos grupos do zapzap vira e mexe pinta alguma lista que visa proibir algo aos demais.

Ora são jornais e revistas que não devem ser lidos pois não estão de acordo com o pensamento de quem elaborou a lista. Ora são bandas, cantores e afins que não devem ser ouvidos porque fizeram algo que não está classificado como correto na visão de quem elaborou a lista. Ora são trabalhos de algum artista que não devem ser vistos pois esse artista falou algo que não está de acordo com a visão de mundo daquele que elaborou a lista.

Chego a ficar um tanto quanto preocupado quando vejo a Internet se transformando num verdadeiro celeiro de Index Prohibitorum.

A meu ver essas listas são um tanto quanto autoritárias pois quem deve decidir o que ler, o que ouvir ou o que ver, deve ser o indivíduo e não alguém ou algum grupo que se acha no direito de decidir pelos outros.

Será mesmo que os autoritários não se enxergam como tais!?

[ Questões Complexas, Explicações Simples ? ]

Será que vivemos um momento de explicações fáceis para questões complexas?

Nesses tempos de internet, uma das coisas, das muitas coisas, diga-se de passagem, que chamam demais a minha atenção são as inúmeras tentativas de resumir questões complexas, muitas vezes altamente complexas, com inúmeras variáveis e desdobramentos e nada linear, a textos de poucas linhas, poucos parágrafos.

Aí, meus caros, haja superficialidade nas análises e haja manadas e mais manadas de ávidos por uma explicação fácil que não exija muito esforço intelectual seguindo coisas sem muito aprofundamento e acreditando piamente que aquele resumo da questão complexa explica tudo e que a verdade está ali e pronto, está tudo devidamente explicado!

Como seria bom se as questões complexas de nosso tempo igualmente complexo pudessem mesmo serem explicadas em poucas linhas, em 140 caracteres ou mesmo em gráficos extremamente simplórios!

Portanto, meus caros, vamos ter um pouco mais de ceticismo para com esses resumos que vivem aparecendo por aqui prometendo lhe explicar de maneira simples e resumida tantas questões que só através de muito estudo é que se poderá chegar a alguma conclusão no mínimo racional e menos passional!

[ Os Que Amam Odiar ]

A internet de maneira geral e o Facebook mais especificamente se tornaram meios excelentes para aqueles que amam odiar.

Parece contraditório juntar esses dois sentimentos. Mas por incrível que pareça os que amam odiar são muito mais comuns que imaginamos.

Os que amam odiar geralmente tem como alvo pessoas que possuem uma certa visibilidade e fama. Muito mais visibilidade e fama do que os que amam odiar.

Quem ama odiar não perde oportunidade de expor aos demais a sua condição. Talvez seja algo que lhe dê prazer ou até mesmo lhe sirva de razão para viver.

Não creio que tenha sido a internet ou o Facebook quem “criou” os que amam odiar. Essas pessoas sempre viveram entre nós, apenas não haviam se revelado. Como dizem, não é a ocasião que faz o ladrão mas sim é a ocasião que revela o ladrão.

É fácil identificar alguém que ama odiar outros. Basta observar suas falas, sejam elas escritas ou não, seus compartilhamentos e likes. Tudo isso segue um padrão: o ataque às pessoas que elas amam odiar. Sim, ataques às pessoas já que os que amam odiar parecem não ser bons argumentadores, são limitados.

[ Desinformação ]

As citações abaixo são de Wagner Martins, que escreveu o artigo Desinformação, no livro Para Entender a Internet.

“A frase célebre de que “contra fatos não há argumentos” não funciona mais. Fatos são commodities. Qualquer um pode criar e gritá-lo para o mundo”.

“A Internet não é simplesmente uma rede que interliga as pessoas do mundo. Ela conecta todas as pessoas reais junto com suas personalidades irreais, perfis virtuais e doenças mentais”.

“Uma nova realidade: pouco importa se a informação é verdadeira ou falsa, mas sim o quanto ela pode servir como ferramenta para fundamentar um argumento”.

“O problema, ou a beleza da coisa, é que agora qualquer pessoa pode publicar uma história, estatística, imagem ou número. Real ou fictício. E o que determina se ele vai prevalescer e se espalhar não é a sua confiabilidade de sua fonte, mas sim o quanto ele é útil ou a quantidade de corações que ele conquista”.