[ Sobre julgamentos e nosso conjunto de crenças ]

12HomensEUmaSentenca

Antes de dar prosseguimento a este texto é importante frisar que as crenças as quais eu me refiro logo em seu título não se referem tão somente à crenças religiosas. Quando falo crenças estou me referindo a tudo aquilo que você acredita, seja no plano religioso, político, científico etc.

Somos seres que creem. Assim que nascemos talvez nossa primeira crença nos é dada através do peito materno: através dele acaba a fome. Lógico e evidente que um bebê ainda não tem condições de construir pensamentos com este nível de complexidade de palavras e símbolos, ok?! Mas nossos mecanismos mentais já nos instruem, ainda que instintivamente, quanto a isso e além disso vem a outra crença inicial do bebê: chorando eu sou atendido!!!

Crescemos, aprendemos a falar e depois a ler e a escrever, vamos para a escola, nos socializamos, fazemos amigos e a vida segue e nesse sentido vamos acumulando mais e mais crenças. Seja através da família, seja através da escola, dos livros que lemos, dos filmes que assistimos, da internet, enfim, a todo momento alguma crença nos é apresentada!

Ah… E também julgamos!!!

Julgamos um alimento como bom ou ruim!

Julgamos um livro como bacana!

Julgamos que fizemos uma escolha ruim quando resolvemos ir a determinado restaurante no qual fomos mal atendidos.

Em suma, julgamos quase que todos os dias e o dia todo!!!

Mas nossos julgamentos são construídos também por nossas crenças. Nossas crenças é que nos dão o embasamento para construirmos nossos julgamentos!

E quando julgamos pessoas ou atitudes das mesmas? Esse julgamento também se dá por nossas crenças?! Sim, por incrível que pareça!!!

Vamos a um exemplo com um tema um tanto espinhoso: a morte!

Morrer é uma certeza! Talvez sejamos os únicos seres vivos que sabem (já que essa crença nos foi passada) que a vida tem uma finitude, que a vida pode ser encarada como sendo um intervalo de tempo entre o momento que nascemos e o momento que morremos. Enfim, é possível que todo ser humano saiba que um dia vai morrer! Talvez essa consciência de finitude tenha sido uma grande sacanagem de todos esses anos de evolução desde a época que vivíamos nas alturas das árvores até hoje que vivemos nas alturas dos arranha-céus!!!

Continuemos… Imagine que uma dada pessoa, conhecida sua perde um ente querido. Passado a missa de sétimo dia essa pessoa resolve fazer um programa, digamos, divertido! Ela se diverte, ela ri, ela parece estar feliz! Imaginaram a cena??!!

Pois bem, é possível que muitas pessoas, dadas as suas crenças relacionadas à morte julguem esse nosso personagem de maneira negativa!!! É bem provável que digam coisas do tipo: “Como pode???!!! Já está toda feliz!!! O falecido nem sequer esfriou!!!??”, “Isso é um desrespeito para com a memória do falecido!! Nem preto está usando!!!” e outras muitas coisas que pessoas que creem que o luto deva ser vivido com muita intensidade e sofrimento, e que em suas crenças não admitem manifestações de alegria logo após a morte de um ente querido.

Essas pessoas que julgam dessa forma estão certas?? Elas estão erradas???

Nem certas nem erradas! Elas estão vendo a vida através das suas crenças! O mínimo que poderiam fazer era pelo menos respeitar a forma como o nosso personagem também vê a vida!!!!

Ora, nosso personagem pode ser uma pessoa que crê que após a morte há uma vida melhor e que aquele ente querido que estava sofrendo nessa vida está bem melhor agora! E se essa pessoa também crê que ela irá ao morrer encontrar-se com ela nessa vida pós-morte por quê haveria de estar triste?! Essas são as crenças dessa pessoa e por isso ela deva encarar a morte de maneira bem mais leve que aqueles outros.

Enfim, antes de emitirmos um julgamento acerca do comportamento de alguém é fundamental que analisemos a nossas crenças a respeito, busquemos saber as crenças daquela pessoa. Não vamos contribuir mais ainda com a intolerância do mundo!!! Afinal de contas, nossas crenças contribuem muito para formar a nossa visão de mundo. A realidade que nos cerca, muitas vezes se apresenta para nós através de nossos filtros!!!

 

Originalmente, publiquei este texto em minha página do Facebook no dia 21 de agosto de 2014.