[ Mistificar ]

Pessoas… Cês já se deram conta de que nós, em geral, somos fissurados em mistificar as coisas?!?!

Seguinte… Isso deve ser algo bem ancestral, coisa do tempo em que vivíamos pelas savanas africanas, tentando todo dia sobreviver. Nossos ancestrais muito provavelmente tentavam entender o mundo ao seu redor através da criação de figuras idealizadas, que só existiam em sua imaginação.

Bem… Com o passar do tempo, penso eu, isso foi evoluindo, surgiram as mitologias, os deuses e tudo o mais.

Acontece que sinto que exegeramos e hoje em dia criamos mistificações com seres de carne e osso, como nós, e que são tão ou mais imperfeitos que nós!!!

Seguinte… Não falta ao imaginário do eleitorado médio a figura de um político ou grupo político que salvará a todos e resolverá senão todos mas pelo menos boa parte de toda essa bagunça em que estamos metidos!!!

Caras… Isso é ingênuo demais!!!

E nessas eleições, seja à direita seja à esquerda, estamos cercados de seres mistificados por nós mesmos, com soluções para tudo. E seus fiéis devotos são incapazes de reconhecer sua humanidade e por consequente suas limitações e falhas.

[ Como Impressionar o Eleitorado Mediano ]

Fale difícil para dar a impressão de que você é um gênio.

Vomite estatísticas e números misteriosos.

Cite personagens populares (vale até O Pequeno Príncipe).

Não tenha receio de mentir (afinal de contas, o eleitorado em geral não se dá ao trabalho de checar mesmo).

Não poupe nas bravatas!!! As bravatas quando bem conduzidas iludem até o eleitor mais politizado.

Escolha alguns inimigos para encarnar o “lado do mal”. O mal precisa de rostos senão o eleitorado não é convencido.

E por fim, apresente ideias bem populistas mas dê aquela maquiada legal para que elas aparentem não ser.

[ Uma questão de conforto e consolo, seja na religião, seja na política ]

A palavra fé vem do latim fides, e do Grego pistia, que é a firme opinião de que algo é verdade, sem qualquer tipo de prova ou critério objetivo de verificação, pela absoluta confiança que depositamos nesta idéia ou fonte de transmissão. Em palavras mais simples, podemos dizer que fé é acreditar naquilo que não vemos!

Bom, partindo desse princípio é fácil observar que no contexto religioso a fé é exatamente isso. Além do mais, a fé traz um conforto e um consolo àquele que professa algum credo. Esse consolo se manifesta de diversas maneiras, seja na crença de que a vida não termina com a morte do corpo, isto é, a ideia de paraíso, ou vida após a morte, seja na crença de que há uma coisa melhor guardada para você mesmo diante de todas as desgraças da vida, ou que tudo vai dar certo no final. Enfim, a fé, para muitos é extremamente necessária! Percebo que se não fossem essas crenças muitos até já teriam se matado!

E na política existe isso?!

Sim, e como existe!!!!

Meu campo de observação, e porque não dizer, espaço de pesquisa, tanto tem sido tanto aqui, o mundo facebookeano, como o cotidiano, conversando com as pessoas. Tenho notado, especialmente nas defesas apaixonadas e acaloradas que muitos fazem de certos políticos ou partidos políticos e até mesmo ideologias, a mesma empolgação daqueles que professam um determinado credo, ou que possuem fé em algo! Incrível como há fé, não do ponto de vista religioso, em políticos e em partidos.

E assim como a fé do ponto de vista religioso é algo necessário para manter o equilíbrio de muitos, a fé em uma ideologia, partido ou político em especial também se mostra igualmente necessário para manter o norte de outros tantos!! É quase impossível eu imaginar certas pessoas sem a crença em um determinado político ou partido!

E aí vemos um paralelo interessante entre religiões e certas ideologias político-partidárias! Enquanto que as religiões prometem o paraíso após a morte, muitos partidos políticos, através de seus representantes (seriam o equivalente a sacerdotes???) prometem também uma vida melhor, só que aqui mesmo, nessa existência!!! Pena que muitas e muitas vezes ficam apenas na promessa, na retórica!

No final das contas, o que vemos é que tanto no plano religioso como no político, muitas e muitas pessoas se apegam a um conjunto de crenças e passam a pautar suas vidas naquilo! E ai de quem discordar delas! E se caso tentar demovê-las das mesmas ou poderá levá-las a um estado de profunda desilusão e consequente depressão, ou imensa revolta para com aquele que proferiu a heresia, seja ela de cunho religioso, seja ela de cunho político-partidário!

Portanto, quando percebo que um conjunto de crenças é responsável por trazer um certo conforto e consolo a alguém, sejam essas crenças de cunho religioso ou político-partidário, não tentarei convencê-lo do contrário. Afinal de contas, vai ver que esta pessoa encontrou este conforto e este consolo para suas dores existenciais nessas crenças. Sejam crenças de uma vida melhor após a morte ou uma vida melhor com a eleição de algum candidato. Só espero que a recíproca seja verdadeira, isto é, que venha a respeitar minhas crenças, que podem ser altamente contrárias àquilo que ela pensa, seja do ponto de vista religioso, seja do ponto de vista político-partidário! Quando não há esse componente de fé nos posicionamentos político-partidários, aí sim, um bom debate de ideias é salutar, do contrário será simplesmente desperdício de energia mental!

😉

[ Um Conto de Fadas ]

Era uma linda história de amor!

Juras de fidelidade eterna!

Nunca nos afastaremos!!!

Compromissos de nunca deixar o outro desamparado!

Antes mesmo da união se consolidar mesmo, já faziam partilhas para não deixar ninguém desgostoso!

Mas aí, depois de quatro anos, eis que veio uma grande crise de relacionamento e todas as juras e compromissos foram por água abaixo…

E aqueles políticos que antes se amavam agora eram somente ódio e rancor…

E vocês pensando que eu estava falando de um casal, né???!!! rsrsrsrsrsrrsrs

[ O ano de nascimento do Brasil ]

É comum ler aqui no Facebook e fora dele ouvir muitos dizerem que o Brasil, o nosso país, começou em 1500 quando Cabral foi encontrado pelos índios, perdido, achando que estava – segundo as fontes oficiais – indo para as Índias!!!

Porém, de uns tempos pra cá passei a rever, pelo menos para mim mesmo, sem nenhuma pretensão de querer mudar a opinião de ninguém ou mesmo os entendimentos históricos, que o nascimento da nossa nação se deu mesmo a partir de 1822, ano em que foi proclamada a nossa independência!!!

E por que passei a pensar assim???

Simples, até 1822 o Brasil não existia enquanto país. Era mais uma das colônias portuguesas. Mas a partir de 1822 a nação brasileira deixava de ser uma colônia portuguesa.

Tá certo que nascíamos como país meio que de forma um tanto torta (ou seria à fórceps??!!), já que ao contrário de muitos outros países que quando se declararam independentes já se tornaram repúblicas, ou seja, nós aqui ainda ficamos sendo reinado até 1889.

Assim, esse meu pensamento reforça a ideia de que somos mesmo uma nação jovem, que ainda temos muita história ainda para ser construída. E isso também serviu para me dar um certo consolo quando vejo muitos altamente indignados com as coisas ruins que acontecem por aqui e que muito nos envergonham. Calma pessoal, ainda somos uma nação jovem!!!! Não temos sequer 200 anos de história!!

Também já me conformei que até partir desta existência (segundo o IBGE deverei fazer isso com pouco mais de 75 anos!!!) ainda irei me escandalizar muito com as coisas que acontecem com toda e qualquer jovem nação em processo de crescimento e amadurecimento!!!

😉

[ O que era público agora já nao é ]

Em tempos de política polarizada, que por sua vez inibe ou até aniquila qualquer forma de debate uma vez que os polarizadores acreditam serem os detentores da verdade e quem não pensar com e como eles acaba sendo percebido como inimigo a ser eliminado é fácil perceber que quem está no poder através da ocupação de um cargo eletivo acaba, muitas vezes, acreditando ser dono, proprietário mesmo daquilo que é público.

É fácil ouvir frases do tipo: “Eles querem tomar o poder!” Ou frases do tipo: “Eles querem ter o poder a qualquer custo!”. Pouco importando se esse poder está representado pela prefeitura de um município, governo do estado ou presidência da república. O que importa é a sensação de ser o dono da prefeitura, estado ou república. E esses que temem perder o poder advindo de cargos eletivos ou que fazem tudo para se manterem nos mesmos, não mais consideram aquela prefeitura, estado ou país como sendo algo público. A percepção que esses têm é que lhes pertence.

Há quem diga que na democracia todo poder emana do povo. Porém o que vemos é este poder se tornando propriedade de poucos. E para manter essa posse, estes poucos contam com a ajuda valiosa dos votos daqueles dos quais, em tese, emana todo o poder.

[ Assim se constroi um projeto de poder ]

1o Ato

Eliminar, desconstruir ou modificar o passado. “Quem controla o passado controla o futuro; quem controla o presente controla o passado”, já dizia George Orwell, em 1984.

2o Ato

Eliminar as lideranças, sejam oposicionistas ou não. A eliminação de lideranças ajuda a minimizar o debate e a estabelecer o discurso único.

3o Ato

Construir e fortalecer o culto à personalidade. Quanto mais forte é esse culto mais difícil será o surgimento de lideranças internas e mais fácil eliminar as externas. E até defeitos poderão ser transformados em qualidades. Além do mais qualquer crítica se tornará crime de lesa-magestade.

4o Ato

Estabelecer uma ampla rede de informação que possa a todo momento alimentar outras redes menores e também indivíduos com material informativo que sempre mostre conteúdo positivo e que também seja usada para desqualificar qualquer entidade que venha divulgar informação contrária.

Dessa forma a rede de informação seria percebida como uma espécie de pensador coletivo. A rede também seria útil para identificar aqueles que não comungam com o pensamento coletivo.

Quanto mais rápido se age para não deixar uma informação negativa se espalhar em um determinado tecido social menores serão os danos e mais rapidamente se desmente a mesma.