[ Contradições ]

A coisa mais divertida e cômica das contradições é ver os que se contradizem tentando a todo custo negar as contradições!!

Chega a um ponto que as contradições só aumentam!!!

Realmente não é fácil mesmo encarar certas coisas da vida!!! A melhor estratégia de defesa, inclusive psicológica, é a negação!!! Ainda que se contradiga!!!

😉

[ Tempos Obscuros ]

Tentar compreender um fenômeno social, enxergar as suas causas e vislumbrar as consequências não necessariamente significa que quem emprende essa tarefa esteja concordando com o tal fenômeno, que esteja lhe apoiando.

Sei não… Mas quando a tarefa de compreender algo passa a ser combatida sinto que o obscurantismo está com tudo mesmo.

Quem nega ao outro a compreensão de algo, penso eu, quer mesmo é que esse outro não tenha acesso ao conhecimento e muito menos à verdade dos fatos.

[ Breve Reflexão sobre Conhecer e Errar ]

Vagando pela timeline do Facebook dia desses me deparei com um post sobre uma acusação de assédio sexual contra uma pessoa que pelo que entendi era alguém bastante conhecido num determinado meio. Uma das coisas que me chamou a atenção e me levou a fazer essa breve reflexão foi que no post, além da manchete havia um comentário assim: “Como é que pode?! Fulano?! É… A gente pensa que conhece as pessoas…”

A partir daí me veio logo à mente a figura de Sócrates e aquela passagem sobre sua ida ao oráculo de Delfos onde ele leu a célebre frase “Conhece-te a ti mesmo”.

Então, diante da surpresa sobre o “desconhecimento” acerca de outra pessoa não seria uma boa primeiro tentar se conhecer?!

A questão acima fica para instigar uma primeira reflexão. Virão outras ao longo do texto.

Quando cursei a disciplina Filosofia da Ciência, no Bacharelado em Filosofia, tive contato com um texto em que o autor apresentava uma distinção entre os conceitos SABER e CONHECER. Para explicar essa diferença em rápidas palavras vou usar um exemplo. É comum dizermos “Eu conheço Fulano de Tal”. Para o texto acima mencionado, só podemos afirmar conhecer alguém se convivermos com esse alguém, caso contrário, no máximo podemos afirmar que sabemos desse alguém.

Um outro exemplo, que penso ser mais didático: para que eu possa afirmar que conheço a obra de um determinado artista, um cantor por exemplo, preciso ter estudado a obra dele, ter ouvido boa parte de suas canções, ter tido contato mais profundo com a obra do mesmo. Se eu não tiver feito isso apenas sei da obra desse cantor. E mais, não deveria dizer que conheço o artista, quando na verdade conheço a sua obra. Ou seja, é preciso separar criador de criatura.

Voltemos então ao caso que abriu esse texto… Será que o autor do post lá no Facebook realmente conhecia a pessoa que foi acusada de assédio sexual?! Ou será que ela apenas sabia dessa pessoa?!

Agora passemos para a parte sobre errar.

Uma das coisas que venho notando em nossa sociedade é uma verdadeira aversão ao erro como se essas pessoas que se escandalizam com o erro dos outros fossem pessoas infalíveis, incapazes de errar. É uma aversão que já vem com um julgamento moral embutido e até mesmo uma condenação. Ora, se nós, na maioria dos casos mal nos conhecemos de fato para sabermos o que somos realmente capazes ou não de fazer como podemos nos considerar detentores do monopólio das virtudes?! ?!

Creio que uma boa parcela de nós tem alguma consciência de que somos imperfeitos e que podemos errar a qualquer momento mesmo que exerçamos dura vigilância sobre nossos atos. É da natureza da espécie humana errar. Perfeitos somente os deuses idealizados por nós. Fora isso, todos podemos errar.

Mas no caso em questão, da acusação de assédio sexual outro ponto me chama a atenção. É que a pessoa foi acusada de assédio e entendo que entre a acusação e a confirmação ou não do assédio ainda há uma certa distância. Acontece que para muitos quando se acusa alguém de algo é porque a culpa dessa pessoa já foi confirmada e é fato consumado. Principalmente quando a acusação é de assédio sexual.

Alguns podem até dizer: “Ah!!!! Mas ele foi acusado de assédio!!! Quem acusa outro de assédio é porque realmente houve!” E a esses eu pergunto: TODA pessoa que acusa outro de assédio sexual SEMPRE o fará porque realmente houve o assédio?! NUNCA alguém irá acusar outro de assédio sexual apenas e tão somente para sacanear, para ferrar com a vida do acusado?! Sei que essa é uma questão delicada e que posso passar a ser perseguido por alguma militância que acredita piamente que NUNCA uma pessoa que acusa outro de assédio sexual o faria apena para ferrar com a vida do outro. Penso que esses possuem uma crença muito profunda na infalibilidade da espécie humana.

Enfim, deixo nesse texto algumas questões em aberto e que podem vir a servir de mote para algum debate.

​[ Entendendo um pouco mais sobre o apego ao conjunto de opiniões que cada um constrói para si ]

Em 1620, Francis Bacon afirmou que, “a compreensão humana, após ter adotado uma opinião, coleciona quaisquer instâncias que a confirmem, e ainda que as instâncias contrárias possam ser muito mais numerosas e influentes, ela não as percebe, ou então as rejeita, de modo que sua opinião permaneça inabalada”. Esta citação encontrei no livro O Andar do Bêbado, de Leonard Mlodinow. 
Já faz algum tempo que tenho me esforçado para compreender as pessoas (por que fulano pensa assim? O que o leva a ter esse ponto de vista?) e não simplesmente colocar um rótulo nelas por conta de suas opiniões ou pontos de vista. E nessa busca eis que estudar como a aleatoriedade e a probabilidade exercem influência em nossas vidas – tema central do livro onde pincei essa citação – tem me ajudado bastante.

Depois que o autor cita essa frase de Francis Bacon ele disserta um pouco mais sobre como funciona em nossas mentes esse apego àquilo que temos como sendo nossas verdades pessoais. Vejamos o que ele nos diz:

“Para piorar ainda mais a questão, além de buscarmos preferencialmente as evidências que confirmam nossas noções preconcebidas, também interpretamos indícios ambíguos de modo a favorecerem nossas ideias. Isso pode ser um grande problema, pois os dados muitas vezes são ambíguos; assim, ignorando alguns padrões e enfatizando outros, nosso cérebro inteligente consegue reforçar suas crenças mesmo na ausência de dados convincentes. Por exemplo, se concluirmos, com base em indícios instáveis, que um novo vizinho é antipático, quaisquer ações futuras que possam ser interpretadas dessa forma ganharão destaque em nossa mente, e as que não possam serão facilmente esquecidas. Ou então, se acreditamos num político, damos-lhe o mérito pelos bons resultados que obtiver, e quando a situação piorar, jogamos a culpa no outro partido, reforçando assim nossas ideias iniciais”.

Vejam que esse segundo trecho acaba nos explicando diversos padrões de comportamento nossos e de pessoas conhecidas. Quantos e quantos de nós não nos apegamos a ideias preconcebidas a cerca de algo ou de alguém e assim julgamos esse algo ou esse alguém tão somente baseados nessas ideias preconcebidas e pior ainda é que isso pode fazer com que nos fechemos à opiniões que contrariem esse nosso conceito preconcebido.

E para fechar esse post, vejamos mais um trecho do livro onde o autor dá mais algumas explicações sobre esse comportamento de nosso cérebro e nos mostra como não se deixar levar por isso:

“A evolução do cérebro humano o tornou muito eficiente no reconhecimento de padrões; porém, como nos mostra o viés da confirmação, estamos mais concentrados em encontrar e confirmar padrões que em minimizar nossas conclusões falsas. Ainda assim, não precisamos ficar pessimistas, pois temos a capacidade de superar nossos preconceitos. Um primeiro passo é a simples percepção de que os eventos aleatórios também produzem padrões. Outro é aprendermos a questionar nossas percepções e teorias. Por fim, temos que aprender a gastar tanto tempo em busca de provas de que estamos errados quanto de razões que demonstrem que estamos certos”.

Isso explica porque aqui no mundo facebookeano – e fora dele – vemos tantas pessoas defendendo inúmeras bandeiras e ideologias e elas sempre expõe argumentos, fontes, sites e até mesmo JPEGs, que confirmem aquilo que elas defendem e acreditam. Particularmente nunca vi alguém apresentar uma prova por refutação!!!

😉

P.S.: Publiquei este texto em minha página no Facebook em 17 de julho de 2014