[ Uma questão de conforto e consolo, seja na religião, seja na política ]

A palavra fé vem do latim fides, e do Grego pistia, que é a firme opinião de que algo é verdade, sem qualquer tipo de prova ou critério objetivo de verificação, pela absoluta confiança que depositamos nesta idéia ou fonte de transmissão. Em palavras mais simples, podemos dizer que fé é acreditar naquilo que não vemos!

Bom, partindo desse princípio é fácil observar que no contexto religioso a fé é exatamente isso. Além do mais, a fé traz um conforto e um consolo àquele que professa algum credo. Esse consolo se manifesta de diversas maneiras, seja na crença de que a vida não termina com a morte do corpo, isto é, a ideia de paraíso, ou vida após a morte, seja na crença de que há uma coisa melhor guardada para você mesmo diante de todas as desgraças da vida, ou que tudo vai dar certo no final. Enfim, a fé, para muitos é extremamente necessária! Percebo que se não fossem essas crenças muitos até já teriam se matado!

E na política existe isso?!

Sim, e como existe!!!!

Meu campo de observação, e porque não dizer, espaço de pesquisa, tanto tem sido tanto aqui, o mundo facebookeano, como o cotidiano, conversando com as pessoas. Tenho notado, especialmente nas defesas apaixonadas e acaloradas que muitos fazem de certos políticos ou partidos políticos e até mesmo ideologias, a mesma empolgação daqueles que professam um determinado credo, ou que possuem fé em algo! Incrível como há fé, não do ponto de vista religioso, em políticos e em partidos.

E assim como a fé do ponto de vista religioso é algo necessário para manter o equilíbrio de muitos, a fé em uma ideologia, partido ou político em especial também se mostra igualmente necessário para manter o norte de outros tantos!! É quase impossível eu imaginar certas pessoas sem a crença em um determinado político ou partido!

E aí vemos um paralelo interessante entre religiões e certas ideologias político-partidárias! Enquanto que as religiões prometem o paraíso após a morte, muitos partidos políticos, através de seus representantes (seriam o equivalente a sacerdotes???) prometem também uma vida melhor, só que aqui mesmo, nessa existência!!! Pena que muitas e muitas vezes ficam apenas na promessa, na retórica!

No final das contas, o que vemos é que tanto no plano religioso como no político, muitas e muitas pessoas se apegam a um conjunto de crenças e passam a pautar suas vidas naquilo! E ai de quem discordar delas! E se caso tentar demovê-las das mesmas ou poderá levá-las a um estado de profunda desilusão e consequente depressão, ou imensa revolta para com aquele que proferiu a heresia, seja ela de cunho religioso, seja ela de cunho político-partidário!

Portanto, quando percebo que um conjunto de crenças é responsável por trazer um certo conforto e consolo a alguém, sejam essas crenças de cunho religioso ou político-partidário, não tentarei convencê-lo do contrário. Afinal de contas, vai ver que esta pessoa encontrou este conforto e este consolo para suas dores existenciais nessas crenças. Sejam crenças de uma vida melhor após a morte ou uma vida melhor com a eleição de algum candidato. Só espero que a recíproca seja verdadeira, isto é, que venha a respeitar minhas crenças, que podem ser altamente contrárias àquilo que ela pensa, seja do ponto de vista religioso, seja do ponto de vista político-partidário! Quando não há esse componente de fé nos posicionamentos político-partidários, aí sim, um bom debate de ideias é salutar, do contrário será simplesmente desperdício de energia mental!

😉

[ Combater o Pecado e não o Pecador ]

Faz algumas semanas que terminei de ler o livro “Pecar e Perdoar”, do prof. Leandro Karnal. O livro trata da noção de pecado e de perdão, em especial, nas três grandes religiões monoteistas, o judaísmo, cristianismo e islamismo.

Há um capítulo em que trata do perdão cristão o prof. Karnal nos coloca que a mensagem do Cristo diz que devemos abominar e combater com todas as armas o pecado porém devemos amar o pecador pois este, digamos assim, está nas trevas e precisa da luz, está enfermo e necessita de cura, enfim, esse seria o grande sentido do perdão cristão.

Depois de ler isso e observando a mim e aos demais, a nossa sociedade, me veio alguns questionamentos:

1. Será que somos capazes de amar o pecador?

2. Será que nós não estamos muito mais propensos a querer aniquilar o pecador?

3. Será que inconscientemente acreditamos que elinando o pecador estamos limpando o mundo do pecado?

Por pecado não me refiro somente a ele quanto à perspectiva religiosa mas também à noção de delito, de crime e até mesmo àquelas idéias que não são saudáveis para a vida em sociedade.

Enfim, será que um dia chegaremos a amar o pecador?

[ Política & Religião ]

É interessante notar que duas coisas que aparentemente não tem nada em comum mesmo assim possuem similaridades.

Na política, assim como nas religiões, existem suas figuras divinas, que são adoradas pelos fiéis, ou melhor, pelos partidários.

Assim como na religião, as figuras divinas e adoradas da política são fruto da fé e devoção dos eleitores.

Quando na política alguém alcança o patamar de figura divina, uma das primeiras manifestações dos devotos, isto é dos correligionários, é o culto à imagem do político. Muitas e muitas histórias ou lendas surgem em torno daquele que agora é objeto de adoração dos partidários.

Semelhante à religião, quando o político se torna ser de adoração e veneração, ele passa a ser infalível e dono de sabedoria infinita. A verdade está sempre com ele.

Em muitas religiões quando alguém é contrário a um determinado credo passa ser visto como um infiel que deverá arder no fogo do inferno. Já na política que atingiu o status de religião, os adversários, aqueles que não comungam do mesmo catecismo político-doutrinário são igualmente vistos como merecedores do fogo do inferno. A diferença é que o inferno para os fiéis políticos deve ser em vida mesmo.

E assim, como há religiões fundamentalistas, há aqueles fundamentalistas políticos que em seu íntimo sonham em expurgar da face da Terra todos os infiéis para instalar a sua própria versão de Paraíso.

P.S.: este texto foi originalmente pulicado em minha página no Facebook em 12 de abril de 2015.

[ Uma questão de conforto e consolo, seja na religião, seja na política ]

crenças

A palavra fé vem do latim fides, e do Grego pistia, que é a firme opinião de que algo é verdade, sem qualquer tipo de prova ou critério objetivo de verificação, pela absoluta confiança que depositamos nesta ideia ou fonte de transmissão. Em palavras mais simples, podemos dizer que fé é acreditar naquilo que não vemos!

Bom, partindo desse princípio é fácil observar que no contexto religioso a fé é exatamente isso. Além do mais, a fé traz um conforto e um consolo àquele que professa algum credo. Esse consolo se manifesta de diversas maneiras, seja na crença de que a vida não termina com a morte do corpo, isto é, a ideia de paraíso, ou vida após a morte, seja na crença de que há uma coisa melhor guardada para você mesmo diante de todas as desgraças da vida, ou que tudo vai dar certo no final. Enfim, a fé, para muitos é extremamente necessária! Percebo que se não fossem essas crenças muitos até já teriam se matado!

E na política existe isso?!

Sim, e como existe!!!!

Meu campo de observação, e porque não dizer, espaço de pesquisa, tanto tem sido tanto aqui, o mundo facebookeano, como o cotidiano, conversando com as pessoas. Tenho notado, especialmente nas defesas apaixonadas e acaloradas que muitos fazem de certos políticos ou partidos políticos e até mesmo ideologias, a mesma empolgação daqueles que professam um determinado credo, ou que possuem fé em algo! Incrível como há fé, não do ponto de vista religioso, em políticos e em partidos.

E assim como a fé do ponto de vista religioso é algo necessário para manter o equilíbrio de muitos, a fé em uma ideologia, partido ou político em especial também se mostra igualmente necessário para manter o norte de outros tantos!! É quase impossível eu imaginar certas pessoas sem a crença em um determinado político ou partido!

E aí vemos um paralelo interessante entre religiões e certas ideologias político-partidárias! Enquanto que as religiões prometem o paraíso após a morte, muitos partidos políticos, através de seus representantes (seriam o equivalente a sacerdotes???) prometem também uma vida melhor, só que aqui mesmo, nessa existência!!! Pena que muitas e muitas vezes ficam apenas na promessa, na retórica!

No final das contas, o que vemos é que tanto no plano religioso como no político, muitas e muitas pessoas se apegam a um conjunto de crenças e passam a pautar suas vidas naquilo! E ai de quem discordar delas! E se caso tentar demovê-las das mesmas ou poderá levá-las a um estado de profunda desilusão e consequente depressão, ou imensa revolta para com aquele que proferiu a heresia, seja ela de cunho religioso, seja ela de cunho político-partidário!

Portanto, quando percebo que um conjunto de crenças é responsável por trazer um certo conforto e consolo a alguém, sejam essas crenças de cunho religioso ou político-partidário, não tentarei convencê-lo do contrário. Afinal de contas, vai ver que esta pessoa encontrou este conforto e este consolo para suas dores existenciais nessas crenças. Sejam crenças de uma vida melhor após a morte ou uma vida melhor com a eleição de algum candidato. Só espero que a recíproca seja verdadeira, isto é, que venha a respeitar minhas crenças, que podem ser altamente contrárias àquilo que ela pensa, seja do ponto de vista religioso, seja do ponto de vista político-partidário! Quando não há esse componente de fé nos posicionamentos político-partidários, aí sim, um bom debate de ideias é salutar, do contrário será simplesmente desperdício de energia mental!

P.S.: Este texto foi originalmente publicado em minha conta do Facebook, em 03 de maio de 2014.

[ Quando a Ideologia Político-Partidária Vira Religião – Parte II ]

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Quem tem devoção por uma crença religiosa, e isto é diretamente proporcional ao seu grau de devoção, é capaz de fazer tudo para defender a sua crença.
 
E a mesma coisa acontece quando uma ideologia político-partidária passa a ser uma espécie de crença religiosa, com direito a dogmas, entidades abstratas sobrenaturais, cultos à personalidade e até mesmo promessas de uma vida cheia de prazeres para os seus devotos (a diferença nesse ponto específico, é que as religiões prometem essa vida cheia de prazeres após a morte, já as ideologias político-partidárias em vida mesmo), bem como a condenação a um inferno para aqueles que não professarem a mesma fé.
 
Da mesma maneira que para defender uma religião, em um passado remoto, muitos foram capazes de atitudes condenáveis, o mesmo vem se processando agora no ânsia de defender partidos políticos.
 
Impressiona-me como fazem uso de recursos imorais, anti-éticos e porque não dizer, criminosos, na maior naturalidade e ainda justificam os mesmos através de uma crença de que estão fazendo um bem, que estão salvando a nação.
 
Definitivamente é preciso muito cuidado com aqueles que se valem da máxima que diz: “os fins justificam os meios”. Pois estes começam posando de heróis, mas acabam usando os mesmos recursos vis daqueles que eles dizem combater.