[ Ainda sobre “e se nada der certo…” ]

Neste momento, tenho 41 anos completos mas já me encaminhando para os 42… Portanto, já tive 18 anos… Já tive 20 anos… Enfim, já fui adolescente, jovem e assim como os “xóvens” dos conturbados anos 10 do século XXI, já acreditei em muita coisa.

Algumas das coisas que acreditei quando estava no auge dos meus 18, 19 ou 20 aninhos foi que eu era muito importante para o mundo. Não somente eu, mas todos os da minha geração. “Somos o futuro da Nação!!! Geração Coca-cola!”. Olhava para os mais velhos, o pessoal de 40 e poucos, e os via como ultrapassados, como aqueles a quem o futuro não pertence. Sim. acreditava que eu e meus pares eram tudo isso. Nós nos achávamos a cereja do bolo! A última fonte de água do deserto! Assim como quase toda a juventude se achou e se acha! É natural… É da juventude sentir-se assim tão importante!!

E isso sem nunca ter trabalhado formalmente, sem nunca ter contribuído com um Cruzeiro, um Cruzado, um Cruzeiro Novo, um Cruzado Novo ou um Real para as contas de casa. Assim como muitos da minha geração eu estava há quase duas décadas, sendo apenas e tão somente alguém que era alimentado, vestido e possuía um lar dado por alguém que pagava todas as contas. Mesmo assim eu me sentia alguém muito importante!!! Eu era o futuro!!!

Cheguei a acreditar que como éramos o futuro da nação todos os do presente deveriam cuidar de nós, nos dar o melhor sem exigir nada em troca, afinal de contas, no futuro iríamos “dar” essa retribuição. Queria tudo e mais um pouco. Nada poderia nos ser negado.  “Somos o futuro da Nação!!! Geração Coca-cola!”

Talvez a “primeira ficha caiu” quando eu comecei a ter que pagar minhas contas para comer, me vestir, morar e pasme, me divertir!!!! Meudeusdocéu!!!!! É preciso trabalhar para pagar as contas!!!! :O

Mas o tempo, senhor sábio que nos ensina muito, passou… E assim passei pelos 30 anos e a minha visão sobre ser o futuro da nação começou a ficar um tanto quanto diferente. Creio que foi nessa idade que comecei a me dar conta do meu lugar no mundo.

Hoje, aos 40 e poucos anos estou mais consciente do meu lugar nesse pálido ponto azul que vaga pelo espaço sideral. Agora estou no outro polo do que falei no segundo parágrafo desse texto. Faço parte do conjunto de “coroas” que são vistos pelos “xóvens” como os caras a quem o futuro não pertence mais pois não “Somos o futuro da Nação!!! Geração Coca-cola!”.

Porém, tudo isso não me deixa grilado nem um pouco. Como professor universitário ainda penso que posso de alguma forma dar uma mãozinha para a atual Geração Coca-Cola. E uma das coisas que penso que seja urgente que os “xóvens” dos conturbados anos 10 do século XXI percebam é sobre seu lugar no mundo. Não no mundo de amanhã, quando eles chegarem aos 40 e poucos, mas HOJE, AGORA.

E agora, me perdoem a franqueza, mas aos 18, 19 ou 20 e poucos anos, a maioria de vocês ainda são potência e não ato. Ou seja, vocês podem ter muito potencial para muita coisa. E têm! Mas esse potencial precisa ser desenvolvido antes para se tornar ato, para que a potência deixe de ser apenas algo que pode vir a dar certo. E desenvolver o potencial de alguém leva tempo! Enquanto somos potência somos apenas uma promessa. E promessas precisam ser cumpridas, né?! Há muitos que chegaram a minha idade e não conseguiram transformar aquela potência do tempo que tinha 18, 19 ou 20 anos em ato. Ficaram apenas na promessa do futuro brilhante e nada mais…

Não se confiem! Não se iludam com palavras elogiosas agora! Não se deixem levar pelo canto da sereia do elogio que serve somente para massagear o ego! Somente quando seu potencial for transformado em ato é que você poderá finalmente olhar para si no espelho e dizer: eu venci! Ou estou vencendo! Até lá, muita calma com os afagos do ego! E muita humildade para reconhecer que enquanto potência você não é tão importante assim para o mundo! Um potencial que não é desenvolvido não fará muita diferença para o restante da humanidade.

E por último… Se você já puder de alguma forma contribuir para o seu mundo HOJE, faça!!! Não queira ser apenas mais um que apenas é alimentado, vestido e abrigado por alguém que paga tudo isso!

😉

 

[ Uma Reflexão Sobre o que é Ser Maduro ]

https://web.facebook.com/malvadoshq/

Este texto nasceu de comentário feito por uma amiga do mundo facebookeano. Eu havia postado em minha conta do Facebook essa tirinha que ilustra este texto e foi aí que minha amiga fez a seguinte provocação: “Defina pessoas maduras, fiquei curiosa“.

Depois de algum tempo, meditei, meditei e aí respondi o seguinte:

Penso eu que alguém maduro pode ser definido a partir de algumas características, por exemplo:

– A meu ver uma pessoa madura sabe reconhecer seus erros e falhas e não fica procurando bodes expiatórios para colocar a culpa.

– Uma pessoa madura assume responsabilidades e portanto se algo der errado ela não tentará culpar a má sorte ou afins.

Enfim, essas são apenas umas características que encontro em pessoas que considero maduras. Mas é uma visão bem pessoal.

Hoje resolvi fazer uma expansão desta minha resposta.

É impressionante como nos deparamos com situações onde percebemos que outras pessoas não agem com maturidade, mesmo muitas vezes sendo pessoas com uma certa idade. Isso mostra que maturidade nada tem a ver com idade cronológica. A maturidade é um conceito muito mais psicológico do que biológico.

E como em minha resposta a minha amiga do Facebook afirmei que uma das características das pessoas maduras era a capacidade de assumir seus erros e falhas a cada vez que alguém chega pra mim com alguma desculpa para justificar um erro ou uma falha me vem logo a impressão de que estou diante de uma atitude imatura. Talvez a pessoa nem seja imatura o tempo todo. Mas naquele momento ela está sendo. E por conta disso venho me policiando para também não me comportar de forma imatura quando sou confrontado com um erro que cometi. Não é fácil. Não é tão simples assumir um erro ou vários. Dói na alma. Machuca. Nos expõe. Mas é preciso fazer!

Num dos papeis que desempenho na sociedade em que vivo, isto é, como professor universitário, não me faltam histórias de momentos em que estudantes chegam para mim com as mais inusitadas e muitas vezes manjadas desculpas para não terem feito um trabalho, ou o terem entregue fora da data combinada. Ouço pacientemente e espero o momento de ouvir ele assumir o erro. Infelizmente nem sempre acontece. A culpa sempre é de outro! E nesse momento tento lhe mostrar a importância de assumir seus erros como uma ação voltada para seu amadurecimento. Não sei se muitos vão seguir meu conselho, mas os poucos que seguirem já me deixarão feliz e com o sentimento de missão cumprida.

Cumprir prazos parece ser um dos maiores desafios da nossa sociedade. Quem nunca teve uma história de não cumprimento de prazos por um prestador de serviços que atire a primeira pedra! Sempre há uma desculpa. Estudantes que não cumprem prazos é comum demais. Autoridades que nunca chegam no horário em eventos, nem se fala. Obras públicas entregues no prazo, verdadeiras lendas!! A lista tende ao infinito… Enfim, ao que parece somos uma sociedade que tem esse traço cultural: sermos naturalmente não cumpridores de prazos! E a meu ver é um traço de imaturidade social nosso. Teoricamente quando acordamos um prazo com alguém esperamos que o mesmo seja cumprido. Há aí uma relação de confiança. E se não há confiança como podemos esperar que os prazos sejam cumpridos, além de outros tantos acordos??!! Enfim, uma coisa acaba alimentando a outra!

Como o não cumprimento de prazos já passou a ser algo da nossa brasilidade e isso nem sempre nos irrita. Percebo que o que mais irrita mesmo são as desculpas, muitas vezes absurdas, e o fato de que nunca o não cumpridor de prazo assume seu erro. Talvez quem sabe se mesmo não cumprindo prazos as pessoas pelo menos assumissem seus erros e não inventassem desculpas esfarrapadas os demais não se aborrecessem tanto uns com os outros.

Lá na minha resposta à provocação mencionei a expressão bode expiatório. O bode expiatório é o recurso mais utilizado por aqueles que não assumem seus erros. É aquela velha história: o culpado sempre é o outro, a pessoa sempre é vítima de algo ou alguma coisa, seja ela material ou até mesmo sobrenatural. E isso me lembra demais atitudes de crianças pequenas que quando fazem alguma traquinagem tratam logo de culpar o vento, o amiguinho imaginário, o animalzinho de estimação e até mesmo o irmão mais novo (ou o mais velho). Daí podemos perceber o quanto é sinal de imaturidade ficar arrumando bodes expiatórios para colocarmos a culpa de nossas mancadas. Sobre esse assunto já escrevi aqui.

Em minha segunda consideração sobre o que vem a ser uma pessoa madura tratei de responsabilidades, ou melhor, de assumir responsabilidades. Isso tem muito a ver com o que foi exposto nos parágrafos anteriores. Quando assumimos responsabilidades o que é esperado de nós é que respondamos por tudo aquilo que desse nosso ato decorrer. A palavra responsabilidade tem uma forte ligação com a palavra responder.

A todo momento podemos estar nos deparando com situações onde nos é cobrada uma postura responsável e portanto, madura. Por exemplo, quando você resolve fazer um curso superior, uma faculdade. Se você é uma pessoa que trabalha durante o dia e estuda durante a noite, sem sombra de dúvidas cursar a faculdade vai ser um tanto mais puxado do que se você fosse um estudante profissional (aquele que pode se dar ao luxo de ser estudante full time). Ok?! Mas a partir do momento em que você tomou a decisão de fazer uma faculdade você automaticamente assume uma responsabilidade, seja para consigo, seja para com os professores do curso. Por isso fica feio tentar convencer os seus professores que por conta de você trabalhar durante o dia, ou por conta de haver outras disciplinas que você cursa, ele precisa lhe dar um tratamento especial ou relevar a sua falta de compromisso para com os trabalhos acadêmicos. Enfim, você vai ter que responder pelo seu ato de se matricular num curso superior. É necessário pontuar também que nossa vida é pautada por decisões que tomamos. É um tema sobre o qual já escrevi também.

Dessa forma podemos dizer que escolhas e responsabilidades estão intimamente ligadas: toda escolha vai envolver responder sobre a mesma em algum momento, seja no curto, médio ou longo prazo. Isto é, um dia a fatura será cobrada!

Pessoas imaturas quando diante da impossibilidade de assumir a responsabilidade por seus atos tenderão a recorrer ao artifício citado parágrafos acima: o bode expiatório. E assim percebemos que há um verdadeiro círculo nada virtuoso nessa questão: não assume responsabilidade -> não reconhece seus erros -> arruma um bode expiatório para colocar a culpa -> continua a não assumir responsabilidade -> continua a não reconhecer seus erros -> continua a arrumar bodes expiatórios… O ciclo vai somente se realimentando até chegar a um momento em que dificilmente a pessoa conseguirá reconhecer seus erros e suas responsabilidades diante de tudo que lhe acontece.

E finalmente… Finalmente é preciso dizer que ser uma pessoa madura não é tão simples. Como disse linha acima, pode até machucar a alma. Muitas vezes a postura infantil é muito mais cômoda. Mas aí voltamos novamente à questão das escolhas que fazemos, das nossas decisões e sobre as consequências das mesmas. Está nas mãos de cada um de nós… Cabe somente a nós, DECIDIR!