[ Que Lógica é Essa? ]

Já são três meses que estamos diante de um governo que é completo, ou seja, ele tem sido situação e oposição a ele mesmo em N momentos.

Daí, poderíamos deduzir que fazer oposição a um governo assim tão atrapalhado seria a mais fácil das missões.

Porém, o que a realidade nos mostra?! Que diante de tamanha incompetência do Governo Federal, até agora não surgiu uma oposição inversamente competente como era de se esperar se tomarmos o parágrafo anterior como premissa verdadeira.

Seria então um patamar de incompetência maior ainda não conseguir ser boa oposição a um governo tão incompetente?!?

Oremos…

Segue o enterro…

[ Ingenuidade ou Muita Fé?? ]


Sempre me chamou a atenção as defesas apaixonadas que muitos fazem de diversos políticos ou homens públicos.

Chega a ser quase um credo!

Beira a devoção!!!

É comum ouvir e ler coisas do tipo:

“Não!!! Ele é incapaz de fazer isso!”

“Ele é muito honesto! Jamais em hipótese alguma procederia dessa maneira!!”

E a melhor de todas:

“Eu ponho a minha mão no fogo por ele!!! Ele jamais estaria envolvido em coisas dessa natureza! É um homem de bem!!!”

Por isso que abro esse post indagando: ingenuidade ou muita fé?!

P.S.: as frases entre aspas estão no masculino mas podem se referir tanto a homens quanto a mulheres. É bom avisar antes que a moçada que enxerga o que não está escrito começar a bradar!!!

[ O Papel de Cada Um ]

Em uma campanha política os papéis são bem definidos.

Candidatos se esforçam para desempenhar o papel de inteligente, conhecedor das necessidades dos eleitores, honesto, capaz de solucionar os problemas da coletividade.

A militância (paga ou não) tem o papel de animar a campanha. Seja balançando bandeiras no meio da rua debaixo do sol quente, seja fazendo volume nas caminhadas e outras manifestações.

Os puxa-sacos possuem o papel mais rasteiro: o de denegrir a imagem dos adversários. O papel dos puxa-sacos se concentra em tentar a todo custo mostrar o lado negativo da personalidade dos adversários. Para desempenhar bem esse papel, os puxa-sacos precisam enaltecer, carregar nas tintas, exagerar qualquer ato falho dos adversários. E ao mesmo tempo, os puxa-sacos exageram, carregam nas tintas e enaltecem as qualidades que só eles enxergam em seu candidato, diga-se de passagem.

Assim sendo, é preciso ter um certo critério para acreditar nas coisas que nos chegam através desses que passam a campanha toda esforçando-se para melhor desempenhar o seu papel.

[ Sobre o derradeiro mês do período eleitoral ]

E eis que estamos caminhando – alguns cantando outros não – para o derradeiro mês de campanha política neste ano de 2016 d.C.

O último mês geralmente é quando os ânimos dos candidatos e dos seus simpatizantes, militantes, apoiadores, cabos eleitorais e torcedores em geral estão mais acirrados ainda! E assim sendo a razão cede lugar mais ainda à emoção!

E quando a emoção fala mais alto tem gente que fala o que não deve, tem gente que imagina o que não está acontecendo, tem gente que vê o invisível, em suma, cada um vê, ouve e sente aquilo que seu conjunto de crenças deseja que seja visto, ouvido e sentido!!! E como a psiquê de boa parte das pessoas que não possuem algum transtorno mental tende à felicidade, é fato que por mais cinza que se apresente a realidade a maioria tenderá a querer ver a vida, através de suas lentes pessoais, mais cor-de-rosa ainda!!!

Quando essa tendência à felicidade é ameaçada por algum fator ou por alguém é natural que cada um tente defender a sua visão de felicidade, de correto, do rumo que as coisas devem tomar. Resumindo: quando se avista uma ameaça à felicidade o instinto de preservação da espécie humana levará ao ataque para defender-se de ameaça ou mesmo eliminá-la!!!

Assim é que a partir desse derradeiro mês iremos presenciar não somente nas redes sociais digitais como fora delas um sem número de ações para tentar eliminar alguma ameaça. É provável que todos os postulantes a algum cargo eletivo se sintam ameaçados de alguma forma. E aí sobram baixarias!!! Sobra também terrorismo eleitoral!!! Sobra também demonizações!!! Sobra muita contrainformação também!!!!

O terrorismo eleitoral vai se fazer presente tão logo anunciem que se candidato X for eleito, ou se candidato Y não for eleito, N programas e ações que hoje existem e que estão dando certo, deixarão de existir! Afinal de contas a ameaça a felicidade é um vetor fortíssimo para que outras pessoas se engajem na causa de eliminar a ameaça à felicidade. Ora ora ora, mas será que ainda existe gente que acredita nisso?! Parece-me que sim! 😦

A demonização acontece quando tudo de ruim que alguém pode representar para a espécie humana se faz presente em um candidato. Como se aquele ser fosse a própria encarnação do mal!!! A demonização é um pouco do terrorismo político. Logo os que demonizam o outro se apresentam como bons, puros ou no mais demagógico dos casos, como aqueles que vieram ao mundo para salvar os eleitores do mal que o outro demonizado representa!

Ah… Vão aparecer também aquelas teses altamente apocalípticas nas quais é dito que se candidato X for eleito ou se Y não for, o país ou o Estado vão afundar em um caos social, ou que as sete pragas do Egito irão voltar em uma versão verde-amarela!

O roteiro político-eleitoral visto dessa forma parece ser como um daqueles filmes altamente previsíveis no qual o vilão, andando lentamente, persegue a mocinha que corre desesperadamente e mesmo assim lá adiante ele está frente a frente com ela como se tivesse se teletransportado!

Meu amigos, meus leitores, vamos e venhamos, qualquer escolha eleitoral, assim como as muitas outras, é uma aposta que fazemos. E como apostas não temos condições de ter 100% de certeza se ela foi a mais acertada. Não há a mínima possibilidade de termos 100% de certeza – vejam bem, estou jogando com 100% de certeza – de que algo realmente acontecerá caso X seja eleito ou Y não o seja!!! Além do mais, essas certezas que nosso inconsciente nos apresenta são tão somente motivadas por questões emocionais ligadas àquele candidato que se apoia. Percebo que nosso eleitorado é bastante passional! Dificilmente quem é muito apaixonado por alguém, mesmo que esse alguém seja um político, enxergará nele defeitos. No mais são somente especulações. E as especulações irão aumentar cada vez mais. Cada vez mais iremos ver aqueles mais aflitos gritando: “O fim está próximo!!! O fim está próximo!!! Corram para as montanhas!!!”

Creio que a melhor postura que podemos ter nesse derradeiro mês de campanha eleitoral é nos pautarmos mais ainda pela razão do que pela emoção. E aguçarmos o nosso senso crítico e também deixar bem evidente o ceticismo quanto às previsões apocalípticas!!! Mas não deixando também alienar-se a tudo que acontece!

[ Sempre os Outros ]

Numa campanha política sempre são os adversários que fazem as baixarias, o jogo sujo, contam as mentiras, denigrem as pessoas, são estúpidos e grossos. Nunca quem está “do nosso lado”.

O “nosso lado” só tem gente “do bem”, bem intencionada, pessoas educadas. Verdadeira legião de anjos e querubins que desceram dos céus e passaram a habitar entre nós.

É como aquela história dos corruptos em um restaurante: eles nunca estão na nossa mesa. Sempre estão nas outras mesas, nunca junto de nós!!!

[ As re-ações ]

Uma das coisas mais divertidas de observar em uma campanha política são as reações das pessoas após a divulgação dos resultados de uma pesquisa de intenção de votos.

Quem ficou bem na pesquisa festeja.

Quem não ficou, logicamente, não festeja e tenta a todo custo não demonstrar desânimo.

Talvez seja o momento Jardim da Infância dos eleitores. Muitas reações até parece coisa de criança!!! 😉

O divertido da coisa toda são as versões que cada um constrói para o fato.

O fato em si é o resultado da pesquisa, os números. Esses são frios e imutáveis.

Já as versões para o fato são as inúmeras interpretações, as tentativas de ler nas entrelinhas, de encontrar dados ou informações ocultas, de ver aquilo que outros não estão enxergando, enfim, a tentativa, às vezes desesperada, de fazer com que os fatos fiquem de acordo com o seu desejo.

Acontece que os fatos são os fatos e eles já estão consumados, é passado. Não dá pra mudar o passado.

Imagino que esse tipo de atitude tem um fortíssimo componente psicológico, ou melhor, de defesa psicológica. Como disse o bom e velho Nietzsche, “cada um aceita as verdades que consegue suportar”. E para as verdades que não conseguimos suportar, criamos a nossa própria versão da realidade.

Para finalizar é importantíssimo lembrar que, em se tratando de pesquisas de intenção de votos, o que está exposto ali nos números é apenas e tão somente um momento, um instante. E que uma única pesquisa não quer dizer muita coisa. O ideal é que haja pelo menos mais umas três ou quatro pesquisas para somente assim observar-se tendências, seja de crescimento seja de queda.

[ Cenas Tristes de Uma Campanha Política ]

1. Aquele pessoal que fica no “mêi” do sol quente balançando bandeiras de candidatos. Será que esse pessoal balançando bandeiras traz alguma coisa positiva para a campanha?!?!

2. O horário eleitoral onde a maioria dos candidatos a vereador só sabe dizer que vai lutar por mais saúde, educação, emprego e moradia. Além de ser sempre a mesma ladainha ainda dizem isso lendo no teleprompt.

3. Carros de som em altíssimos decibéis anunciando os eventos dos candidatos.

4. “Santinhos” e outros materiais de campanha espalhados pelo chão por onde os eventos dos candidatos passam.

5. E a pior cena de todas: a desconstrução dos candidatos pelos cabos eleitorais de seus adversários. Claro que dificilmente os próprios candidatos se encarregarão dessa tarefa. Isso é tarefa para o terceiro escalão da campanha. Para aqueles apoiadores que não se importam em fazer o trabalho mais vil e baixo das campanhas, o de falar mal do adversário.

E ainda tem bem trinta dias de campanha…

Ainda bem que um dia chega ao fim tudo isso.

Mas daqui a dois anos tem novamente!!!!! Oh!! Céus…