[ O Brasileiro Médio ]

Desde muito antes das eleições de 2018 que tenho a impressão, baseado naquilo que leio e ouço nas minhas bolhas, dentro e fora do mundinho Facebookeano, que por mais que estejam sendo feitos estudos sobre nossa sociedade ainda falta muito para uma melhor compreensão de uma entidade chamada brasileiro médio.

O brasileiro médio não é bem letrado, possui dificuldades para formular boas compreensões textuais e também do mundo que lhe cerca. Além do mais, o brasileiro médio não tem lá grandes ambições. Para ele, ter um trabalho digno, que lhe proporcione algum conforto, uns momentos de lazer, a possibilidade de algum patrimônio, como uma casa, que nem precisa ser tão grande e um veículo, um meio de transporte motorizado, bem como outros mimos que o mundo do consumo pode proporcionar, como por exemplo um smartphone bacana. Ah… E o brasileiro médio deseja ter sossego e uma tranquilidade mínima.

Mas não… O que mais vejo é que tem muito, mas muito estudo e muita gente confundindo repetida e exaustivamente desejos com análises. É preciso que a moçada se descole dessa tendência. Há excesso de idealizações. A turma tem se dedicado mais em formular teorias para uma realidade que deveria ser (portanto desejos) e deixado pra lá, como diria o Anjo Pornográfico, a vida como ela é.

E aí não faltam pessoas ainda chocadas com o resultado das eleições de 2018 e se perguntando como chegamos até esse quadro. Quem sabe se o brasileiro médio já tivesse sido melhor compreendido e menos desejo tivesse sido confundindo com análise os resultados de 2018 teriam sido diferentes.

Por enquanto, vamos seguindo nessa de esperar resultados diferentes mesmo agindo sempre do mesmo modo…

[ Reflexão vespertina ]

Curiosamente somos bastante influenciados (e quiçá comandados) por diversas entidades puramente abstratas tais como:

– O sistema (é quase um deus, onipresente e onisciente).

– A mídia (é outra que é quase um deus!).

– O governo (sim, o governo é uma entidade abstrata, as pessoas que fazem parte do mesmo, que os representa, são meras representações, ou melhor, instâncias dessa classe puramente abstrata).

Curioso notar também é que muitas vezes é extremamente mais cômodo e confortável, culpar e responsabilizar essas entidades abstratas por tudo aquilo que consideramos errado ou incorreto. Como se essas entidades abstratas fossem entes independentes, que possuem vontade própria, agem conforme um plano elaborado por elas mesmas.

Mas há um elemento comum a essas entidades. Existe um elo que as liga.

Afinal qual o elemento comum que existe entre essas três abstrações?!

R: Todas elas são criações da espécie humana!!! E assim, de criadores passamos a reféns, servos, dependentes, da criatura!!!

Não seria melhor ao invés de culpar essas criações humanas puramente abstratas voltarmos a nossa crítica a nós mesmos?! Entender que aquilo que atribuímos a estas entidades abstratas no final das contas não passa de nossa própria culpa máxima culpa?!

😉

[ Um povo realmente civilizado ]

Em minha humilde opinião de mero observador do cotidiano penso que uma população poderá se considerar verdadeiramente civilizada quando:
– Respeita e cumpre as leis sem que para isso o Estado precise manter um aparato fiscalizador e repressor tão onipresente quanto um Grande Irmão.

– As pessoas reconhecem o que é contra a lei e não o fazem não por temerem uma punição mas simplesmente por ter amadurecimento moral suficiente para entender que não se deve proceder assim.

– Esta população respeita o bem público entendendo perfeitamente que enquanto bem público este não pertence somente a um ou outro ente e sim a uma coletividade. Desta forma, esta população cuida para que este bem público sirva ao maior número de pessoas. E as pessoas agem assim não por temerem punições estatais mas sim pelo imperativo de que é assim que se deve agir.

– As pessoas que exercem cargos de ordem pública compreendem que seu papel é servir à sociedade e não o contrário. Desta forma exercem suas atividades com zelo e com a dedicação que o público a quem serve merece ter.

– E se mesmo assim uma pessoa comete um crime e tem sua liberdade cerceada ela deverá cumprir pena em uma instituição que o fará entender mais ainda que seu ato foi ilegal e que não é assim que se deve agir numa sociedade verdadeiramente civilizada. Ao final do período de liberdade cerceada,o infrator não mais tenderá a cometer ato semelhante.

– Por fim, essa sociedade não tem pena de morte!

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P.S.: No mundo atual não sei se já há uma sociedade assim. Mas sonho com isso! Ah… Essa lista não é definitiva. Caso tenha alguma sugestão de como deve ser uma sociedade verdadeiramente civilizada, expresse sua visão através de um comentário.

[ Bastava fazer a coisa certa! ]

 
Muitos reclamam que no trânsito são poucos os que seguem as leis que servem para organizar o mesmo. Acontece que todas essas reclamações desapareceriam se todos ou pelo menos a imensa maioria seguissem as leis como elas devem ser seguidas e não tentasse fazer suas próprias “interpretações” – exemplo que vejo muito em Sobral é achar que basta ligar o pisca-alerta para ter o direito inalienável de parar seja onde for, principalmente em local proibido!!!
 
Há um sem número de queixas contra a questão da corrupção. Mas se corruptos e corruptores sempre lembrassem que isso é uma ação ilegal, fora da lei, e que pode ser punida – melhor seria se fosse severamente punida – a história seria bem diferente! Bastava seguir a lei!
 
Outra coisa que nos deixa altamente irritados é com relação aos políticos que existem, seja em nossa cidade, seja em nosso Estado ou em nosso País. A grita geral é sempre por conta de um descontentamento geral quanto a atuação dos mesmos. Se estes senhores e senhoras resolvessem cumprir com suas obrigações seja no legislativo, seja no executivo, não haveria toda essa falta de crença nos entes políticos. Bastava fazer o que diz a lei!!!
 
Não podemos esquecer que o poder judiciário também é alvo constante da ira das pessoas em geral. Curiosamente há muita injustiça no poder judiciário – um tanto paradoxal. Muitas vezes em todas as esferas do mesmo. Desde o mais graduado ministro de algum tribunal superior até o estagiário de alguma secretaria de algum fórum. Mas não precisava ser assim. Bastava que cada um fizesse a sua parte como deve ser feita. Nem mais nem menos!!!
 
Não vou me alongar mais em exemplos pois acredito que o leitor já compreendeu bem o cerne deste post!!! Mas penso que existe material para se construir uma tese de doutorado sobre essas questão de fazer a coisa certa, de seguir a lei, de não tentar dar um jeitinho para beneficio próprio e os outros que se explodam.
 
Mas como isso seria possível?? Via decreto???!!! Ah! Seria muito bom e muito fácil!!! Imaginem aí que a partir da data X do mês Y do ano Z, todas as pessoas daquele país passariam a fazer a coisa certa!! Pena que não é assim. A verdadeira mudança vem a partir de cada um, de cada cidadão, de cada gestor, de cada político, enfim, de cada um que faz parte de um povo e é esse povo que é a unidade básica deste país! Isso demanda tempo! Demanda muito tempo, pra falar a verdade! Mas tem que ser desencadeado esse processo.
 
Uma questão complexa como essa jamais será resolvida com ações pontuais e muito menos com medidas simples. Não tem como fazer isso!!! O êxito dessa empreitada, na verdade, depende mesmo é de cada um de nós! Não adianta ficar esperando por uma solução mágica, ou que venha alguém no seu Zepellin prateado e vendo tanta iniquidade resolva acabar com tudo para só assim acontecer a conversão moral de um povo.
 
Enfim, muitos desses problemas que envergonham a muitos sequer existiriam se cada um resolvesse fazer a coisa certa, que agisse dentro da lei, que não tentasse levar vantagem em tudo e sobre todos. A mudança da sociedade só acontecerá quando cada integrante dessa sociedade resolver mudar! Mudemos o povo, suas atitudes, seus valores morais, suas concepções do que é certo e errado, e todo um país será mudado automaticamente. Afinal, o povo é quem faz o país!
 
😉

[ Importar-se é dar importância?! ]

Se algo tem importância para alguém é natural que essa pessoa fale muito sobre esse algo?!

Não falar sobre algo, não dar atenção a este algo, não ligar para este algo é sinal de que este algo nada significa, que não se tem interesse a respeito desse algo?

Penso que as respostas para essas questões é SIM.

Então, onde quero chegar?!

Ao longo dessa campanha eleitoral notei que os apoiadores de candidatos dão muita atenção (às vezes exagerada atenção) aos fatos, aos acontecimentos dos seus adversários, mais do que os próprios.

E ao agirem assim entendo que os apoiadores dos candidatos acabam dando grande visibilidade aos fatos dos seus adversários. Ou seja, o objetivo dos adversários acabou sendo atingido de fato, eles ganharam a devida atenção e holofotes.

Assim sendo falar demais sobre algo, ainda que seja tentando desqualificar acaba sendo uma forma de lhe dar visibilidade, de fazer com que mais e mais pessoas tomem conhecimento desse fato. Ou seja, às vezes é melhor silenciar, demonstrar que aquilo não possui importância.

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P.S.: este texto foi originalmente publicado em minha página no Facebook, no ano passado, precisamente no dia 29 de setembro.

[  Parar No Tempo ]

Envelhecer não é algo ruim ou bom. Envelhecer é algo em si mesmo.

Envelhecer é uma conseqüência de quem muito vive.

Quanto mais tempo passamos vivos mais envelhecemos. Não quer envelhecer?!? Simples, morra jovem.

Acontece que há quem além de envelhecer resolve parar no tempo. E o que é parar no tempo?!?

Alguns sinais de que paramos no tempo:

1. Repetir com bastante saudosismo e às vezes uma pitada de angústia, bem como de revolta, frases do tipo “no meu tempo era bem melhor”, “no meu tempo as coisas não eram assim”, e por aí vai…

2. Querer que as pessoas se comportem como nos comportávamos há algumas dezenas de anos.

3. Dizer repetidamente que a música de hoje não presta e que somente a música do passado é que é boa. Não somente a música, mas os livros, as peças de teatro, os filmes, as danças, os quadros, enfim, a arte de uma maneira geral.

4. Acreditar que dá para classificar as pessoas em pouquíssimas categorias, umas duas ou três no máximo. Geralmente, para quem para no tempo só existem duas categorias: quem gosta do que eu gosto (estes eu amo) e quem gosta do que eu não gosto (estes odeio).

Porém, como foi dito no verso daquela canção, “o tempo não para”. Nós é que optamos por seguir em frente ou parar.

[ Controlar é Fascinante ]

É impressionante o fascínio que o ato de controlar exerce em nós, é algo ambidestro.

Ao exercermos controle sobre algo ou alguém e até seus plurais, acabamos por ter uma sensação de conforto, de tranquilidade. Afinal de contas, quando as coisas e pessoas estão sob nosso controle a previsibilidade aumenta e assim nos livramos do medo de que algo não previsto venha a acontecer.

E parece-me que esse fascínio por controlar é algo que está no íntimo de cada um de nós. Claro que em muitos esse desejo não vem à tona, fica mesmo adormecido. Porém bastam as condições ideais se fazerem presentes para que o gênio controlador se revele.

Observemos o mundo à nossa volta. A todo momento aparece alguém querendo nos controlar. Controlar o que vemos na TV, o que lemos, para onde vamos, o que comemos, com quem conversamos. Enfim, há sempre um controlador rondando à nossa volta.

Curioso que muitos desses controladores se valem dos mais puros motivos, as melhores das boas intenções. Geralmente dizem: “É para o seu bem e o bem de todos!!”

O controlador também se considera um ser especial, uma espécie de protetor dos demais e vê estes como crianças que precisam ser tuteladas pois nada sabem sobre o mundo à sua volta.

É preciso termos muito cuidado com os controladores pois da mesma forma que é fascinante controlar, ser controlado e não ter responsabilidade por seus atos também o é. Muitos de nós se sentiriam muito confortáveis sob um regime controlador desde que não mais precisassem ter preocupações para com suas vidas uma vez que o ente controlador já teria.