[ Meu Olhar que Flanou por Minas – 30.12.2018 ]

A última vez que estivemos em Minas Gerais foi em 2005. Visitamos apenas duas cidades, Ouro Preto e Mariana. Em Belo Horizonte, apenas passamos para desembarcar e embarcar de volta ao Ceará.

Este ano resolvemos voltar a Minas porém para fazer um passeio mais longo e com pretensão de conhecer mais outras cidades.

Nossa jornada se inicia por Belo Horizonte. E hoje, 30 de dezembro, foi oficialmente nosso primeiro dia batendo pernas pela capital mineira. O primeiro local que resolvemos conhecer foi o Mercado Central.

Os mercados das cidades em geral são os melhores locais para se conhecer um pouco mais da vida cotidiana dos habitantes daquele lugar. E o Mercado Central de Belo Horizonte é um desses. O lugar é uma grande confusão de aromas, de cores, de sons, enfim, de gente!!!! Gente para todo lado!!! Gente de todo o tipo.

Passamos a manhã toda batendo perna pelo Mercado Central de BH. Não foi aquele passeio apressado. Não. Foi um passeio para realmente sentir o local. E não faltaram experiências sensoriais. Uma degustação aqui, outra ali. Uma provinha aqui e outra acolá e assim fomos aos poucos comprando vários produtos locais. Experiências culinárias devem fazer parte do dia a dia de qualquer viajante que realmente deseja transformar sua viagem em uma experiência enriquecedora.

Após o Mercado Central nosso destino foi o complexo arquitetônico da Lagoa da Pampulha. Infelizmente acabou chovendo um pouco e parte do passeio foi esperando a chuva passar. Além do mais a Igreja de São Francisco, um dos principais pontos desse complexo estava fechada pois está passando por reformas.

Seguimos em direção do Mineirinho, onde estava acontecendo uma animada feira, que me parece ser o programa de todo o domingo naquele lugar. Vimos também o Mineirão, palco do inesquecível 7 x 1…

Finalizamos nosso dia na Praça da Liberdade, onde passamos um bom tempo sentados num banco e apenas e tão somente contemplando a vida que passava por nós. Crianças, idosos, casais de namorados, músicos que tentavam ganhar algum trocado e vendedores ambulantes… Enfim, um típico cenário que é possível encontrar em qualquer praça por este mundo afora.

Mas os finalmentes mesmo do dia foi no Centro Cultural do Banco do Brasil de BH onde estava acontecendo uma exposição coletiva deveras interessante.

Abaixo algumas fotos do dia!!

[ Categorizar: Uma Necessidade ]

A capacidade de criar categorias e inserir nelas indivíduos e coisas, segundo muitos estudiosos do comportamento humano, é algo que muito contibuiu para que a nossa espécie chegasse a este grau de avanço tecnológico.

Porém essa característica nossa muitas vezes pode levar o desconforto e a estranheza a inúmeras pessoas.

Quando nos acostumamos a categorizar os outros em apenas dois conjuntos (os que amamos a partir das três primeiras palavras que dizem ou os que odiamos a partir das mesmas três primeiras palavras ditas) ficamos altamente desconfortáveis diante de alguém que não consiguimos encaixar em uma dessas duas categorias.

Acontece que a nossa mente é sagaz. Ela, depois desse período de desconforto e estranheza encontra logo uma solução: cria uma terceira categoria para poder enquadrar o nosso objeto de estranhamento. E assim vamos jogando nesta nova caixa todo mundo que não cabe nas duas anteriores.

E se nos deparamos com alguém que não se enquadra em nenhuma das três categorias?!? Não tem problema!! Cria-se uma quarta e assim sucessivamente, c.q.d.

[ Deixar de Classificar as Pessoas ]

E se deixássemos de classificar uns aos outros, parássemos de colocar as pessoas em categorias e passássemos a vê-las como indivíduos ricos em complexidade, com vidas cheias de detalhes, de sutilezas, dentre outras questões que escapam à categorização e que só podem ser percebidas na individualidade de cada um?

Seríamos assim menos injustos na forma como vemos uns aos outros?

[ Faz Lembrar ]

Há alguns anos estava numa barraca na Praia do Futuro, em Fortaleza, quando surgiu um sujeito, aparentando não ter plena sanidade mental.

Aquele sujeito passou como se estivesse conversando com alguém que a meu ver só exista em sua mente. Ele gesticulava muito!

Num dado momento, ele parou a uma certa distância de onde eu estava e começou a esbravejar, a xingar, enfim, a demonstrar uma grande raiva por alguma coisa que lhe incomodava.

As pessoas passavam, olhavam e ignoravam. Afinal de contas, devia passar pela cabeça de muitos, que era apenas mais um entre muitos que não gozam da plenitude de suas faculdades mentais, mais um ser perturbado, com pouco juízo.

Muitas vezes, quando surge em minha timeline posts raivosos, cheios de ira, com reclamações mil e insultos idem, eu sempre lembro daquele perturbado sujeito lá da Praia do Futuro…

[ Sistema dinâmico e altamente imprevisível ]

Será que existe sistema mais dinâmico e mais imprevisível do que uma sociedade humana?!

Talvez por conta do incrível grau de dinamicidade e de imprevisibilidade que permeia as sociedades humanas que seja tao difícil muitas teorias darem certo quando postas em prática para verificar a sua validade.

Cada ser humano é uma variável de alto grau de imprevisibilidade. Creio que essa imprevisibilidade se torna maior ainda quando combinada com outras tantas de outros seres humanos.

E assim, muitas idéias enquanto teorias e não postas em prática se mostram bastante válidas. 

Creio que a única forma de anular essa imprevisibilidade e dinamicidade natural da espécie humana seria com rígidos mecanismos de controle social. Mas aí já seria totalitarismo…