[ Renovação?! Mas nem tanto… ]

Naquela cidadezinha os líderes políticos resolveram reunir-se para debater o futuro político dela (e deles).

Depois de muita discussão, muito debate, eis que os líderes políticos chegaram a uma conclusão e um deles declarou aos demais em alto e bom tom:

“Chegou a hora de renovarmos os quadros políticos da cidade!! É chegado o momento de gente nova na política local!!! Vamos lançar como candidatos nossos filhos, netos e sobrinhos!!!”

​[ Pura perda de tempo e de energia mental ]

As discussões acaloradas sobre qual partido é mais corrupto, nas quais nenhum partidário deseja ser apontado como o campeão da disputa, uma disputa curiosa na qual ninguém deseja vencer e fica-se fazendo de tudo para que o outro é que seja o vencedor, há tempos se mostram pura perda de tempo e de energia mental.
Seria tão mais produtivo se ao invés desse exótico campeonato no qual aquele que vence é um perdedor moral e ético, os participantes dedicassem seu tempo e energia mental para pensar em soluções para os problemas da Nação.

Apesar de que para se chegar a esse ponto, primeiro devem ser baixadas as armas de cada lado e depois reconhecer e aceitar a existência dos problemas. E muitas vezes tomar consciência de que também pode fazer parte do problema. 

😉

[ A Pose – Ser e Parecer ]

Enquanto fotógrafo tenho algumas considerações a respeito do ato de posar. Sim, fazer pose pra foto!!

A meu ver, quando posamos, conscientemente ou não, acabamos tentando encarnar um personagem que acreditamos ser legal, bacana, bonito, et cetera e tal!!!

Claro que para quem é modelo fotográfico profissional, posar faz parte do seu trabalho. E abrindo um parênteses no texto… É ótimo fotografar modelos que já possuem verdadeiro estoque pessoal de poses, que sabe qual seu melhor ângulo, enfim, que sabe mesmo como se comportar diante de uma câmera e seguir a direção do fotógrafo!!! Ah!!! Atores e atrizes, geralmente, são ótimos para serem fotografados e dirigidos!!! Fecha parênteses…

Não é atoa que as fotografias que muitos de nós mais gostamos são aquelas em que o fotógrafo conseguiu captar a espontaneidade do fotografado pois nesses momentos a pessoa está sendo ela mesma e não um personagem que descrevemos por alto no segundo parágrafo deste texto.

Mas este texto não é para falar somente de pose na fotografia mas também de pose na política!

Vocês, caros leitores, já notaram que políticos profissionais (aqueles que não fazem outra coisa para ganhar a vida, ganhar o pão de cada dia, a não ser política) são exímios fazedores de pose?! Observem atentamente uma sessão da Câmara ou do Senado (nossa, que pedido esse que fiz!! Maldade!!) e nelas vocês notarão como os políticos adoram fazer pose. Ora eles encarnam os injustiçados!!! Ora eles posam de vítimas dos adversários!!! Ora eles encenam que são os guardiões da moral e dos bons costumes. Outro momento eles se postam como os primeiros seres humanos inteligentes, esclarecidos e íntegros da face da Terra. Enfim… Não faltam papeis…

E os políticos são exímios em perceber uma boa oportunidade para posar!!! Nos momentos em que as atenções da população se voltam para Brasília, por exemplo quando são votadas leis polêmicas, o Grande Teatro do Congresso fica inundado de atores e atrizes, ou modelos, usando e abusando do recurso da pose!

Hoje em dia, tempos em que qualquer um consegue se transformar em produtor de vídeo bastando para isso ter um smartphone à mão, tudo ficou mais fácil ainda. Político que ama posar sempre lançará desse recurso para fazer seu showzinho particular para sua claque!!!Ou ele mesmo se filma ou algum colega faz o papel ou até mesmo um assessor.

É preciso cada vez mais discernimento por parte do eleitorado para não se deixar levar pelas poses, caras e bocas que nossos representantes políticos costumam nos brindar a todo instante.

Lembremos sempre: há uma distância razoável entre ser e parecer (lembremos daquele xampu anti-caspa da década de 90 que parece mas não é). Quando posamos, parecemos. Ou melhor, quando políticos posam, eles querem que acreditemos que eles são, quando na verdade eles apenas parecem ser. No momento da pose, o político está simplesmente encarnando um personagem que ele precisa apresentar para a platéia, ou melhor, para o eleitorado. Ao contrário da clássica frase que diz que “À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”, os políticos (e todas as pessoas em geral, né?!) não basta parecerem honestos, devem ser HONESTOS!

​[ Dois Discursos ]

Em geral, os chamados líderes políticos mais tradicionais, esses que há anos vem fazendo da política seu meio de vida em nosso país, possuem dois discursos:

1. O Discurso para As Massas: é aquele usado para entusiasmar a militância, fazer o pessoal pegar em lanças e bandeiras, gritar a plenos pulmões na época das campanhas, brigar com a militância adversária, enfim, é o discurso público. Geralmente esse dicurso é carregado de sonhos, ideais, muito O QUE FAZER e nada de COMO FAZER.

2. O Discurso Oculto: esse, como o próprio nome dá a entender, não é voltado para as massas, para a grande militância. É muito mais pragmático que o primeiro discurso. Esse dicurso oculto é aquele que será de fato posto em prática. Claro que com alguma maquiagem para poder ficar parecido com o primeiro. Esse segundo discurso é justamente aquele que é acertado somente entre a elite que vai de fato tocar o poder caso o primeiro discurso seja vencedor nas urnas. Esse discurso oculto é muito mais fácil de ser colocado em prática do que o anterior, uma vez que ele é pragmático e não idealista.

O interessante é que como somos dados a acreditar em tudo aquilo que condiz com nossos sonhos e desejos, nem nos damos conta de que o primeiro discurso é apenas e tão somente uma encenação, posta em prática para ludibriar o eleitorado mais apaixonado, mais crente, mais encantado… É através do discurso voltado para as massas que o caminho para a realização do discurso oculto é devidamente pavimentado.

E segue o enterro…

[ Qual a Verdade? ]

“Verdadeiro é o discurso que diz as coisas como são; falso é aquele que diz como não são”, Platão, em Crátilo.

Essa frase ouvi numa das aulas de Teoria do Conhecimento II no Curso de Filosofia.

Impressionante como ela se aplica a um sem número de coisas em nossa vida. Afinal de contas vivemos em busca de verdades.

Fazendo um recorte para tentar aplicar essa frase a um campo bem específico, no caso a política, me surgem algumas dúvidas:

– Qual será a verdade que um candidato quer passar para seus eleitores?

– E depois de eleito, qual será a verdade que ele vai colocar para aqueles que estão sob a tutela de suas decisões?

– Haverá graus de verdade tanto no discurso situacionista como no oposicionista? Se realmente houver graus de verdade tanto no discurso situacionista como no oposicionista, como devemos fazer para de cada um poder separar a verdade das coisas como são e aquilo que fala das coisas como elas não são?

Atualmente essa última questão é quem mais ronda meus pensamentos. Ora vejo analistas, jornalistas e políticos tecendo críticas ferrenhas à política econômica do nosso país e ao mesmo tempo vejo ministros, políticos e até mesmo a presidente dizendo que isso é exagero, que as contas estão sob controle, que a inflação está domada, dentre outros discursos tranquilizadores.

Afinal, onde está a verdade ou que graus de verdade podemos ter de cada discurso acerca da nossa economia?

[ Alienação & Subserviência ]

Atestado de alienação e subserviência política: votar em um candidato somente e simplesmente porque um ou vários líderes políticos o apoiam. E pior ainda é achar isso a coisa mais natural do mundo dizendo que vota em qualquer um que o tal líder político indicar!!!

Por incrível que pareça, mas o voto de cabestro ainda persiste forte muito forte.

Mas isso é consequência da falta de uma formação política e também da ausência de um pensamento crítico mais forte.

Enquanto não houver desenvolvimento intelectual dos eleitores isso vai persistir!!

​[ A Mais Básica Lição de Economia ]

Só há um mercado se houver dois componentes: oferta e procura. A existência de apenas um desses componentes não constitui um mercado.

Exemplos: 

{ O mercado de peças roubadas }

Se tem quem compra peças roubadas, é porque tem quem venda peças roubadas. E vice-versa. E esse mercado tem uma cadeia produtiva bem ampla: os que roubam veículos, os demanchadores, etc.

{ O mercado de votos }

Se tem eleitores vendendo votos, é porque tem políticos ou apoiadores dos mesmos comprando. E vice-versa.

O que foi dito para o mercado de votos vale também para o mercado de vereadores, deputados estaduais e federais, sensdores e todos os entes do poder executivo, municipal, estadual e federal.

Portanto, é preciso lembrar dessa liçãozinha básica de economia antes de reclamar da existência de determinados mercados.